Apneia infantil: como detectar e tratar

Muitas vezes, sem nenhuma razão aparente, podemos notar que uma criança acorda várias vezes durante a noite. Isso pode ser causado pela apneia infantil, um transtorno difícil de detectar, mas com consequências graves para o organismo.

A apneia infantil, também chamada de apneia do sono em crianças, ocorre quando há a interrupção da respiração durante o momento de descanso. Afeta aproximadamente 2% das crianças no mundo todo e, além disso, acredita-se que há muitos casos que ainda não foram diagnosticados.

Como a interrupção da respiração acontece? Isso acontece porque as vias respiratórias são obstruídas parcial ou totalmente. Como consequência, o ar não pode passar normalmente e faz, na maioria dos casos, com que a criança acorde em alguns momentos.

Durante o sono, os músculos do corpo ficam relaxados. No entanto, os músculos envolvidos na respiração se mantêm ativos, pois se trata de uma função vital. Muitas vezes, crianças que têm a garganta estreita sofrem desse problema, pois não há espaço para a passagem da quantidade de ar necessária.

A presença de adenoides, a inflamação das amídalas, determinados formatos de palato ou tônus muscular deficiente (geralmente causado por síndromes mais graves) também podem causar a apneia.

Quais são os sintomas da apneia infantil?

A apneia infantil é, em muitos casos, difícil de detectar. A seguir, apresentamos os sintomas mais comuns:

  • Roncos, causados pela dificuldade de respirar. Nem todas as crianças que roncam necessariamente sofrem de apneia infantil. Esse sintoma também pode ser um indicador de outros transtornos.
  • Cansaço e sono inquieto. Também é bastante comum acordar frequentemente durante a noite.
  • Sonambulismo.
  • Transpiração.
  • Enurese, ou seja, emissão involuntária de urina durante o sono.

 “A apneia infantil acontece porque as vias respiratórias são obstruídas parcial ou totalmente”

Sintomas diurnos

No entanto, outros sintomas (talvez os mais fáceis de detectar) podem aparecer durante o dia. É nesse período em que a criança mostra as verdadeiras consequências do descanso deficiente durante a noite.

apneia infantil

Você deve prestar atenção se a criança apresentar algum desses sinais:

  • Fadiga, cansaço e irritabilidade. O descanso deficiente pode afetar o estado de espírito da criança, assim como sua disposição para realizar atividades. Falta disposição inclusive para atividades que a criança gosta de fazer.
  • Dores de cabeça. Costumam reaparecer ao longo do dia e alguns episódios são bem fortes.
  • Problemas de aprendizagem, concentração e atenção. Se uma criança que geralmente tem um bom rendimento escolar mostra esses sintomas, pode ser um sinal de que não está dormindo bem.
  • Problemas de conduta. Também ligado ao anterior, as mudanças negativas que a falta de sono provoca no organismo também podem repercutir no comportamento da pessoa afetada.

Tratamento da apneia infantil

Se os sintomas listados anteriormente forem detectados, o ideal é procurar um pediatra. Algumas pessoas também recomendam consultar um otorrinolaringologista, um pneumologista, um neurologista ou outros especialistas com conhecimentos sobre transtornos do sono.

O exame mais comum que se costuma realizar para detectar a apneia infantil é uma polissonografia. Esse exame permite avaliar as funções dos órgãos vitais do paciente na fase de repouso. Assim, pode-se descobrir qualquer anomalia em algum órgão, inclusive nas vias respiratórias.

Depois que o problema for descoberto, a apneia infantil pode ser tratada das seguintes formas:

  1. Extração das adenoides ou amídalas. Como a apneia pode ser causada pela inflamação de alguma das duas, muitas vezes a solução é retirá-las. É um processo extremamente comum para a medicina atual e não representa risco algum para a criança. Além disso, é extremamente eficiente para tratar a apneia infantil.
  2. Pressão contínua de ar por via nasal. CPAP, sigla em inglês para Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas. Esse tratamento consiste em utilizar uma máscara para dormir que exerce pressão sobre o nariz e, basicamente, “empurra” o ar para os pulmões. Dessa maneira, o paciente é obrigado a respirar. Geralmente, é usado quando a operação das adenoides ou das amídalas não surte efeito ou não pode ser realizada.
  3. Outras cirurgias. Além do que foi citado anteriormente, também se pode utilizar o procedimento cirúrgico para extrair tecido excedente da parte posterior da garganta que impede a passagem normal do ar, corrigir problemas estruturais que o palato pode apresentar ou, em casos mais graves, criar uma abertura na traqueia e, assim, permitir a respiração. Isso, no entanto, acontece pouquíssimas vezes.
  4. Aparelho dental. O mais simples dos tratamentos. Consiste na utilização de um aparelho parecido com o protetor que os atletas usam, cuja finalidade é manter as vias respiratórias abertas.
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Recomendações

Por fim, é importante destacar que existem outros procedimentos que, apesar de não proporcionarem a cura, contribuem para a melhora do problema. Em caso de obesidade, por exemplo, a perda de peso é essencial.

Por outro lado, crianças com Síndrome de Down, paralisia cerebral ou deformidades craniofaciais também terão mais tendência para apresentar apneia infantil. Nesses casos, o tratamento será determinado por um profissional, levando em consideração as particularidades e as necessidades da criança.

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