Cortar o cordão umbilical imediatamente tem suas desvantagens

28 Agosto, 2018
Recentemente, foi descoberto que talvez seja mais conveniente permitir que o cordão permaneça mais tempo sem ser cortado, até que "morra" de maneira natural.

Uma das principais rotinas médicas realizadas imediatamente após o nascimento do bebê, é cortar o cordão umbilical. Até o momento não houve muita discussão sobre esse assunto. Contudo, acredita-se que pode ser uma prática errada.

 

Acredita-se que o corte do cordão impeça a passagem de oxigênio e sangue ao bebê de maneira brusca e precipitada. Algo que talvez possa prejudicar o pequeno. Como sabemos, a conexão de oxigênio que o bebê mantém enquanto está no útero é permanente. Entretanto, não é voluntariamente interrompida assim que o bebê nasce.

Aparentemente, depois do parto, o cordão continua enviando quantidades de sangue e oxigênio aos pulmões do bebê. Por sua vez, isso favorece o sistema respiratório do recém-nascido. Dessa forma, se interrompemos violentamente esse fluxo, podemos estar privando o bebê de um último e necessário impulso.

cortar o cordão umbilical

Por outro lado, reconhecemos que se trata de uma ação habitual nas maternidades. É um procedimento realizado há anos e até o momento não se acreditava que afetasse o bebê de alguma maneira. Neste sentido, as pesquisas afirmam que talvez o problema não seja deter a circulação com o corte, mas, sim, que se poderia obter benefícios extras se o deixássemos sem cortar.

Por que não cortar imediatamente o cordão umbilical?

Tanto o cordão umbilical quanto a placenta são sistemas que permanecem vivos enquanto transcorre o processo da gestação, fornecendo nutrientes e substancias vitais ao feto. Quando ocorre o fim da gravidez, o destino destes elementos é a morte. Entretanto, isso não ocorre instantaneamente, eles continuam pulsando por alguns minutos.

“É uma descoberta interessante. É difícil não pensar que o corte tardio do cordão umbilical, o que resulta na melhora das reservas de ferro e mais hemoglobina, seja uma boa coisa“
-Dr. Jeffrey Ecker. Obstetra-

Segundo pesquisadores da Universidade de Adelaide na Austrália, foram descobertas muitas vantagens relacionadas a não cortar imediatamente o cordão umbilical, até que este deixe de pulsar naturalmente. Portanto, o corte imediato tradicional, poderia ser uma desvantagem pela qual a maioria de nós passou.

As substâncias transmitidas no último momento poderiam ser uma contribuição significativa para melhorar o sistema respiratório do bebê. Além disso, de acordo com os estudos, a precipitação do corte é capaz de provocar uma alteração pulmonar, visto que se impede a abertura regular.

cortar o cordão umbilical

As teorias à respeito apontam que outras possíveis consequências do corte antecipado são.

    • Hipovolemia
    • Hipotensão
    • Hemorragia cerebral
    • Anemia
    • Transtornos de comportamento ou de aprendizagem
    • Problemas respiratórios

Para os especialistas, o corte antes da hora pode trazer consequências mais graves aos bebês prematuros porque eles têm muito mais necessidades ao nascer. Muitas vezes, essa ação é capaz de produzir reações adversas, como a queda da pressão arterial.

Contudo, por outro lado, quando se deixa que o cordão termine sua função de maneira natural, respeita-se o fluxo de suprimentos que fornecia no momento do nascimento.

Esse processo natural permite proteger o bebê de danos cerebrais ou proteger também o sistema respiratório. Ao mesmo tempo em que proporciona o ferro indispensável para sobreviver nos meses seguintes.

Apesar de existirem evidencias de que cortar o cordão umbilical de maneira imediata possa ser desvantajoso, obstetras e ginecologistas do mundo inteiro consideram que não existe total convicção sobre o assunto. Entretanto, é uma prática cada vez mais adotada porque pode, sim, ser muito mais benéfica. Dessa forma, porque que não tentar?

A Dra. Philippa Middleton, do Centro de Pesquisa para a Saúde de Mulheres e Bebês na Austrália, afirma que o corte tardio tem justificação, sobretudo em casos de anemia diagnosticada. Ela sugere que, de fato, o procedimento pode ajudar a melhorar as reservas de ferro e aumentar o nível de concentração de hemoglobina. Entretanto, essa ação também já foi associada com provável risco de icterícia.