O que é a depressão pré-natal?

29 de abril de 2019
A gravidez é uma fase que marca a vida de uma mulher. Por ser de longa duração, ela causa muitas mudanças no corpo e gera uma grande variedade de emoções, incluindo algumas muito diferentes umas das outras.

É normal que uma mulher se sinta confusa, nervosa, triste ou angustiada durante a gravidez. A oscilação hormonal que ocorre no seu corpo pode gerar todos os tipos de emoções e sentimentos, diferentes entre si . Mas quando a tristeza persiste ao longo do tempo, pode se tornar uma depressão pré-natal: uma condição complexa que requer atenção.

Quando essas emoções negativas são prolongadas ao longo do tempo, podemos estar diante de um caso de depressão pré-natal. Assim, aqueles que estão ao redor da futura mãe devem estar atentos a certos sinais, que serão detalhados a seguir.

Características da depressão durante a gravidez

Um erro comum é atribuir o sofrimento de uma depressão a pessoas solitárias, com problemas significativos – financeiros, conjugais ou de qualquer outro tipo. No entanto, a depressão pré-natal é muito mais comum do que se imagina: ela afeta 1 a cada 10 mulheres na fase da gestação.

O principal problema dessa condição (que é muito mais comum do que outras condições bem conhecidas, como a pré-eclâmpsia, por exemplo), é que muitas futuras mães sentem vergonha de confessá-la. É por isso que, precisamente, as pessoas ao seu redor devem estar cientes dos seus cuidados.

Geralmente, a depressão pré-natal ocorre entre a 6ª e a 10ª semana de gravidez. Além disso, também é frequente nos últimos 3 meses, quando o parto está prestes a acontecer.

Quem pode sofrer com ela?

Há certos indícios que podem predispor uma mulher à depressão. Entre as causas biológicas da depressão pré-natal, alguns estudos afirmam que a presença de anticorpos gera uma diminuição no nível de hormônios tireoidianos, que influenciam diretamente o humor e a energia.

Características da depressão durante a gravidez

Da mesma forma, aponta-se para a ação tranquilizadora da progesterona: um hormônio que aumenta os seus níveis no organismo durante a gravidez. Por fim, fatores psicológicos também são expostos no mesmo estudo. Entre eles, estão incluídos:

  • Abusos sexuais no passado.
  • Abuso físico ou emocional na infância ou adolescência.
  • Perda recente ou precoce da mãe, seja por morte ou por distanciamento físico.
  • Instabilidade emocional no presente, causada por várias situações, tais como problemas conjugais.

“A depressão pré-natal é muito mais comum do que se imagina: ela afeta 1 a cada 10 mulheres na fase da gestação.”

Sintomas de depressão pré-natal

Esse problema pode ser um pouco complicado de detectar, uma vez que alguns sinais normais da gravidez são combinados com outros típicos da depressão pré-natal. Por exemplo, é normal uma mulher sentir fadiga, desânimo ou dificuldade para dormir.

No entanto, se isso estiver combinado com tristeza, episódios de choro e incapacidade de aproveitar atividades que eram apreciadas anteriormente, obviamente há um problema a ser resolvido. Outros sintomas desse transtorno podem ser:

  • Irritação e mau humor constante.
  • Sentimento de vazio e culpa todos os dias.
  • Deterioração progressiva das relações sociais.
  • Sentimentos ambíguos em relação ao bebê.
  • Ansiedade e ataques de choro desconsolado sem motivo aparente.
  • Pensamentos pessimistas para o futuro.
  • Dificuldade para manter a concentração.
  • Mudanças nos hábitos alimentares, de descanso, de higiene e até mesmo no trabalho, se ainda não estiver de licença.

Além de tudo isso, a futura mãe pode demonstrar falta de interesse pela chegada da criança ou, até mesmo, certa rejeição pela ideia de ter que enfrentar um parto.

Depressão pré-natal: consequências e tratamento

A depressão pré-natal está associada a problemas tais como parto prematuro ou baixo peso ao nascer. A razão para essas complicações são os problemas alimentares, a maior tendência a cair no abuso de drogas ou outras substâncias nocivas e a falta de exames pré-natais.

Para a mãe, sofrer de depressão pré-natal aumenta em 25% a possibilidade de também sofrer com essa doença após o parto.

Sintomas de depressão pré-natal

Com relação ao tratamento, o primeiro passo –  e muito importante – é a detecção. A partir disso, é possível proceder a intervenções psicológicas como, por exemplo, o apoio social para a mulher ou para a família inteira, terapias com psicólogos ou psiquiatras ou, mais diretamente, o uso de medicamentos antidepressivos.

Além desse tratamento, o apoio do núcleo mais próximo da mulher é extremamente necessário. Tanto o parceiro quanto a família devem fornecer o apoio e o carinho necessários para manter a estabilidade emocional.

De fato, essa é uma tarefa muitas vezes realizada pelos profissionais de saúde, que têm contato direto com a gestante e conseguem detectar anormalidades comportamentais com uma maior perspicácia.