Vamos evitar os rótulos: cada criança é única e excepcional

· 23 de agosto de 2018
Vamos educar crianças felizes, não pessoas iguais.

Essa criança é “lerda”, seu filho parece “hiperativo”, “Você é uma menina má”…. É preciso evitar os rótulos na educação de nossos filhos porque cada criança tem seu ritmo, seu relógio interno e sua maravilhosa individualidade.

 

Poderíamos dizer, com segurança, que chegamos a um ponto em nosso ambiente educativo em que se comete o erro de catalogar como “patológica” muitas condutas que, por si mesmas, são completamente normais. Os rótulos atuam como profecias autocumpridas, não podemos esquecer. Por isso, devemos focar nossa linguagem e atitude, até a paciência, à intuição das necessidades e a atenção individual.

De fato, temos certeza de que em mais de uma ocasião haverá ocorrido o seguinte: estar em um parque, na creche ou na escola e que outras mães se aproximem para perguntar – seu filho ainda não fala, não pronuncia bem as palavras? Não lê? Não sabe escrever ainda?

Não se preocupe. Essa curiosidade pela aquisição de competências é uma coisa normal em muitos dos nossos contextos próximos. Entretanto, o que importa na verdade são os nossos filhos. Te convidamos a refletir sobre o tema e descobrir algumas ideias que vale a pena esclarecer.

Rotular nem sempre nos ajuda a compreender melhor uma criança

A linguagem tem muito poder e, mesmo que não acreditemos, pode fazer muito mal. Vamos analisar um exemplo: não é a mesma coisa dizer “meu filho é ruim em matemática” que “meu filho teve problemas com a matemática este trimestre”. O mais provável é que se essa criança escutasse a primeira frase, imediatamente interiorizaria em sua mente “eu sou ruim em matemática”.

Por outro lado, com a expressão “meu filho teve problemas com a matemática”, mostramos uma realidade mais ajustada e construtiva: é uma situação a ser solucionada e na qual devemos trabalhar. É um processo, não é um estado, nem um rótulo.

evitar os rótulos

Os diagnósticos não são os mesmos dos rótulos

Fica claro que, em certas ocasiões, nossos filhos apresentam uma série de comportamentos, sintomas, características particulares diante dos quais necessitamos não rotulá-los, mas sim de um diagnóstico. Saber, por exemplo, que nosso filho é autista ou que apresenta algum problema de desenvolvimento é vital para poder oferecer a ele as melhores estratégias de acordo com suas necessidades.

  • Entretanto, e apesar de receber um diagnóstico determinado, é preciso que avancemos mais além da simples rotulação. Deve se ter em conta, por exemplo, que nenhuma criança com autismo é igual a outra. Por isso a necessidade de ver nossos filhos como pessoas excepcionais que vão necessitar de uma série de estímulos, afetos e condutas adaptadas ao que eles nos pedem, não ao que o próprio “rótulo” nos diz.
  • Outro detalhe a se ter em conta é o próprio estigma que alguns diagnósticos provocam. Quando, mais uma vez, os rótulos fazem estragos. Uma criança com TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade) não é uma criança travessa, desajeitada, distraída, lerda, muito menos, “má”.

Nunca devemos deixar que outras pessoas falem dessa maneira perto de nossos filhos. As consequências que trazem esse tipo de vocabulário são muito negativas.

Rótulos: profecias auto cumpridas

Se na escola me dizem que sou “lento”, para que vou me esforçar em mudar se é o que esperam de mim? Na maioria das escolas e em muitas famílias, os rótulos estão na ordem do dia. Se uma criança é introvertida e gosta de ter momentos de solidão é uma “criança esquisita”. Se uma criança é curiosa, esperta e sempre tem uma pergunta para cada resposta, é uma criança “inquieta”.

evitar os rótulos

  • É necessário evitar este tipo de rotulação em que existe um componente negativo (lerda, má, inquieta, desajeitada, esquisita…)
  • Um rótulo é uma palavra que a criança vai interiorizar para toda sua vida. Servirá para se comparar com os outros e para convencer a si mesma de que não pode escapar desse rótulo.
  • As mães e os pais, quase sem querer, utilizam esses rótulos quando as crianças fazem algo errado. Quando quebram alguma coisa, quando se comportam mal, quando são suspensas na escola, não faltam esses adjetivos nos quais sempre existe um componente negativo.
  • Temos de ser um pouco mais intuitivos e habilidosos com a linguagem. Podemos dizer frases como: “Você tem que andar com mais cuidado para que não volte a quebrar as coisas”; “Você se comportou mal, mas eu espero o melhor de você e não quero que me decepcione. Acredito que você irá se comportar melhor”; “ Você tem que se esforçar um pouco mais e verá como consegue superar”.

Papais e mamãe, vamos evitar os rótulos, por favor

As crianças passam por muitas etapas, por muitos ciclos nos quais irão amadurecendo pouco a pouco, no seu próprio ritmo. Não podemos cometer o erro de enxergar “patologias” onde é necessário somente tempo e paciência. Porque, do contrário, corremos o risco de que o desenvolvimento emocional da criança seja afetado diante dessas pressões externas.

Respeite, cuide e seja paciente com seus filhos. Ao mesmo tempo, não permita que ninguém ao seu redor cometa o erro de atribuir a ele nenhum rótulo. Ninguém merece isso.