Bebês que nascem com a espinha bífida

· 16 de dezembro de 2017

A espinha bífida ou espinha bifurcada é uma malformação congênita que afeta a coluna vertebral do bebê. Desenvolve-se durante a gestação, quando a coluna em formação não fecha corretamente ao redor da medula espinhal e dos nervos, deixando para fora uma abertura que os expõem.

Sintomas da espinha bífida

Por se tratar de uma malformação da coluna vertebral, a espinha bífida pode provocar deficiências tanto físicas quanto intelectuais. A gravidade dos sintomas é variável, já que existem vários tipos de espinha bífida. Dessa forma, vai depender principalmente de:

  • O tamanho da abertura.
  • Em que parte da coluna ela se encontra. Quanto mais acima das costas estiver, mais graves vão ser as consequências.
  • Se os nervos e a medula espinhal tiverem sido afetados ou não.

Seguindo esses critérios, encontramos três tipos de espinha bífida: a espinha bífida aberta, que se subdivide em mielomeningocele e a meningocele, e a espinha bífida oculta.

bebê chorando

Meningocele

A meningocele afeta as meninges, as membranas que cobrem e protegem o cérebro e a medula espinhal. Quando se sobressaem pela abertura formada na coluna vertebral, cria-se um saco cheio de líquido (meningocele).

Os bebês com essa doença podem sofrer diversos problemas de saúde, dependendo do dano que tiverem experimentado os nervos que rodeiam a coluna. Por exemplo: eles podem apresentar paralisia muscular em diversos graus ou ter problemas de aprendizagem, como o transtorno de déficit de atenção (TDAH).

Mielomeningocele

Quando se fala de espinha bífida, geralmente, trata-se de mielomeningocele. Ela é o tipo mais grave dessa malformação, e provoca deficiências que vão desde as mais moderadas às mais graves, chegando, inclusive, à perda de movimento ou sensibilidade das pernas.

Ela se dá quando as meninges e a extremidade inferior da medula espinhal se unem pelo orifício da coluna e formam uma bolsa cheia de líquido. Essa bolsa, que aparece como uma saliência nas costas do bebê pode estourar durante o parto, expondo a medula e os nervos.

Além de problemas ósseos ou musculares, também é comum que os bebês com essa malformação tenham hidrocefalia. Trata-se de acumulação de líquido no cérebro ou ao redor dele.

Espinha bífida oculta

É a forma mais leve de espinha bífida e pode chegar a passar despercebida. Como seu nome indica, essa variedade de síndrome de malformação está “escondida” debaixo da pele.

Embora esteja escondida, na pele da área de abertura pode haver manchas de nascença ou uma covinha sacral. Por dentro a medula pode estar presa por um tecido, em vez de estar livre, de maneira que os nervos não se veem afetados.

A maioria dos bebês com espinha bífida oculta não apresentam problemas em longo prazo. E mais, muitas vezes, ela é detectada na infância avançada ou, até mesmo, quando já são adultos.

“A espinha bífida oculta não costuma provocar deficiências nem problemas a longo prazo.”

O que causa a espinha bífida?

Não se sabem todas as causas que dão origem à espinha bífida. É preciso investigar os fatores que incidem sobre o desenvolvimento dessa malformação, como a genética ou o meio ambiente. No entanto, sabe-se com certeza que está relacionada com os baixos níveis de ácido fólico.

A espinha bífida aparece nas primeiras semanas de gravidez. Com frequência se forma antes de a futura mãe saber que está grávida. Tomar ácido fólico durante a gestação (quatrocentos microgramas diariamente) ajuda a reduzir o risco do seu aparecimento. No entanto, isso não garante uma gestação saudável.

Outros conselhos que podem ser seguidos para prevenir essa malformação são:

  • Consultar-se com o médico sobre o melhor tratamento a ser seguido. Da mesma forma que duas pessoas não são iguais, também não existem duas gestações idênticas. É melhor seguir um tratamento personalizado que atenda a todas as necessidades da mãe e do filho.
  • Informar-se apropriadamente sobre os componentes dos fármacos, das vitaminas e dos suplementos tomados. Durante a gravidez, o corpo reage de forma diferente a alguns medicamentos.
  • Controlar a temperatura corporal. A febre alta pode aumentar as possibilidades de o bebê desenvolver espinha bífida.
espinha bífida

Tratamento

O tratamento da espinha bífida varia de acordo com sua gravidade. Dependendo de qual sistema afeta, as crianças vão precisar de apoio de diferentes especialistas em longo prazo. Isso inclui não só médicos, mas também terapeutas, assistentes sociais e associações que prestem apoio e compreensão.

Nos bebês com espinha bífida, é possível que não seja preciso nenhum tratamento. Se a medula espinhal estiver ancorada, vai ser necessário uma cirurgia para separá-la do tecido. Depois da operação, os bebês não costumam apresentar problemas, embora seja possível que a medula volte a ficar ancorada.

“Recebendo a devida atenção, a maioria das pessoas com espinha bífida podem crescer e ter vidas produtivas e plenas.”

Além disso, os bebês com meningocele precisam ser operados durante os primeiros meses de vida. A cirurgia coloca as meninges no organismo e fecha o orifício.

O processo é semelhante quando se trata do mielomeningocele: o bebê deve ser operado, mas entre o primeiro e o segundo dia depois do nascimento. Se for detectado nas primeiras fases da gravidez, é possível operar na vigésima quinta semana para corrigir a malformação. Além disso, vai ser necessário operar a hidrocefalia, caso o bebê sofra dessa doença.