Bebês empelicados: a magia de um nascimento especial

6 de agosto de 2018
Dizem que esses nascimentos têm alguma coisa mágica e que essas crianças vão ter sorte no futuro.

Para além da crença popular, os bebês empelicados são resultado de um tipo de parto muito particular no qual as crianças vêm ao mundo com a bolsa amniótica intacta. Um acontecimento excepcional que sempre chama atenção.

De acordo com especialistas, esse parto é extremamente raro com uma média de 1 a cada 80 mil nascimentos. Se esse fato já é curioso por si só, hoje em dia também há o fator de que nascimentos são cada vez mais protocolares. Isso significa que se limita ainda mais as possibilidades de um parto natural, quando é mais comum que isso aconteça.

Nessa época de câmeras e redes sociais, os bebês empelicados sempre viram notícia. Assim, quase todos nós já vimos mais de um vídeo desse tipo de nascimento que acima de tudo é muito fascinante pela calma que o bebê apresenta dentro da sua bolsa. É como se ele não tivesse vontade de atravessar esse véu. Talvez desejando ficar um pouco mais neste mundo de paz e equilíbrio.

Em Sou Mamãe queremos falar um pouco sobre esse tipo de parto, por que ele ocorre e quais curiosidades estão associadas aos partos empelicados.

Os bebês empelicados e a bolsa amniótica

Um dos principais avisos que o nosso corpo nos dá quando estamos prestes a dar à luz é o rompimento da bolsa. O normal é que a bolsa se rompa assim que começam as contrações mais fortes e com mais regularidade.

É um acontecimento indolor. No entanto, não é algo que todas as mães tenham a oportunidade de experimentar. Há casos de mulheres em que a bolsa estoura somente durante o parto em si, e não antes. Há outros, em que as mulheres verão com os seus próprios olhos os seus filhos chegarem ao mundo empelicados.

Especialistas em ginecologia e obstetrícia afirmam que o ato de vir ao mundo com a bolsa amniótica intacta não implica maior ou menor benefício. Não é mais do que uma coisa curiosa, bonita e impressionante. A única coisa é que vai atrasar um pouco mais o fato de a criança começar a respirar por conta própria, fora do líquido amniótico.

bebês empelicados
Curiosidades da bolsa amniótica

A bolsa amniótica cresce à medida que o feto cresce. É uma membrana aparentemente frágil. Mas é muito mais resistente do que pensamos. É constituída por duas camadas que, por sua vez, não têm músculos, nervos ou vasos sanguíneos. O que dá resistência são o colágeno e a elastina.

  • As duas camadas que compõe a bolsa amniótica são o âmnio e o córion. O córion, por sua vez, é externo e mais grosso.
  • Quanto ao líquido amniótico, sabe-se que começa a se formar depois de duas semanas após a concepção. Depois de cerca de 10 semanas, esse líquido apresenta grande riqueza de proteínas, carboidratos, lipídios e fosfolipídios, ureia e eletrólitos, que auxiliam no desenvolvimento do feto.
  • O líquido ajuda a amortecer o bebê de possíveis impactos e lesões. Além disso, fornece mecanismos adequados de respiração e deglutição, proporcionando também uma temperatura estável.
  • Nas últimas semanas, o líquido amniótico é composto de várias células de sangue fetal, pelinhos do lanugo e vérnix caseoso, um tipo de gordura que cobre e protege a pele do bebê. Nos últimos dias antes do parto, esse líquido será composto quase inteiramente pela urina produzida pelo próprio bebê ao esvaziar a bexiga.

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O que a ruptura da bolsa amniótica significa para o bebê

  • A ruptura da bolsa amniótica não deixa de ser algo estressante para o bebê. Não podemos nos esquecer que, durante a gravidez, o feto fica com os pulmões cheios de água. A respiração, por sua vez, é realizada pela troca de gases através da placenta.
  • Durante o parto, uma vez que a bolsa estoura, todo o líquido dos pulmões do bebê é reabsorvido ou expulso através da boca. Assim, ele pode realizar a primeira respiração. É uma coisa muito complexa para o bebê.
  • Durante um parto normal o tórax da criança é pressionado ao passar pelo canal do parto. Assim, isso facilita a eliminação do líquido pulmonar, do muco e do líquido amniótico. Algo que, durante uma cesariana, não costuma acontecer.

Os bebês empelicados, entretanto, desfrutam de um momento de tranquilidade quando chegam ao mundo com a bolsa intacta. Hoje em dia, ainda não se sabe as razões pelas quais isso ocorre, e nem por que somente 1 em 80 mil bolsas amnióticas não se rompem. Esse fato sempre foi motivo de superstições e tradições que você vai ver a seguir.

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Crenças tradicionais associadas ao nascimento empelicado

Os bebês empelicados não têm vantagens maiores ou menores do que as outras crianças nascidas de forma usual, como já mencionamos anteriormente. Os médicos dizem que esse tipo de nascimento não beneficia e nem prejudica. No entanto, desde os tempos antigos havia a crença de que esses pequenos chegavam “mais protegidos” do que o resto. Portanto, poderiam desenvolver capacidades fora do comum.

  • A tradição diz que os bebês empelicados se tornam “curandeiros”. Ou seja, pessoas que podem curar. No entanto, essa capacidade seria perdida se os pais ou a própria criança revelasse aos outros que o seu nascimento foi empelicado.
  • Também se acredita que esses pequenos têm várias “bênçãos”. Ou que suas vidas serão repletas de sorte e que será de sua natureza fazer o bem.

Como podemos ver, são crenças dotadas de certa magia e beleza que trazem ainda mais mistérios a esses bebês empelicados.