A competitividade no futebol infantil

Você acha que a competitividade no futebol infantil é boa? Analisamos no artigo seguinte os aspectos positivos e negativos desse aspecto do esporte.
A competitividade no futebol infantil

Última atualização: 15 Setembro, 2021

A competitividade no futebol infantil tornou-se acirrada. Portanto, os psicólogos decidiram alertar pais e representantes sobre os riscos da alta competitividade no futebol infantil e como isso afeta o desenvolvimento social das crianças.

Muitos pais pressionam demais os filhos, o que os torna mais competitivos. Vendo que a criança mostra talento para uma atividade, eles a pressionam cada vez mais, por mais que isso afete sua percepção da atividade e dos pares com quem a pratica.

A competitividade se tornou insana, tanto que as crianças se enfrentam nas quadras de esportes, em vez de aproveitar e compartilhar o momento recreativo com os colegas. Elas levam muito a sério o fato de tentarem se superar e, no caminho, procuram destruir os outros e lhes roubar qualquer possibilidade de melhoria. Nesse sentido, agem como se não houvesse igualdade de condições entre eles.

Do ponto de vista dos especialistas, os pais são os principais responsáveis pelo aumento da competitividade doentia entre os filhos.

Nos campos de futebol infantil, os pais e/ou representantes dos jovens jogadores se enfrentam tanto (ou mais) que os competidores. Como consequência do confronto dos adultos, as crianças são mais exigidas. É comum ouvir argumentos como: “Meu filho merece muito mais essa posição” ou “Meu filho tem mais talento que o seu“. Esses tipos de afirmações são tão comuns quanto inaceitáveis.

Injustiça e confronto no futebol infantil

Quando se trata de uma competição saudável, durante uma partida esportiva não há espaço para maus comportamentos e atitudes negativas. Quando a atividade é exclusivamente recreativa, a diversão deve ser a garantia, e não o desejo de destruir seu parceiro.

 

Árbitros de várias categorias infantis de Madrid contam que receber insultos faz parte de sua preparação. Sim, agora os árbitros devem se preparar para lidar com os insultos dos jogadores… até das crianças, que podem ser tão ferozes quanto um adulto.

O árbitro do futebol infantil, Marco González, afirma não ter acreditado a princípio quando o indicaram. Ele comenta que a preparação nessa categoria é muito básica , as crianças dificilmente correm atrás da bola. No entanto, os pais dos pequenos veem o contrário e instilam neles uma má visão do jogo.

Os insultos não vêm dos filhos (que estão apenas se divertindo), são os pais que criam o caos. Por alguma razão, os pais acreditam que o futuro de seus filhos está em jogo durante esses treinamentos. Eles não insultam apenas os árbitros, mas também outros pais e, de vez em quando, algumas crianças. Ameaças, reclamações e descontentamento estão sempre presentes nesses encontros.

”O mais normal é que haja insultos, discussões, ameaças, xingamentos ao árbitro… É algo que não consigo compreender. Eu acho que existem muitos pais frustrados.” comenta Paco Paz

O presidente do clube União 2000 em Parla, Paco Paz, não poderia ter definido melhor “Há muitos pais frustrados”. Toda essa frustração que demonstram é transmitida aos pequenos. É prejudicial para as crianças que os adultos, como treinadores, árbitros e pais, se enfrentem em uma competição que não lhes cabe.

O fenômeno hooligan

Você conhece o termo hooligan? É uma expressão anglo-saxônica que define ou indica o seguinte: atitude violenta ou destrutiva praticada por adeptos de um determinado time esportivo. Em outras palavras, são fãs agressivos.

Esse tipo de comportamento faz com que a criança perca os valores originais transmitidos pela atividade em sua idade, que são:

  • Empatia.
  • Esforço.
  • Respeito.
  • Cooperação.
    • Responsabilidade (em crianças pequenas, a responsabilidade começa a ser percebida lentamente com questões como “Se eu quero que meu time ganhe, devo estar no campo de futebol a tempo”.
  • Companheirismo e ou amizade.
  • Trabalho em equipe.

Quando os filhos observam que seus pais não respeitam o árbitro ou atacam outros pais (mesmo que apenas verbalmente), eles recebem um exemplo inadequado e, inevitavelmente, seguirão o exemplo mais cedo ou mais tarde. Devemos evitar transmitir preocupações, tensões e maus hábitos de adultos para crianças.

O esporte tem muitos benefícios que não podem ser medidos em números. Devemos ser responsáveis com a educação dos nossos filhos e deixá-los aproveitar a atividade de forma saudável.

 

As projeções dos adultos

É totalmente inaceitável que crianças pequenas brinquem para vencer outras e impedir que aproveitem o jogo em geral. Em uma partida de crianças pequenas (com menos de 6 anos de idade) NÃO se deve contabilizar gols, minutos jogados ou outros dados que possam levar a um comportamento prejudicial à saúde. Nessa idade, o essencial é que elas aprendam a trabalhar em equipe e aproveitem a atividade.

O que devemos ensinar então? A passar a bola para um colega porque ele tem mais chances de ser o líder em gols, a evitar que machuquem um companheiro, a fazer o time se divertir igualmente, a aplaudir o time adversário quando fizer pontos. Enfim, atitudes que somam e não subtraem.

Supõe-se que o esporte nessas idades traz mais benefícios do que ser a estrela do time. Os pequenos devem se divertir, aprender a jogar em equipe, conviver e otimizar o seu desenvolvimento físico. Eles não devem competir por objetivos individuais (mais importantes para os adultos do que para eles próprios). Quando todos estão se divertindo, todos se tornam estrelas porque tudo flui melhor.

Nem todas as crianças que competem nessas categorias se tornam grandes estrelas, elas apenas brincam para serem mais saudáveis e felizes. Elas podem não querer seguir o futebol como profissão, mas pais frustrados podem pressionar demais. A competitividade doentia tem levado os pais a contabilizarem pontos em categorias de crianças entre 4 e 5 anos, onde se joga sem estatísticas.

Devemos evitar nos projetar sobre nossos filhos. O importante é ajudá-los a dar o melhor de si para que se divirtam, não para que voltem para casa furiosos, frustrados ou deprimidos por terem perdido ou por não terem alcançado o que seus pais esperavam.

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