As mamães que cuidam dos filhos também são mulheres trabalhadoras

· 9 de outubro de 2018
O trabalho delas, mesmo que muitas pessoas custem a acreditar, é um trabalho tão digno quanto qualquer outro e, talvez, o mais bonito do mundo.

As mamães que cuidam dos filhos também são mulheres trabalhadoras. Elas também contribuem, apesar de não receber salário. Elas também chegam cansadas na cama à noite, mesmo não cobrando pelo trabalho realizado.

Uma coisa que todos nós sabemos é que vivemos em uma sociedade na qual é exigido da mulher uma eficiência quase completa em todos os âmbitos da vida.

Ela precisa batalhar em uma sociedade pouco ligada à conciliação. Precisa fazer malabarismos para encaixar compromissos, para levar e buscar as crianças e garantir o bem-estar econômico delas.

Além disso, tudo, não pode se descuidar da riqueza emocional e da cumplicidade entre mãe e filho.

Não é fácil. Mas, ainda assim, há milhares de mulheres que conseguem fazer isso todos os dias: criam, educam e atingem altos níveis de sucesso em suas profissões.

No entanto, e apesar de muitas pessoas não acreditarem, há muitas mamães que por inúmeras razões escolhem adiar a volta ao mundo do trabalho após dar à luz.

Às vezes, essa é uma escolha pessoal. Em outras situações é o próprio contexto de trabalho e a dificuldade de encontrar um novo emprego que adia essa retomada.

Mas seja como for, devemos deixar claro que a mulher ou o homem que está em casa cuidando das crianças também trabalha. 

Convidamos você a refletir sobre esse assunto.

Não recebo um salário, mas trabalho e dedico minha vida ao melhor projeto

mulheres trabalhadoras

Uma criança não é somente um projeto de vida. É nossa responsabilidade, nossa inspiração cotidiana e alguém a quem vamos dedicar o resto de nossas vidas.

  • Sabemos que hoje em dia não faltam mamães que voltam com todo o ânimo e vontade aos seus respectivos trabalhos após as 16 semanas de afastamento.
  • No entanto, aproximadamente 80% dos casais consideram que esse período é insuficiente.
  • Se organizações como a OMS recomendam, por exemplo, estender o período de amamentação até o bebê completar seis meses de idade, o lógico seria que as instituições sociais levassem esse princípio em consideração.

Uma coisa que todos nós sabemos é que nossos contextos de trabalho não são sensíveis a essas necessidades vitais.

É isso que faz com que muitas mulheres prefiram, simplesmente, ficar em casa para criar os filhos.

Fico em casa e não estou reforçando o clássico esquema de divisão de gênero

Nos dias de hoje, não faltam pessoas que veem com maus olhos essa mamãe que por vontade própria escolheu a opção de ficar em casa.

A primeira coisa que as outras pessoas costumam pensar é que ela “está renunciando” um tempo valioso que a permitiria se desenvolver profissional e pessoalmente.

No entanto, ficar em casa não é sinônimo de reforçar nem renunciar a nada. É mais do que isso.

Com essa escolha se ganha em tempo de qualidade e em investimento no relacionamento com os próprios filhos. Assim, não existirá correria, horários rígidos, estresse nem pressões exageradas.

Por outro lado, também é importante ressaltar que há muitos homens que também escolhem ficar em casa.

No entanto, quando isso acontece, significa que o casal dispõe de um maior conforto financeiro. Pois isso permite que o papai decida por vontade própria adiar sua volta ao mercado de trabalho.

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A criação é um trabalho que exige dedicação 27 horas por dia

Não se recebe e não se cobra. Mas também não há descansos nem férias.

Na educação de qualquer criança, é preciso um mestrado em paciência, um doutorado em habilidades e uma graduação em resistência.

Dorme-se pouco, os horários não são flexíveis e os finais de semana são uma continuação da segunda-feira.

Aqui não há intervalos para tomar um café, nem para jantares na sexta-feira à noite.

As mamães que preferem ficar em casa não reclamam do salário e nunca vão reclamar. Porque não existe pagamento melhor que o sorriso dos filhos, um abraço de boa noite ou uma soneca acompanhada no sofá.

Noruega, o paraíso para as mamães e as famílias

Há um dado que todos nós sabemos: se nossas políticas sociais fossem mais voltadas à conciliação, uma mulher não hesitaria em poder conciliar ambos os aspectos, o trabalho e a maternidade.

No entanto, na atualidade existem muitas mulheres que se encontram na situação extrema de “perder” o trabalho pelo simples fato de ficar grávida.

Desde o momento em que essas coisas acontecem, confirmamos que fracassamos como uma suposta sociedade avançada.

Por isso, uma das nossas melhores referências em relação à conciliação continua sendo a Noruega.

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Alguns benefícios

  • Lá, a licença maternidade é de 56 semanas (1 ano e dois meses, aproximadamente)
  • As mamães norueguesas podem escolher 46 semanas de licença recebendo 100% do salário ou 56 semanas recebendo 80%.
  • Os pais recebem 10 semanas sem descontos no salário.
  • Além disso, o casal conta com um lugar garantido na creche e, na verdade, a maioria das empresas possui uma.
  • Os horários de trabalho somam, em média, 37 horas por semana.
  • O casal recebe 20 dias de licença sem necessidade de justificativas para poder atender as necessidades dos filhos.
  • O Estado oferece, aproximadamente, 500 reais por mês até que a criança complete 18 anos de idade.

Para concluir, o modelo ideal da Noruega é algo que todos os países deveriam imitar.

É a única maneira de investir em igualdade e, acima de tudo, de dar valor à criação de um filho e às novas gerações do futuro.

Dessa forma, não devemos nunca discriminar uma mulher que, independente dos motivos, escolhe ficar em casa para cuidar dos filhos. Ela também está investindo no futuro.