Em casa damos beijos e abraços, dizemos obrigado, e bom dia

22 de junho de 2017

A casa, ou lar é o primeiro contexto social que nosso filho vai encontrar. Além da decoração física, há o mobiliário emocional e educacional que vai garantir a integridade psicológica da criança. É nesse ponto que os beijos, os abraços, ou o aprender a dizer obrigada vai fazer dele uma pessoa mais feliz, respeitosa e maravilhosa.

Algo que tanto os sociólogos quanto os psicólogos sabem muito bem é que as dinâmicas que se estabelecem dentro de um lar determinam de forma direta uma pessoa. O que acontece no interior desses muros é por vezes uma versão reduzida da própria sociedade. É nesses lugares que se pode estabelecer uma educação democrática ou ditatorial.

Por sua vez, algo que como mães e pais deveríamos saber muito bem desde o começo é o tipo de abordagem que vamos privilegiar na educação dos nossos filhos. Cada palavra, cada ato e cada gesto vão ficar guardados não apenas no cérebro desse pequeno ser, mas também nesse tecido sutil e invisível que constitui um lar.

Os especialistas no clima psicológico de um ambiente sabem que as interações criadas entre os membros de um grupo social, como o de uma família, constroem quase sem saber toda uma atmosfera, da qual se pode realizar uma rápida leitura emocional. Às vezes, basta ver o rosto ou ouvir o tom de voz com o qual os integrantes da família se comunicam para saber se ali reina a felicidade ou se a infelicidade inunda o chão e as paredes dessa casa.

Devemos ter consciência desse dado: um lar é um refúgio e um referente psicológico e emocional para qualquer criança. Vamos construir então a casa mais bonita, mais acolhedora, alegre e significativa para essa nova vida.

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Minha casa é pequena, mas os corações que lá habitam são muito grandes

Há casas que são maiores por dentro que por fora. Há casas em que basta cruzar a porta para sentir o equilíbrio, o afeto estampado nos rostos, o respeito pairando no ar e a felicidade de uma criança que cresce pensando que está em um castelo.

Esses são sem dúvidas os lares mais felizes, onde em geral aparecem essas características sobre as quais vale a pena refletir por alguns instantes.

Um lar onde as emoções positivas prevalecem

As casas onde as emoções positivas prevalecem são lares cujos inquilinos são pessoas com Inteligência Emocional.

  • Para que as emoções positivas estejam presentes é preciso que tenhamos aprendido a administrar as emoções negativas: quando há um aborrecimento, por exemplo, ninguém o esconde ou finge que não está sentindo, mas se conversa sobre isso em voz alta, com respeito e assertividade para chegar a acordos.
  • Por sua vez, esse tipo de casa onde a felicidade e a harmonia habitam é composta por pessoas que compreendem a empatia; que são capazes de se colocar no lugar do outro para entender sua perspectiva e saber oferecer soluções.
  • Por outro lado, um lar feliz é aquele que educa por meio de carícias emocionais positivas, tais como os abraços, o amor, os beijos e a amabilidade de toda criança que se sente valorizada e protegida.
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Uma casa que educa com valores

Educar com valores nobres é uma ferramenta com a qual se oferece ao mundo pessoas mais civilizadas, mais preocupadas com as outras pessoas, com a natureza e com a construção de um mundo mais harmônico.

  • Como os pais são os primeiros referentes nessa estrutura social, é muito positivo desde sempre ensinar às crianças atos tão simples quanto aprender a agradecer, a pedir desculpas, a dar bom dia, a utilizar essa terminologia que vai muito mais além da simples cortesia.
  • Não podemos nos esquecer que por trás dessas demonstrações sociais de respeito, a criança vai aprender desde cedo quais efeitos ela provoca ao seu redor. Ao agradecer ou pedir desculpas, ela vai perceber quase de imediato que são palavras de poder, gestos de aproximação com os quais se ganha respeito, amizades e reconhecimento.

Os valores são construções sociais nos quais se integra uma forma nobre de entender o mundo e a vida, por isso se apresentamos às crianças dimensões como o amor à natureza, aos animais, o valor da igualdade, da justiça, do reconhecimento do mais fraco, da ajuda às outras pessoas, da leitura, do conhecimento ou a liberdade, estaremos oferecendo ao mundo pessoas muito especiais.

Para concluir, não se esqueça nunca de que uma casa é muito mais que alguns muros com janelas onde nos refugiamos e vivemos. Em uma casa se convive e é, ao fim e ao cabo, um segundo útero materno, no qual uma criança vai aprender as coisas mais importantes da vida.

Imagens: cortesia de IWONA LIFSCHES