Em que consiste a manobra de Kristeller?

22 de maio de 2018
A manobra de Kristeller é uma técnica utilizada em situações de emergência. A seguir, vamos falar mais sobre como ela é empregada.

A manobra de Kristeller é um impulso feito pelo ginecologista ou por uma parteira durante a fase final do parto para ajudar a criança a sair do canal vaginal.

Seu criador, o ginecologista alemão Samuel Kristeller, a concebeu, em 1867, como um auxílio para os partos mais difíceis. A manobra é recomendada para facilitar a separação da cabeça do feto em caso de emergência.

Nos cursos preparatórios para o parto, as parteiras informam sobre os possíveis riscos do parto. Além disso, podemos ouvir sobre a manobra de Kristeller e sua aplicação em caso de partos difíceis.

Entre as consequências mais comuns para a mulher se destacam a dispareunia ou dor severa durante o ato sexual, fratura das costelas, fratura dos músculos abdominais ou a ruptura uterina, entre outras.

mulher com dores de parto

Quando fazer a manobra de Kristeller?

A manobra pode ser feita apenas em situações de emergência e nunca no caso de um parto normal sem complicações.

O momento exato para fazê-la é quando a cabeça da criança estiver claramente visível e a fase da expulsão tiver quase terminado. A manobra de Kristeller é feita quando: 

  • As contrações do útero não forem fortes o suficientemente para que o bebê saia, inclusive, depois da aplicação de oxitocina para estimulá-las.
  • A mãe já não consegue mais empurrar corretamente porque está cansada ou perdeu o controle dos músculos abdominais.
  • A pulsação do bebê desacelera e suspeita-se de sofrimento fetal.
  • A criança fica presa no canal vaginal e a cabeça e os ombros fazem esforço para sair.

Como é realizada?

A sensação que experimenta a mãe é como se o médico saltasse sobre a barriga da mulher para tirar o bebê. Trata-se de uma manobra muito dolorosa que em alguns casos leva ao desmaio da parturiente.

Apesar de a técnica ser muito simples, deve ser feita por alguém com experiência. O médico agarra a beira da cama ou os lençóis com uma mão, colocando o antebraço na altura da parte superior do útero. Quando chega a contração, com um empurrão firme, o braço desliza pela barriga, exercendo um impulso do útero para baixo.

A manobra de Kristeller não pode ser repetida por mais de três vezes. Assim, caso a mulher se submeta a um quarto parto e apresente complicações, deverão ser aplicadas outras medidas alternativas.

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-Elisabeth Stone-

Quando ela não deve ser feita?

Para algumas mulheres não é possível recorrer à essa manobra. Em especial, deve-se evitar a todo custo quando existirem as seguintes condições:

  • A cabeça da criança for muito maior do que o espaço disponível devido à desproporção entre seu tamanho e o da pélvis da mãe.
  • Existe uma neoformação (cisto ou outro) ao longo do canal vaginal que possa dificultar a saída do bebê.
  • A gestação anterior tiver terminado com uma cesárea que fez com que o útero estivesse mais propenso a lacerações.
  • Tiver sido realizada uma operação prévia para a retirada de um mioma uterino.

Complicações

Uma manobra feita da forma incorreta ou em um momento do parto pouco favorável pode causar várias complicações, inclusive, em nível psicológico.

Nesse sentido, a manobra de Kristeller tem algumas consequências porque a forte dor ofusca a capacidade de concentração da futura mamãe, o que faz com que o momento do parto se torne doloroso e não tão emocionante como deveria ser. Em nível médico, os principais riscos são:

  • Recorrer a uma episiotomia importante.
  • Lacerações na vagina e no períneo.
  • Descolamento da placenta que provoca sofrimento fetal.
  • Hematomas do útero.
  • Ruptura do útero que resulta em hemorragia.
  • Um uso consciente.
recém nascido

Definitivamente, é preciso levar em consideração que durante o parto a mulher não é capaz de decidir com muita clareza e lucidez em que momento a equipe médica pode dar início à manobra de Kristeller. Nesse sentido, é muito importante que a futura mamãe esteja bem informada sobre o tema para evitar ataques de pânico.

As parteiras costumam minimizar essa manobra chamando-a de “uma pequena ajuda para facilitar a saída do bebê”, mas, na verdade, trata-se de uma operação muito delicada que apresenta múltiplos riscos e que deve ser feita com competência e atenção.

Por último, é necessário destacar que a execução da manobra de Kristeller deve ficar registrada no histórico médico da mulher, como indicam as diretrizes de todos os hospitais.

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