O transtorno da linguagem expressiva

· 6 de junho de 2018
Quando a expressão oral não coincide com a capacidade mental da criança, pode ser que exista uma dificuldade para falar, como é o caso do transtorno da linguagem expressiva.

O transtorno da linguagem expressiva (TLE) é uma dificuldade da fala que não influencia, de forma alguma, na compreensão do que se diz. Em outras palavras, o indivíduo tem dificuldade para falar e escrever, mas não para entender o que se diz.

Ocorre em crianças cuja faixa etária oscila entre 2 e 4 anos de idade, embora a incidência maior seja em crianças com 2 anos. A porcentagem total de casos é entre 3% e 5% da população infantil.

O transtorno da linguagem expressiva se caracteriza principalmente pela excessiva simplicidade da criança na hora de se expressar oralmente. Seus recursos são limitados e, frequentemente, ela omite palavras e estruturas ao construir suas ideias.

As crianças que têm TLE não mantêm conversas longas porque têm dificuldade para manter a fluidez das palavras. Embora entendam o que se diz e consigam pronunciar algumas palavras, elas têm problemas para elaborar e ir além.

Em relação à causa do transtorno da linguagem expressiva, ela ainda é desconhecida. No entanto, acredita-se que a origem possa ser genética, física ou ambas. Considera-se que a lesão cerebral na região do encéfalo e a desnutrição são fatores a levar em consideração. 

Características do transtorno da linguagem expressiva

  1. Excesso de simplicidade na maneira de elaborar frases, orações e expressões.
  2. Evita falar para não precisar construir o discurso. 
  3. Uso incorreto dos tempos verbais (presente, passado e futuro).
  4. Uso de um número muito reduzido de palavras.
  5. Ordenamento incomum das palavras.
  6. Dificuldade para se lembrar das palavras.
  7. Omissões gramaticais.
  8. Encurtamento de frases.
  9. Vocabulário precário.

As crianças que têm um transtorno da linguagem expressiva costumam ser vistas como crianças tímidas ou retraídas, pois tendem a ficar em silêncio. Na verdade, pode ser que não sejam tímidas, mas que simplesmente não queiram se expressar em voz alta para não ter que elaborar frases ou fazer esforços para articular e pronunciar palavras.

No meio escolar, costumam evitar falar em sala de aula. Por exemplo, se a professora faz uma pergunta ou propõe uma atividade oral, a criança tende a não participar.

Como essas crianças são pouco comunicativas, é difícil entendê-las de forma precisa.

Durante uma leitura, a criança consegue prestar total atenção; mas não consegue ler em voz alta de maneira coerente. Ela vai cometer erros e terá dificuldade para expressar a mensagem escrita por completo. Em suma, ao se expressar oralmente, a informação não terá sentido.

Recomendações e tratamento

Como essas crianças podem facilmente se transformar em alvos de brincadeiras de mau gosto, é necessário aplicar várias medidas para evitar que sua dificuldade afete a autoestima delas.

A primeira coisa que devemos fazer é informar à professora ou ao professor sobre o problema da criança. Dessa forma, o educador estará bem informado e não vai repreender a criança por seus erros. Além disso, vai procurar manter as outras crianças sob controle se tentarem ridicularizar o colega.

Por exemplo, ela poderá dizer para as outras crianças serem pacientes quando o colega ler em voz alta e recompensará as atitudes positivas. Também vai recompensar os progressos da criança e sua coragem.

Em casa, devemos procurar incentivar a criança a ler em voz alta (textos relativamente curtos). Mas sempre com uma perspectiva alegre, divertida e leve para evitar que a criança encare esse exercício como um tipo de castigo. A ideia é persistir nas atividades que a levem, pouco a pouco, a melhorar até que possa fazer um bom uso da linguagem.

Em segundo lugar, o mais recomendável é evitar castigar ou repreender a criança por seus erros. Em vez disso, a criatividade e a paciência serão as melhores aliadas. Há pais que preferem fazer sessões de karaokê com a criança para, assim, poder corrigir os erros de pronúncia de forma mais amena.

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Em terceiro lugar, uma vez que se inicie uma terapia com um profissional, é extremamente importante que as indicações e orientações dadas por ele sejam aplicadas em casa.

Paralelamente, é preciso manter o apoio, contribuir com a autoaceitação e não interromper a terapia até que se tenha solucionado definitivamente o problema. 

Por outro lado, recomenda-se suprir os déficits de nutrientes, se for o caso, e procurar oferecer uma alimentação balanceada à criança. Para isso, os pais podem recorrer ao pediatra ou a um nutricionista especialista em nutrição infantil.

Prognóstico

Se forem aplicadas todas as recomendações anteriores, complementadas com a terapia, a criança poderá superar suas dificuldades com o tempo. Certamente, nem todos os casos são iguais e é preciso saber respeitar o ritmo da criança.

Não se trata de uma corrida contra o relógio, mas de solucionar o problema definitivamente. Para concluir, o prognóstico será favorável na medida em que as devidas ações forem tomadas.