Ecolalia: o que é e como lidar com isso?

· 17 de novembro de 2018
Um sintoma da ecolalia que a criança costuma apresentar é a repetição involuntária de uma palavra ou frase falada por um terceiro.

Você já ouviu falar de ecolalia? É um distúrbio da linguagem do qual se sabe muito pouco.


Esse transtorno na fala é produzido em forma de eco e se caracteriza pela repetição semiautomática e compulsiva.

Além disso, muitas vezes as crianças que sofrem desse distúrbio imitam o tom original do interlocutor. Então, a pergunta é: como lidar com isso? Descubra a seguir.

Tipos de ecolalia

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que existem vários tipos de ecolalia. É possível discernir várias classificações de acordo com o aspecto considerado.

Os especialistas distinguem esse tipo de perturbação da linguagem depois de verificar o tempo entre a transmissão original e o eco, a forma da repetição e a intenção comunicativa.

Classificação baseada no tempo de propagação do eco

ecolalia

  • Ecolalia imediata. A repetição da emissão original ocorre quando acaba de ser produzida.
  • Ecolalia tardia. O eco ocorre depois de passar um determinado período de tempo. Podem ser minutos, horas ou até mesmo semanas inteiras.

De acordo com sua intenção comunicacional

  • Eco funcional. Neste caso, a criança manifesta uma intenção comunicativa ou informativa.
  • Eco não-funcional. Este tipo de ecolalia não tem nenhum fim comunicativo. Portanto, é considerada autoestimulatória.

Tipologia baseada na comparação entre a forma da sentença original e do eco

  • Eco exato. O modelo original e o repetido são completamente idênticos.
  • Eco reduzido. Apenas uma fração da versão original é reproduzida fielmente. Geralmente é a última parte.
  • Eco expandido. Neste caso, embora algumas modificações sejam feitas, nenhuma alteração é percebida na estrutura geral do enunciado.
  • Eco mitigado. Aqui ocorrem alterações do modelo inicial. Isso demonstra habilidades criativas para reorganizar a estrutura geral.

Como tratar ecolalia?

O tratamento é importante nesse tipo de transtorno por causa da sua complexidade. Por isso, é essencial detectar o tipo de ecolalia para poder determinar seu tratamento.

Tratamento para ecolalia tardia funcional

A ideia desta intervenção é aproveitar o eco tardio que tem certa funcionalidade comunicativa. Portanto, o intuito aqui é fornecer modelos verbais que ajudem a criança a cumprir sua intenção.

A alternativa oferecida deve ser ajustada de acordo com o nível de desenvolvimento de cada criança, buscando, assim, uma maior precisão comunicativa ou informativa. Dessa forma, a ideia é maximizar todas as emissões.

Esse processo propõe um trabalho progressivo com altas doses de paciência. Em cada fase, os níveis de complexidade das proposições aumentam pouco a pouco.

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Intervenção na ecolalia não imediata

Neste tipo de trabalho, o terapeuta envia uma série de estímulos para ver como a ecolalia se manifesta. A ideia é que a criança entenda, detecte e determine em que ocasiões é apropriado permitir essa emissão involuntária.

Para isso, é essencial que a criança aprenda a distinguir o que vale a pena repetir do que não tem sentido. Assim, é possível ensinar a repetir somente quando é voluntário. Neste caso, os especialistas podem aplicar diferentes métodos de trabalho.

Procedimento em ecolalia não funcional

Aqui surge um conflito. Uma vez que se trata de um distúrbio não-funcional, implica certo impedimento no desenvolvimento da linguagem. Consequentemente, torna-se em um verdadeiro obstáculo comunicacional para a criança que apresenta esse distúrbio.

Nesse caso, o especialista tentará eliminar totalmente a ecolalia na criança. Para isso, uma das estratégias mais eficazes implica em explicar à criança que tais ecos não são adequados em contextos específicos.

Por existir casos tão variados, os especialistas podem aplicar uma série de técnicas comportamentais diferentes, como, por exemplo, o autorregistro, a identificação de comportamentos incompatíveis, entre outros.