Devemos ser amigos dos nossos filhos?

30 de outubro de 2019
Certamente, às vezes, alguns de vocês já ouviram a frase: "Minha filha é como se fosse a minha melhor amiga", ou vice-versa. Neste artigo, falaremos sobre esse assunto e levantaremos algumas reflexões para responder à pergunta de se devemos ou não ser amigos dos nossos filhos.

Atualmente, a relação entre pais e filhos mudou. Ela deixou de ser uma relação autoritária e estrita, com limites marcados, para se tornar uma relação mais próxima e mais informal. Hoje em dia, somos mais amigos dos nossos filhos do que pais. Aliás, muitos pais argumentam que ser confidente e amigo dos filhos é uma boa maneira de educá-los.

A relação entre pais e filhos atualmente

A relação que a maioria dos pais mantêm com os filhos atualmente, mesmo durante as fases mais complicadas, como é o caso da adolescência, caracteriza-se por ser uma relação mais próxima.

Os pais de hoje em dia procuram ter mais contato com os filhos, passar um tempo com eles, ter ciência do que eles fazem, das suas modas, compartilhando passeios e hobbies.

Muitos pais tentam estabelecer uma relação de igual para igual com os filhos. E, às vezes, não é fácil distinguir se são os pais ou os filhos que estabelecem os limites e têm a autoridade.

Os filhos das gerações passadas pediam permissão tanto para sair quanto para fazer algo. Atualmente, no entanto, eles se limitam apenas a informar ou avisar. Até mesmo a maneira como as crianças conversam ou se dirigem aos pais mudou. Atualmente, é algo mais informal.

A relação entre pais e filhos

Por que não é aconselhável ser amigo dos nossos filhos

Embora a relação com os pais tenha mudado em comparação a outros momentos da nossa história, os pais devem ser cautelosos ao estabelecer e adotar um estilo parental e uma relação com os filhos em termos de ‘amizade’.

Primeiramente, existem certos papéis sociais que têm uma razão de ser, ou seja, cumprem uma determinada função nas relações entre as pessoas.

Portanto, não devemos perder de vista o fato de que existe um papel social que deve ser dos pais, e os pais devem inspirar autoridade e estabelecer limites, sempre, sem dúvida, com base no diálogo, na confiança, no respeito e no amor.

Em segundo lugar, alguns pais não podem se tornar amigos dos filhos porque isso implicaria manter esse papel em toda e qualquer circunstância da vida, o que é impossível.

São precisamente as crianças que, às vezes, requerem a autoridade, a presença e a referência adulta. São elas que precisam dessa contenção baseada na maturidade e na segurança da experiência. Portanto, a resposta para a pergunta se devemos ser amigos dos nossos filhos é “não”.

Alicia Banderas, em seu livro Pequeños Tiranos (“Pequenos Tiranos”, em tradução livre), argumenta que os pais não podem ser amigos dos seus filhos e que a sua tarefa educacional é encontrar o equilíbrio entre autoridade e afeto. A autora afirma que os pais devem saber como estabelecer limites a tempo de impedir que os filhos se tornem verdadeiros tiranos.

Estabelecer uma relação amigável não é o mesmo que ser amigo dos filhos

Os pais, em vez de serem amigos dos filhos, podem tentar construir uma relação amigável com eles, sem deixar de desempenhar o papel de pais. No entanto, para estabelecer uma relação amigável com os nossos filhos, devemos ter em mente que:

  • Dialogar, argumentar e negociar os limites é importante, mas estabelecê-los é fundamental. Os pais devem saber dizer não e dar aos seus filhos razões suficientes para isso.
ser amigos dos nossos filhos

  • Demonstrar carinho, proximidade, contato corporal. Sem precisar ser amigo dos filhos, os pais podem criar uma relação afetuosa com eles que propicie o diálogo e a comunicação fluida.
  • Embora para as confidências existam os amigos, isso não significa que os filhos não possam compartilhar as suas preocupações, necessidades, alegrias e medos com os pais.
    • Para isso, é importante que os pais gerem confiança suficiente para os seus filhos, para que eles sintam que podem compartilhar os seus problemas. Mas que eles também saibam aceitar as opiniões e conselhos que os pais lhes derem.

Em suma, uma relação amigável com os nossos filhos é…

Uma relação entre pai e filho saudável deve ser aberta, honesta, flexível e comunicativa. Mas também, e não menos importante, uma relação baseada no respeito pela autoridade dos pais e na aceitação, por parte dos filhos, dos limites justificados e acordados.

Em uma relação amigável, e não de amizade entre pais e filhos, é possível tornar a autoridade e o amor compatíveis. E isso é essencial para que os filhos entendam que as decisões e ações dos pais não têm outra intenção senão o bem, a segurança e a felicidade dos filhos.

  • Banderas, A. (2010). Pequeños tiranos: Cómo lograr que tus hijos pasen de ser niños desobedientes a adolescentes responsables. Editorial TIMUN MAS. Barcelona.
  • Mestre, M. V., Tur, A. M., Samper, P., Nácher, M. J., Cortés, M. T. (2007). Estilos de crianza en la adolescencia y su relación con el comportamiento prosocial. Revista Latinoamericana de Psicología, vol. 39, núm. 2, 2007, pp. 211-225. Recuperado de https://www.redalyc.org/pdf/805/80539201.pdf