Usar chupeta faz bem?

24 de abril de 2017

Você se pergunta se usar chupeta faz bem? Um estudo publicado na revista General Dentistry esclarece que, sempre que largada a tempo seu uso é inclusive vantajoso.

A maioria dos especialistas considera benéfico usar a chupeta. Os odontologistas explicam que não há problemas desde que as crianças interrompam o uso antes dos três anos de idade.

Um artigo de responsabilidade do Comitê de Amamentação da Associação Espanhola de Pediatria (AEP) explica que o uso da chupeta está bastante consolidado nas sociedades desenvolvidas.

Seu uso ajuda a acalmar o choro do bebê, a induzir o sono, e reduzir o estresse e a dor em procedimentos desagradáveis, situações que provocam preocupação e ansiedade nos pais.

Muitos profissionais da saúde e a sociedade em geral acreditam que as chupetas não fazem mal. Também acreditam que são benéficas e necessárias ao desenvolvimento do bebê que ainda mama no peito, observa a AEP.

Os mesmos especialistas relatam que sua utilização é motivo de controvérsias entre o profissionais, os quais recomendam ou não o uso baseando-se algumas vezes em experiências pessoais, e nem sempre em provas científicas.

Entretanto, seu uso foi relacionado à diminuição do tempo de amamentação e ao surgimento de dificuldades nesse processo, ao aumento na frequência das otites médias, aos problemas dentais, e ao risco de acidentes.

Além disso, estudos recentes mostram que seu uso é benéfico, principalmente durante o sono, diminuindo o risco de morte súbita do bebê.

Outros benefícios da chupeta, estudados e demonstrados, se relacionam ao seu efeito analgésico e ao estímulo da sucção não nutritiva em bebês pré-termos e termos.

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A chupeta não estraga os dentes

Ela não causa má-formação dental se a criança interrompe o uso antes dos três anos de idade, afirma a Sociedade Espanhola de Pediatria. Essa afirmação derruba algumas crenças muito arraigadas entre nós.

Essa sociedade reitera o que foi dito pela AEP e enfatiza que, de acordo com as pesquisas, se a criança deixar de usar a chupeta até os três anos de idade os prejuízos são reversíveis. Além disso, ainda segundo a sociedade, o uso pode reduzir a incidência de morte súbita e aliviar a ansiedade e as dores das crianças.

O ato da criança colocar o bico da chupeta na boca e ficar chupando é o que os especialistas denominam de sucção não nutritiva.  O propósito desse ato, como o próprio nome mostra, não é ingerir alimentos.

Mas, durante esse ato, alguns dentes centrais inferiores se desviam aos poucos para dentro, enquanto aqueles que estão no mesmo plano no maxilar superior tendem a se separar e se voltar para fora, causando o que se chama de dentes de coelho.

Estima-se que para que as deformações sejam significativas, é necessário exercer uma pressão relativamente constante durante seis horas diárias, aproximadamente.  O fator tempo juntamente com a força que o pequeno vai aplicar na sucção vão produzir as diferentes consequências observadas no uso da chupeta.

“Isso explica porque muitas crianças que usam chupeta não desenvolvem nenhum tipo de má oclusão dentária” aponta Jane Soxman, autora do trabalho e membro da Junta Americana de Odontologia Pediátrica. Nesse caso, ela se refere às crianças que usam chupeta em momentos pontuais. Como, por exemplo, na hora de dormir ou se limitam somente a ficar com a chupeta na boca, sem chupá-la.

O uso contínuo da chupeta desloca os dentes, mas essa situação, como demonstrada no trabalho, é reversível dentro de poucos meses após a criança interromper o uso.

O motivo principal é o fato de não chegar a causar deformações na articulação temporomandibular, nem deformações ósseas significativas que modifiquem a arcada dentária definitiva da criança.

Apesar de os especialistas acreditarem ser conveniente interromper aos poucos o uso da chupeta por volta dos três anos, eles também afirmam que não é uma regra fixa, devido aos motivos acima citados.

Há outros motivos que podem flexibilizar esses prazos. Como o nível de maturidade da criança ou determinadas circunstâncias médicas ou psicossociais.

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Recomendações para o uso da chupeta

Mesmo que a Sociedade Espanhola de Odontopediatria explique que não há nenhum dado contra nem a favor ao uso da chupeta, ela recomenda o seguinte:

  • Tente não utilizar a chupeta nos primeiros dias de vida.
  • Mesmo que a tentação seja grande, o melhor é resistir. Pois pode contribuir para o estabelecimento de uma amamentação materna menos eficaz.
  • Evite usar a chupeta como método para poder adiar uma refeição.
  • É melhor que seu filho utilize a chupeta ao invés dos dedos, geralmente o polegar, para saciar sua vontade de chupar.
  • Se seu filho usa chupeta, não tenha somente uma. É um objeto fácil de perder e, caso isso aconteça, levará a choros, birras, etc…
  • Muitas crianças chupam a chupeta para se acalmar. Sobretudo na época do desmame ou na ausência dos pais.
  • Não repreenda as crianças mais velhas pelo uso da chupeta. Isso vai dificultar a interrupção definitiva do uso.

A Sociedade Espanhola de Pediatria também faz algumas recomendações:

Reafirma a amamentação materna exclusiva durante os 6 primeiros meses de vida como fator protetor contra a morte súbita do bebê.

Nos recém-nascidos que estão sendo amamentados é melhor evitar a chupeta durante os primeiros dias de vida. Mas, ao mesmo tempo, não desaconselha seu uso quando a amamentação materna já está bem estabelecida, geralmente a partir do primeiro mês de vida, idade na qual começa o risco da síndrome de morte súbita do bebê.

Os profissionais devem saber que em algumas ocasiões o uso da chupeta é um sinal de que há dificuldades na amamentação. Por isso, eles devem saber identificar essas situações e se munir das habilidades necessárias para ajudar adequadamente as mães, tanto em relação à técnica da amamentação, como inspirando-lhes confiança.

Em relação aos procedimentos dolorosos nas unidades pré-natais, se não há a possibilidade de o bebê mamar deve-se oferecer a chupeta como método analgésico não farmacológico.

Aos bebês amamentados artificialmente a recomendação do uso da chupeta é especialmente importante. Pois esses bebês apresentam outras características que podem aumentar o risco da SMSL.

Os profissionais da saúde devem saber que além da chupeta existem outras maneiras de acalmar um bebê. Alguns exemplos são o contato da pele do bebê com outra, e outros métodos de sucção não nutritiva.