O que é o baby talk?

4 de novembro de 2019
Os adultos geralmente adaptam a forma de falar ao conversar com crianças pequenas. Esse fenômeno é chamado de baby talk. A seguir, vamos falar mais sobre o assunto.

Certamente você já notou como os adultos conversam com os bebês ou crianças pequenas. Quando fazemos isso, mudamos a nossa entonação e expressividade. Esse fenômeno é conhecido como baby talk.

Devemos ter em mente que a linguagem é uma habilidade que as crianças desenvolvem ao longo dos anos, gradualmente. Nesse sentido, a maneira como os pais se expressam com os filhos é um fator muito importante na aquisição e no aprendizado da fala.

“Aprender é como uma torre, deve-se construir passo a passo.”

– Lev Vygotsky –

Características do baby talk

O baby talk é a adaptação linguística utilizada por adultos, e até mesmo por crianças maiores de 6 anos, quando se comunicam com crianças pequenas. Portanto, pode-se dizer que se trata da fala dirigida aos bebês. Essa maneira de se expressar é caracterizada pela modulação de três aspectos básicos da linguagem oral:

  • Duração.
  • Intensidade.
  • Frequência.
Características do baby talk

Assim, de acordo com o fonoaudiólogo Marc Monfort, as características essenciais do baby talk são as seguintes:

  • Ritmo lento.
  • Tom de voz agudo.
  • Pronúncia bem definida.
  • Entonação expressiva.
  • Enunciados curtos e simples.
  • Redundância, repetindo frequentemente frases inteiras ou partes delas.
  • Número limitado de palavras, escolhendo, em geral, a fórmula mais simples e usando diminutivos.
  • Referências contínuas ao contexto.
  • Linguagem não verbal, com gestos e mímica que acompanham a linguagem oral.

“Os adultos devem se adaptar às crianças, e não o contrário. Faça com que a comunicação com elas seja fácil e simples. Tente ser entendido.”

Quais são as funções do baby talk?

O uso do baby talk serve para se adaptar às peculiaridades e ritmo evolutivo das crianças, de tal forma que elas recebam modelos de linguagem abundantes, adequados e variados.

Essas adaptações são realizadas, de forma natural, com a intenção de melhorar e controlar a efetividade do entendimento comunicativo por parte da criança. Portanto, elas supõem uma ajuda básica para a imitação e a aprendizagem da linguagem oral.

Como mencionado anteriormente, geralmente falamos com as crianças de forma lenta e simples, cuidando da pronúncia e do vocabulário. Isso permite que elas prestem mais atenção e facilita o início e a manutenção de conversas longas e interessantes.

Outras diretrizes para conversar com crianças

Os pais devem cuidar da forma como se comunicam com as crianças. Isso é muito benéfico e enriquecedor para elas, principalmente em idades precoces. Mas, além do uso do baby talk, existem muitas outras estratégias que devem ser aplicadas para conversar satisfatoriamente com as crianças.

baby talk

Algumas dessas diretrizes para estimular a linguagem dos bebês são:

  • Inclinar-se e ficar na mesma altura da criança, estabelecendo contato visual.
  • Ter momentos de brincadeira, nos quais a linguagem oral e a escuta sejam estimuladas.
  • Aprender e recitar músicas infantis.
  • Envolver a criança nas tarefas diárias, como ir ao supermercado.
  • Ouvir ativamente, repetindo e formulando com outras palavras o que a criança tentou dizer.
  • Empregar o reforço positivo.

Em conclusão

Em suma, a linguagem oral é uma habilidade natural que é adquirida através de uma série de trocas comunicativas com o ambiente, desde o momento do nascimento.

As crianças aprendem a falar ouvindo os seus familiares e, principalmente, os seus pais. Portanto, o uso do baby talk e de outras diretrizes para a comunicação positiva com as crianças pequenas é tão importante.

“O nível de compreensão e expressão verbal da criança é decisivo para o seu desenvolvimento pessoal, a sua integração social e, é claro, o seu sucesso escolar.”

– Marc Monfort –

 

  • Díez-Itza, E. (1993). Variaciones tonales en el habla a los niños y adquisición del lenguaje. Estudios de Psicología14(50), 33-47.
  • Monfort, M. (2001). El niño que habla. Madrid: Cepe.