Como a depressão materna afeta os filhos?

19 de dezembro de 2019
Quando uma mãe sofre de depressão, as consequências são transferidas para os seus filhos. Neste artigo, vamos te contar sobre como reduzir esse impacto.

A depressão durante a gravidez ou após o parto é uma realidade mais comum do que nós gostaríamos de imaginar. No entanto, além disso, muitas mulheres continuam com essa condição durante anos, influenciando no seu trabalho de criação. Conhecer como a depressão materna afeta os filhos é o primeiro passo para podermos tomar medidas.

Muitos dos sintomas da depressão são facilmente confundíveis com as vivências normais da gravidez e do pós-parto. Por isso, existe um grande risco de que muitas mulheres não sejam diagnosticadas a tempo e a gravidade da doença piore.

Entretanto, as consequências da depressão não afetam somente a mulher que sofre dela, pois também são transferidas aos filhos. Dado que a primeira infância é uma etapa fundamental do desenvolvimento, as primeiras experiências podem continuar influenciando etapas posteriores da vida.

Como a depressão materna afeta os filhos?

Já desde a gravidez, as crianças de mães deprimidas apresentam uma maior frequência cardíaca. Existe mais risco de nascimentos prematuros e de recém-nascidos abaixo do peso.

Mais para frente, esses bebês se mostram menos ativos e menos sensíveis às expressões faciais e vocais. Além disso, eles apresentam um nível mais elevado de hormônios de estresse do que o resto das crianças.

a depressão materna afeta os filhos

Por outro lado, esses pequenos são mais propensos a desenvolver transtornos do humor e apresentar dificuldades de adaptação nos níveis social e acadêmico. Também é provável que a depressão materna influencie no quociente intelectual da criança e na qualidade de seu estado de saúde. Em especial, também correm um risco maior de desenvolver depressão ao longo da vida.

Contudo, nem todas as crianças de mães deprimidas mostram essas dificuldades. Isso nos indica que a relação não é direta e unívoca, mas que existem certos fatores mediadores.

De que maneira ocorre essa influência?

A qualidade do vínculo

Estabelecer um relacionamento de ligação adequado é vital para o bem-estar do pequeno. No entanto, as mães deprimidas têm dificuldades para entender de maneira correta as necessidades das suas crianças e interpretar as suas comunicações. Isso repercute em uma menor sincronia mãe-filho e gera uma grande confusão no bebê.

Seja porque a mãe não satisfaz as necessidades da criança, seja porque ela responde a elas de forma incongruente, a ligação que se estabelece é inconsistente. É esse vínculo inadequado que vai trazer consequências emocionais para o pequeno. Mas é a depressão que impede que a mãe entenda e responda corretamente aos sinais do bebê.

Conflitos matrimoniais

Outra das áreas que tem maior relevância na transferência de consequências para as crianças é a relação entre os pais. Quando um dos membros do casal tem uma doença como a depressão, sua vida em comum se vê inevitavelmente afetada.

Nesses casos, a comunicação positiva entre ambos se reduz quase ao mínimo, enquanto predominam as brigas e as repreensões. Além disso, em geral, não se põe em prática a resolução de conflitos e, portanto, a situação vai piorando. Observar o conflito parental afeta consideravelmente o funcionamento da criança em diversas áreas.

a depressão materna

Estímulo inadequado

Por fim, as mães que sofrem de depressão se mostram menos envolvidas com a criação da criança. Devido à sua própria apatia e desânimo, elas proporcionam menos experiências e materiais de aprendizagem aos seus filhos, e dedicam menos tempo a estimulá-los sensorial e intelectualmente.

Além disso, elas constituem um modelo de conduta pouco apropriado para a criança. O pequeno cresce observando alguns padrões de conduta em que se destacam o desânimo, a falta de interesse e de vitalidade.

Em maior ou menor medida, a presença contínua desse modelo durante o seu crescimento terá um impacto em sua própria personalidade.

Evitar que a depressão materna afete os filhos

Se quisermos evitar essa situação, a primeira coisa que temos que fazer é abordar a depressão com a mãe. É importante que fiquemos alertas diante de qualquer sintoma, especialmente após o parto, e também não devemos ter medo de pedir ajuda.

Porém, além de receber tratamento profissional, podemos tentar minimizar o impacto nas crianças por meio dos fatores mediadores. Proporcionar às crianças estímulo e resposta às suas necessidades e buscar oferecer um ambiente familiar positivo ajudará a mitigar a influência da depressão na sua criação.

  • Huber, M. O., Jiménez, M. R., & Largo, A. M. (2015). Depresión materna perinatal y vínculo madre-bebé: consideraciones clínicas. Summa psicológica UST12(1), 77-87.
  • Cummings, E. M., & Kouros, C. D. (2011). Depresión materna y su relación con el desarrollo y la adaptación de los niños. Enciclopedia sobre el desarrollo de la primera infancia [Encyclopedia on early childhood development]. Montreal: Centre of Excellence for Early Childhood Development. Recuperado el6.