Uma casa é construída com as mãos, uma família com o coração

24 de dezembro de 2018
As verdadeiras famílias são construídas com os laços da empatia e os pilares dessa segurança que permite crescer com dignidade e felicidade.

Uma família pode abranger poucos ou muitos membros. Mas as autênticas famílias, aquelas que mais garantem o bem-estar das crianças, são aquelas que foram construídas com o coração.

É preciso admitir, hoje em dia o conceito de família mudou bastante. Isso, sem dúvida, é algo positivo porque já admitimos outros tipos de dinâmicas.

A mãe solteira é vista com outros olhos, a normalização da família monoparental chegou ao ponto de que inclusive não nos surpreende ver muitos pais criarem seus filhos sozinhos.

“O lugar onde nascem as crianças, onde a liberdade e o amor florescem, não é um escritório nem um comércio nem uma fábrica. Ali vejo a importância da família” 

-Gilbert Keith Chesterton-

Mesmo assim, não falta quem prefira dizer que o seu filho é criado por uma “tribo”. Ou seja, esse sistema antes reduzido ao casal e às crianças, ao qual sem dúvida é possível adicionar o papel essencial de avós, irmãos, amigos e inclusive professores.

Todas essas figuras são muito significativas na criação e na educação das crianças. No entanto, existe um detalhe que não podemos esquecer.

Não importa como essa família é. Extensa ou pequena, vivendo numa casa com muitos metros quadrados ou numa mais humilde e com menos quartos, etc. O que constrói o melhor lar do mundo é o amor entre seus membros.

E você… que tipo de família construiu?

uma família

Uma núcleo familiar é algo mais do que um cenário que age como agente socializador dos nossos filhos.

Acima de qualquer coisa, é o contexto próximo capaz de nos nutrir emocionalmente ou, ao contrário, de criar carências, vazios e déficits que colocarão barreiras ao desenvolvimento integral dessa criança, dessa pessoa no dia de amanhã.

Por isso, e em primeiro lugar, devemos diferenciar a família tradicional da família disfuncional. A primeira garante o desenvolvimento social e psicológico dos seus membros. A segunda afeta o desenvolvimento afetivo e relacional dos mais jovens.

A partir dessa diferenciação essencial, é possível desagregar os núcleos familiares segundo a relação dos seus membros.

Ainda assim, é importante assinalar mais uma vez que não importa o tamanho, a forma ou os laços que conformam essas relações estabelecidas no seio do lar.

Não importa que uma mãe esteja só, nem que a criança seja adotada, a qualidade de uma família é construída pela autenticidade dos laços emocionais.

Tipos de família

  • Família nuclear. É formada por uma família típica, ou seja, o casal e os filhos.
  • Família monoparental. Nesse caso, temos um modelo cada vez mais frequente, no qual a mãe ou o pai se encarrega da unidade familiar, recaindo sobre si a tarefa de manter e educar os filhos.
  • Família adotiva. Aqui, o casal decide adotar uma criança.
  • Família de pais separados. Outra dinâmica também frequente e que é necessário diferenciar das famílias monoparentais. Nesse caso, apesar de o casal não viver mais na mesma casa, se ocupam dos filhos dividindo funções em lares separados.
  • Família composta. No início do nosso artigo falamos do conceito de “tribo”. Vemos nas famílias compostas um exemplo desse tipo de realidade, na qual podem conviver num mesmo teto várias famílias nucleares.
  • Família homoparental. Nesse tipo de família, dois pais ou duas mães do mesmo sexo criam um ou vários filhos. Outro exemplo de família que está se normalizando cada vez mais em nossa sociedade.

Três coisas que fazem uma família feliz

uma família

Quando construímos nossa própria família, é muito comum ter como referência aquela que formou a nossa infância, que nos define, que para o bem ou para o mal formou parte do que somos hoje.

Por isso, muitas vezes, já temos muito claro quais pautas seguir ou quais dimensões evitar a todo custo para dar a nossos filhos a melhor criação, a melhor educação.

Mesmo assim, apesar de sabermos muito bem que o material que edifica as famílias mais felizes é o amor, nem sempre sabemos demonstrá-lo como se deve, nem sempre deixamos isso claro para os outros.

Portanto, é essencial que tenhamos em mente essas estratégias simples.

“O vínculo que une a sua família não é o sangue, mas sim o respeito e a alegria mútuos”

-Richard Bach-

Compartilhar momentos juntos

É preciso saber que o fato de compartilhar momentos não significa deixar os outros felizes.

Porque não basta apenas “estar”, é preciso “saber estar” e isso significa saber ouvir os outros, olhar seus rostos, ler suas emoções, escutá-los, arrancar sorrisos, oferecer apoio, estar próximo, ser carinhoso, etc.

Falar sobre como foi nosso dia

Cada dia é único e, no caso do mais jovens, cada dia significa um descobrimento ou um desafio.

Demonstrar interesse pelo que viveram, pensaram e sentiram é essencial para construir uma confiança autêntica com nossos filhos e, claro, com nossos parceiros.

Cuidar dos detalhes

Quem cuida dos detalhes cuida da sua qualidade de vida e da dos outros. Quem se concentra nas pequenas coisas cuida das grandes dimensões.

Quem é capaz de perceber as pequenas sutilezas da vida terá essa sabedoria com a qual forma uma vida mais consciente, mais plena, mais feliz.

Lembremos portanto que, para as crianças, todo detalhe é um universo fantástico. Se estivermos ao lado delas para mostrar ou compartilhar esses momentos, estaremos investindo na felicidade.

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