Comparações sociais: como elas nos afetam?

27 de julho de 2019
Fazer comparações com os outros pode, muitas vezes, causar grande frustração ou ansiedade. Portanto, é importante que saibamos como avaliar positivamente as comparações sociais.

Constantemente, nos comparamos com as pessoas do nosso meio, das nossas redes sociais, com figuras públicas e, até mesmo, personagens de ficção. Normalmente, a opinião generalizada sobre comparações sociais tende a ser negativa, portanto devem ser evitadas o máximo possível. Mas e se dissermos que as comparações sociais fazem parte do caráter do ser humano?

Precisamos nos comparar com os outros?

Leon Festinger, autor da teoria da comparação social e da dissonância cognitiva, postula que as pessoas precisam avaliar nossas opiniões e nossas habilidades. Ou seja, as pessoas têm necessidade de saber que são coerentes e que susas opiniões e escolhas são válidas. 

Segundo o psicólogo Joel Feliu, as pessoas iniciam um processo de comparação com outras pessoas para obterem alguma certeza. Isso porque não conseguem encontrar outra maneira de verificar a validade de suas opiniões e habilidades.

crianças se comparando

Embora as opções sejam fáceis e a escolha pareça clara, muitas vezes tendemos a depositar nossa confiança nas opiniões dos outros. Ou seja, confiamos na opinião deles mais do que na nossa para saber o que temos a dizer, fazer ou pensar.

No entanto, Feliu ressalta que as comparações não são aleatórias. Tendemos a fazê-las com pessoas que consideramos mais semelhantes a nós mesmos. Portanto, à medida que percebemos que há mais semelhança com a outra pessoa, confiamos mais nela para avaliar nossas opiniões e habilidades.

Como vimos, toda essa reflexão leva ao conceito de uniformidade de grupo. O fato de precisarmos de opiniões confiáveis de quem acreditamos ser semelhante a nós se traduz no desejo de uniformidade grupal, isto é, no desejo de se tornar mais parecido com os outros e de que os outros sejam mais parecidos conosco.

Dissonância cognitiva

O que acontece quando nossas atitudes e opiniões não correspondem àquelas que consideramos semelhantes a nós? Segundo Festinger, quando comparações sociais mostram discrepâncias, a dissonância cognitiva ocorre.

Assim, essa dissonância originaria sofrimento psíquico, o que nos levaria a fazer mudanças em nossas decisões, opiniões, atitudes e, em última análise e inconscientemente, em nosso sistema cognitivo.

Comparações sociais: até que ponto são prejudiciais?

Agora que sabemos que as comparações sociais fazem parte do caráter humano, como é que ser comparado aos outros nos influencia?

Fazer comparações com os outros nos afetará de maneira muito diferente, dependendo do significado que damos a essa comparação. A maneira pela qual valorizamos nossa situação com a de outra pessoa pode afetar e deteriorar seriamente nossa autoestima.

Por um lado, devemos entender que todos nós temos uma situação de vida única, como resultado de diferentes experiências. Ou seja, entender que os eventos que se originaram até o ponto de definir seu estado atual e o da outra pessoa, foram muito diferentes.

Dessa forma, associar suas habilidades com a situação de outra pessoa pode, de fato, prejudicar seu senso de autoestima.

Por outro lado, seguindo o dito popular “não julgue um livro pela capa”, devemos entender que as aparências enganam. A especialista em saúde e bem-estar, Susan Biali, ressalta a importância de que os “exteriores” dos outros não sejam comparados aos seus “interiores”.

Além disso, com a chegada das redes sociais, é muito comum comparar a nossa vida com a dos outros visualizando seus perfis no Facebook ou no Instagram quando, em última instância, só temos suas fotos como fontes.

Comparações sociais como meio de inspiração

Cada um de nós é único e tem suas próprias circunstâncias. E é verdade que, se constantemente nos compararmos com os outros, estaremos atribuindo algumas demandas que são estranhas para nós. No entanto, existe uma maneira saudável de usar as comparações sociais: a inspiração.

balança social

“Seja você mesmo, os demais postos estão ocupados”.

-Oscar Wilde-

Ver como os outros progridem e alcançam seus sonhos enquanto você ainda tem muito o que fazer é algo que pode ser realmente frustrante e que, também, pode até gerar muita ansiedade. Quando você se comparar com os outros, converta essa frustração ou inveja de não conseguir o que eles têm em motivação.

Portanto, para se comparar com os outros você deve sempre se concentrar na melhoria. Observe essas pessoas de outra perspectiva, como um modelo ou objetivo a seguir para se ajudar a alcançar o que deseja. Analise o que eles fizeram para conseguir o que têm agora e se motive dizendo: “Se eles puderam, eu também posso!”.

  • Biali, S. (2010). Live a live you love: seven steps to a healthier, happier, more passionate you. Beaufort Books.
  • Festinger, L. (1975). Teoría de la disonancia cognoscitiva. Instituto de Estudios Políticos. España
  • Ibáñez, T., Botella, M., Domènech, M., Feliu, J., Martínez, L.M., Pallí, C., Pujal, M. y Tirado, F.J. (2004). Introducción a la psicología social. Editorial UOC. España: Barcelona.