A viagem de Chihiro e seus grandes ensinamentos

O filme A viagem de Chihiro fez com que o seu criador, Hayao Miyazaki, ganhasse o Urso de Ouro em Berlim e o Oscar de melhor filme de animação.
A viagem de Chihiro e seus grandes ensinamentos
Azucena Fernández

Escrito e verificado por a professora Azucena Fernández.

Última atualização: 27 dezembro, 2022

A viagem de Chihiro é um filme que nunca sai de moda e que continua a prender a atenção de crianças e adultos devido a tudo o que é capaz de proporcionar. É considerado um dos melhores filmes do século. Vamos relembrar as razões pelas quais esse filme merece ser visto muitas e muitas vezes.

O filme do Studio Ghibli conta a história de uma menina de 10 anos, Chihiro, que está presa em um mundo mágico. Para sobreviver, ela precisa trabalhar em um spa para deuses. Por meio das suas aventuras nesse imenso balneário, somos apresentados à tradição e à espiritualidade japonesa.

Lá, encontramos kamis, seres xintoístas, que para os ocidentais seriam divindades, mas que no Japão são vistos como elementos da natureza. Também conhecemos os yōkai, criaturas que são uma mistura de demônios e de espíritos da natureza.

“A viagem de Chihiro é o maior expoente na carreira de Miyazaki da explosão cultural japonesa, do valor das raízes, do respeito pelas tradições e, ao mesmo tempo, é uma visão que parte do século XXI, moderna e respeitosa.”
-García Villar-

Chihiro consegue resolver um problema criado pelos seus pais, que não respeitam as tradições japonesas nem o mínimo da boa educação. Ela é uma garota normal e que é capaz de fazer tudo a que se propõe, sempre pensando nos outros e no que é certo.

grandes ensinamentos
© Studio Ghibli

Ensinamentos que A viagem de Chihiro nos proporciona

Colaborar com os outros é melhor do que enfrentá-los

Em sua jornada pelo balneário, Chihiro precisa pedir um emprego à feiticeira Yubaba, que administra o spa. Ela sabe que vai ser uma tarefa difícil e, então, decide ser amigável, colaborando em tudo o que é pedido. Assim, ela consegue o trabalho de que precisa para sobreviver no mundo mágico e para poder voltar para o seu mundo algum dia.

Ao pedir o emprego para Yubaba, embora estivesse sendo tratada com bastante rispidez, o que ela faz é conversar com ela com carinho. Ela a chama de ‘vovó’ e até pede ajuda para livrar o seu amigo Kohaku de um feitiço.

Todo mundo tem um lado bom, só precisamos encontrá-lo

Essa ideia é claramente representada com personagens como o Sem Rosto (No Face ou Kaonashi, que é uma sombra negra com uma máscara branca de quem Chihiro não tem medo).

Todos acreditam que Sem Rosto seja mau, mas Chihiro se esforça muito para encontrar o seu lado bom. Assim, ela consegue descobrir a verdade sobre ele e fazer com que ele demonstre quem realmente é.

“Chihiro acredita na bondade dos outros. Com a crença de que todos nós temos algo de bom, ela também consegue vencer Yubaba.”

A viagem de Chihiro nos ensina que a ganância te transforma em um ser monstruoso

Isso é o que acontece com os pais dela. Eles comem muito, exageradamente, uma refeição que, além de tudo, nem pertence a eles, e acabam sendo transformados em porcos. Eles acham que ficarão felizes com a comida, mas, na verdade, a ganância só lhes causa problemas. É assim que começa a aventura de Chihiro.

A ecologia, a natureza e a sua importância em A viagem de Chihiro

A importância da natureza também aparece em A viagem de Chihiro. No filme, um deus fedido aparece nos banheiros, causando muita confusão porque ele é horroroso e cheira muito mal.

Chihiro, pacientemente, gasta bastante tempo para limpá-lo e, por fim, descobre-se que este é o deus de um rio poluído, com uma bicicleta incrustada que fazia a sujeira se acumular cada vez mais. Quando ele é limpo por Chihiro, volta a ser visto como ele é.

A bicicleta incrustada do deus fedido também tem um significado importante. Ela está ali porque foi jogada por alguém em um rio. Assim, o filme nos lembra da importância de não poluir o meio ambiente. Se jogarmos coisas em um rio, como uma bicicleta, por exemplo, não apenas estaremos poluindo, como também estaremos prejudicando o seu espírito.

A sociedade de consumo em A viagem de Chihiro
© Studio Ghibli

Chihiro fica muito feliz quando vê o rio limpo. Além disso, quando esse deus vai embora limpo, todos os funcionários dançam e comemoram alegremente. Miyazaki nos ensina que tratar bem um rio não é algo que vai nos deixar ricos, e sim felizes.

A sociedade de consumo nos escraviza

No filme, todos os que conseguem um emprego com Yubaba perdem o nome e esquecem a sua vida anterior. De certa forma, eles acabam sendo escravos porque não sabem quem são.

Yubaba rouba o nome deles para que eles se tornem seus escravos. Por exemplo, ela faz com que Kohaku esqueça o próprio nome, prometendo um tesouro que nunca lhe dará.

Em suma, A viagem de Chihiro é e sempre será um dos grandes filmes do século XXI. É, de fato, o primeiro grande filme de animação do século.

Ao conhecê-lo, as crianças adoram o filme e podem passar horas falando sobre o que acabaram de ver, bem como fazendo perguntas. É importante não nos esquecermos de que temos algo precioso em nossas mãos.


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