Elogiar as crianças de maneira equilibrada

05 Junho, 2019
Os elogios, na medida certa, podem favorecer os nossos filhos. Evitar os excessos está nas nossas mãos.

Reconhecer as boas coisas que as crianças fazem é uma ação tanto normal quanto benéfica. As crianças precisam saber quando fazem algo certo, assim como quando fazem coisas erradas, para que possam aprender a se desenvolver adequadamente no seu entorno. No entanto, é correto elogiar as crianças constantemente?

Muitos pais cometem o erro de elogiar cada uma das ações dos seus filhos. Esses elogios não vão além do mero cumprimento e, em vez de beneficiar as crianças, acabam prejudicando-as.

Como isso acontece? Muito simples: não há uma apreciação da realidade e uma atitude crítica saudável não é encorajada, da mesma forma que o esforço também não é valorizado.

Em outras palavras, a valorização do que está na superfície, embora pareça doce, não incentiva as crianças a serem melhores e, além disso, as deixa estagnadas. Os elogios fazem com que elas acreditem que já são perfeitas e que sempre terão os seus pais para elogiá-las e valorizá-las. Obviamente, isso afeta o desenvolvimento da personalidade.

Elogiar pode ser negativo

Elogiar as crianças é negativo?

Não se trata de deixar de lado todas as coisas positivas que a criança fizer ou de ser rigoroso com os elogios. Não se trata de medir o número de elogios, mas sim de dar a eles o espaço correto.

De fato, dizer às crianças que elas fizeram um bom trabalho, sorrindo para elas por alguma atividade bem trabalhada e aplaudindo os seus esforços é um gesto que ajuda para que elas se superem e cresçam de forma saudável.

Porém, é necessário agir com moderação e tentar não elogiar tudo o que as crianças fizerem, sem um motivo específico. Devemos ter muita clareza sobre o que e quando reconhecer algo. Se fizermos elogios e parabenizarmos tudo, não vamos favorecê-las.

Uma criança que se acostuma a receber elogios constantes das pessoas ao seu redor não consegue ter uma percepção clara da realidade.

O experimento da Universidade de Stanford

Um estudo realizado na Universidade de Stanford por um grupo de especialistas liderados pela Dra. Carol Dweck chegou a conclusões importantes sobre o assunto. Esse estudo se baseou na realização de um experimento social que consistia em oferecer quebra-cabeças a um grupo de crianças de 11 anos de idade para que elas os montassem.

Depois de montá-los, cada criança obteve como resultado uma pontuação e, juntamente com ela, uma pequena apreciação de 6 palavras. Em seguida, as crianças foram classificadas em dois grupos, o grupo A, que recebeu elogios por sua inteligência, e o grupo B, que foi parabenizado pelo seu esforço ao montar o quebra-cabeça.

Posteriormente, ambos os grupos de crianças foram questionados sobre como gostariam que a dificuldade do próximo teste fosse. Elas receberam a escolha entre um nível fácil e um nível difícil. E foi muito interessante testemunhar o que cada grupo escolheu.

Resultados e conclusões

No grupo A, 2 de cada 3 crianças optaram pelo que fosse fácil. Por outro lado, no grupo B, 9 em cada 10 crianças escolheram a opção difícil. O primeiro grupo de crianças não queria perder o mérito de ser inteligente, enquanto o segundo grupo queria ver até onde poderiam chegar com o seu esforço.

os elogios devem ser moderados

Na terceira parte do teste, ambos os grupos receberam um quebra-cabeça de grande dificuldade, tanto que nenhum deles conseguiu montá-lo.

A diferença foi que as crianças do grupo B tentaram montá-lo durante muito mais tempo, aproveitando a atividade sem perder a confiança nas suas habilidades. Enquanto isso, aconteceu exatamente o contrário com as crianças do grupo A.

Na última parte do estudo, outros quebra-cabeças foram dados aos dois grupos, com o mesmo nível de dificuldade daqueles que foram entregues na parte inicial do teste. Como resultado, as crianças do grupo A diminuíram o seu desempenho em 20%; enquanto as crianças do grupo B o aumentaram em 30%.

Dessa forma, esse experimento foi repetido três vezes com diferentes grupos de crianças e foram obtidos resultados muito semelhantes. Assim, a Dra. Carol Dweck concluiu que o elogio excessivo prejudica a motivação das crianças e, portanto, pode prejudicar o seu desempenho.

Existem outros estudos sobre o impacto dos elogios excessivo nas crianças. E, assim como há especialistas que dizem que é bom elogiar as crianças com frequência, há outros que dizem que os elogios devem ser moderados para evitar a promoção de atitudes doentias nos futuros adultos.