Você protege ou superprotege seus filhos?

26 de julho de 2019
A superproteção pode criar na criança um grande medo do mundo. Além disso, pode causar uma atitude de dependência que pode ser extremamente prejudicial a curto e longo prazo.

Você acha que superprotege seus filhos? Provavelmente a sua resposta é não. Isso porque a maioria dos pais que cometem esse erro ignoram o que fazem. No entanto, há uma solução. O primeiro passo é admitir que passamos dos limites ao tentar proteger os filhos.

O reconhecimento da superproteção não significa condenar os pais e muito menos castigá-los por não terem feito melhor. Afinal ninguém nasce com um manual sobre como fazer tudo perfeitamente, especialmente quando se trata da educação e do cuidado dos filhos.

No entanto, quando o cuidado se torna uma ideia que causa ansiedade com uma voz interior que diz “prevenir, prevenir, prevenir” é um sinal de que as coisas não vão tão bem quanto deveriam. Por isso, é normal se perguntar: onde está o limite entre proteger e superproteger?

Você é um pai ruim se superprotege os filhos?

Não, de jeito nenhum. E, felizmente, sempre há oportunidades para melhorar. É preciso apenas encontrar uma maneira de adquirir as ferramentas necessárias e colocar em prática um plano que permita consertar os erros.

Embora os pais tenham a obrigação de cuidar dos filhos, isso não significa que devam proteger a ponto de impedi-los de viver. Muitas vezes os pais se esquecem que nem tudo na vida será fácil e agradável e que os erros são necessários para aprender e superar.

Você protege ou superprotege os filhos?

“O mundo está cheio de perigos. Embora seja preciso estar atento, não isole seus filhos em uma bolha”.

Não se pode evitar o sofrimento. O que pode ser feito é fornecer as ferramentas necessárias para ajudar as crianças a evitar os problemas por conta própria, bem como incentivar a enfrentá-los e resolvê-los quando necessário. Em outras palavras, trata-se de criar uma atitude positiva.

Os pais devem construir um lar em que as crianças cresçam sãs e salvas. Isso significa criar um ambiente onde vocês possam falar abertamente sobre quais são os perigos e como agir diante deles.

Se os pais acham que tudo é uma ameaça e se esforçam para eliminar todos os riscos, não apenas ficarão exaustos, mas também farão com que os filhos cresçam com uma grande insegurança.

O excesso de medo causará falta de confiança em si mesmos e nos demais. Inclusive, pode fazer com que não vejam oportunidades nos desafios e tomem decisões ruins apenas para permanecer em sua zona de conforto.

O lado positivo dos erros

É necessário respeitar o direito de cada um de errar. Lembre-se de que a aprendizagem através da experiência é uma das mais enriquecedoras para o ser humano.

O papel dos pais é sim proteger a vida dos filhos, mas, principalmente, oferecer apoio nos momentos importantes, corrigir os erros e celebrar os sucessos. É preciso deixar que as crianças vivam livres e aprendam a pensar e lidar com os problemas por conta própria.

A ideia é fortalecer a confiança e impulsionar a autoestima. Esteja ao lado das crianças sem interferir em suas decisões. Deixe-as viver e, acima de tudo, pensar por si mesmas. A proteção dos pais está justamente relacionada a isso, ou seja, garantir o bem-estar dos filhos, sem que haja uma pressão extrema.

Distinguir bem os conceitos

Avalie as diferenças entre esses dois termos e os sinais que eles apresentam para saber se você protege ou superprotege seus filhos.

Proteger

  • Acompanhar os filhos em tempos difíceis.
  • Ajudar o pequeno a ter autonomia.
  • Educar para viver e conviver.

Superproteger

  • Isolar a criança ou afastá-la de qualquer situação que suponha algum tipo de perigo.
  • Suprimir a personalidade da criança. Responder ou tirar conclusões por ela e, até mesmo, colocá-la em algumas situações indesejadas.
  • Deixar-se levar pelo medo e impedir que a criança viva sua vida ao máximo.

“O amor incondicional não tem nada a ver com superproteção”.

Você protege ou superprotege os filhos?

Dicas para evitar a superproteção

  • Evite os diálogos desmotivadores com mensagens protetoras demais. Por exemplo, dizer coisas como “você não é capaz” ou “deixa que eu faço” não contribuem para uma boa autoestima.
  • Deixe os pequenos experimentar, materializar as suas ideias e tomar as suas próprias decisões. Se com isso eles não conseguirem bons resultados, é preciso ensinar a importância de aprender com os erros.
  • Você pode explicar o motivo de algumas ordens ou obrigações que devem ser cumpridas em casa. No entanto, talvez haja alguns casos em que eles não precisarão de explicações.
  • Ensine a ter responsabilidade por suas ações. Oriente para que consigam enxergar os erros e pedir desculpas quando necessário.
  • É um erro querer antecipar as suas demandas. As crianças são capazes de resolver qualquer adversidade. Se elas precisarem de ajuda, simplesmente pedirão.

As crianças devem percorrer os seus próprios caminhos, viver cada experiência. Mesmo que seja muito difícil, os pais devem permitir que isso aconteça e evitar viver através delas. Portanto, se você superprotege seus filhos, é hora de começar a mudar.