A neuroeducação em sala de aula

28 de junho de 2019
A neuroeducação é a disciplina que lida com a compreensão do funcionamento do cérebro para otimizar a aprendizagem em sala de aula.

Mantemos o mesmo sistema e os mesmos métodos educacionais claramente obsoletos há décadas. A necessidade de uma mudança de abordagem em relação às formas de ensinar e de transmitir conhecimento está se tornando cada vez mais evidente. Por isso, hoje vamos falar sobre a neuroeducação em sala de aula, essa renovação que pode revolucionar o ensino.

O que é a neuroeducação?

A neuroeducação é a união das neurociências e da pedagogia, com a finalidade de otimizar a experiência de aprendizagem. Essa disciplina procura entender o funcionamento do cérebro (como ele lida, codifica ou guarda informação no nosso cérebro) a fim de aplicar ao ensino. Dessa forma, haveria melhorias nos métodos educacionais.

Portanto, a ideia é entender que os seres humanos realizam um processamento integral no qual o pensamento, o sentimento e a ação são um todo indivisível que dá sentido à experiência de aprendizagem. E, tendo isso em mente, a ideia é adaptar o trabalho em sala de aula.

Conceitos básicos de neuroeducação em sala de aula

  • Plasticidade cerebral. O conhecimento não é estático. Nosso cérebro tem uma plasticidade que nos permite moldar e modificar as conexões neuronais através da aprendizagem contínua.
  • Neurônios espelho. Esse conjunto de células cerebrais nos permite aprender não apenas através das nossas próprias experiências, mas também através da observação dos outros. Graças a eles, desenvolvemos a empatia e a aquisição da linguagem.
Conceitos básicos de neuroeducação em sala de aula

  • Interação entre genética e experiência. A realidade de nossas habilidades e capacidades é determinada pela epigenética. Esta é a conjunção da nossa genética, que estabelece as bases do que mais nos atrai ou do que fazemos melhor, e a experiência que vai moldando e modificando essas bases.
  • Aprendizagem emocional. Para uma boa internalização da informação, não basta recebê-la no nível teórico. Qualquer conteúdo que evoque emoções na pessoa será aprendido com mais facilidade e de forma mais permanente.
  • Aprendizagem significativa. Para realmente entendermos um assunto, precisamos levá-lo ao “mundo real” e experimentá-lo nele. Precisamos descobrir o que é realmente útil e o que está sendo aprendido em um nível prático.

Como a neuroeducação é aplicada em sala de aula?

Certamente é de grande importância que os educadores conheçam o funcionamento cerebral para que possam otimizar o desempenho acadêmico dos seus alunos. As principais implicações da implementação da neuroeducação em sala de aula são as seguintes:

Como deve ser o aprendizado?

  • A curiosidade é essencial para aprender. Assim, é necessário incentivar o entusiasmo e o desejo inato de aprender dos alunos, propondo desafios e aventuras no ensino dos conteúdos.
  • A aprendizagem deve ser ativa. Ou seja, não basta que os alunos recebam as informações passivamente, eles devem manipulá-las e também participar ativamente da sua elaboração.
  • É muito importante que haja uma aprendizagem emocional e significativa.
  • É especialmente importante promover o ensino por meio de diferentes canais, de modo que existam tanto novidades (nos canais de comunicação) quanto a repetição dos conteúdos. De fato, isso facilitará bastante a capacidade do aluno de integrar o conhecimento.

Como deve ser o ambiente?

  • O ambiente físico da sala de aula deve ser adequado. Ele deve ser bonito, organizado e variado,  principalmente porque dessa maneira respondemos melhor aos estímulos em transformação.
  • Também deve haver uma decoração integrada com a unidade didática do momento, assim como uma iluminação o mais natural possível.
  • A música de fundo suave também é adequada.
O ambiente físico da sala de aula deve ser adequado

Como os educadores devem agir?

  • Os professores devem se esforçar para promover um clima positivo em sala de aula. Além disso devem se mostrar próximos e empáticos.
  • É muito importante ajudar os alunos a identificar as suas emoções e gerenciá-las. Isto é, que eles sejam capazes de não reagir impulsivamente, mas sim de responder de maneira ponderada e apropriada.
  • Os alunos devem receber um feedback útil e edificante. Isso significa que não basta dar um valor numérico ao trabalho da criança, mas que é necessário dar orientações específicas para corrigir os erros e, acima de tudo, manter a motivação, destacando as coisas que foram feitas corretamente.
  • Ajudar os alunos a construir uma autoestima saudável, a se sentirem capazes e validados. Para fazer isso, as comparações com os outros alunos devem ser evitadas a todo custo.