Em que consiste a atenção positiva?

29 de janeiro de 2020
A atenção positiva, por meio de uma relação afetuosa, ajuda as crianças a se sentirem valorizadas e seguras.

As crianças se encontram em uma etapa de crescimento na qual precisam de grandes doses de atenção, especialmente por parte dos adultos. Por esse motivo, às vezes elas recorrem ao mau comportamento para chamar atenção, ainda que essa atenção acabe sendo negativa.

Para resolver isso, é necessário dar para as crianças atenção positiva, não apenas com o objetivo de reduzir os comportamentos de busca excessiva de atenção, mas também para facilitar para elas um desenvolvimento pessoal saudável.

A atenção positiva e a atenção negativa: em que elas consistem?

O fato de elogiar e parabenizar uma criança após um bom comportamento, de mostrar interesse nas suas conquistas, de utilizar expressões afetuosas e de dar atenção e encorajamento para que elas façam as suas tarefas são alguns exemplos do que significa utilizar a atenção positiva.

Por meio desse tipo de ações e experiências, estamos indicando para a criança que nós nos importamos com ela, o que faz com que ela se sinta valorizada, uma das suas principais necessidades desde o nascimento.

Por outro lado, se não nos detivermos em valorizá-las e em celebrar as suas conquistas, ou seja, prestar atenção nelas de um modo positivo, as crianças vão buscar outras formas de chamar a nossa atenção.

a atenção positiva

Em vista disso, se as crianças não forem capazes de suprir essa necessidade básica de maneira positiva, elas vão descobrir uma forma de cooptar a atenção dos adultos de qualquer maneira, empregando um mau comportamento. Dessa forma, se gritarmos ou dermos bronca nas crianças, vamos empregar o que se denomina de atenção negativa.

“As crianças têm uma necessidade tão grande de serem reconhecidas e de serem levadas em conta que elas vão tentar conseguir atenção de qualquer maneira, ainda que se trate de uma atenção negativa”.

-Gloria G. Rodríguez-

Assim, ainda que o ideal seja oferecer para as crianças atenção positiva na maior parte do tempo, de acordo com a especialista em educação infantil Gloria G. Rodríguez, às vezes é muito complicado não cair na armadilha de reforçar e premiar as más condutas, como, por exemplo, quando reagimos só quando as crianças manifestam um mau comportamento.

Como empregar a atenção positiva?

Sem dúvida, a atenção positiva é um principal motivador de comportamento nas crianças, e o segredo reside em oferecer atenção positiva quando elas manifestarem um bom comportamento e retirar essa atenção no caso de uma conduta imprópria, ainda que inofensiva.

De acordo com o que afirmam o professor de psicologia da Rutgers University, Maurice J. Elias, e os psicólogos Steve E. Tobias e Brian S. Friedlander, nós, como adultos, devemos procurar reduzir a quantidade de atenção negativa que oferecemos às crianças, pois ela tende a aumentar os conflitos em casa ao mesmo tempo que diminui a autoestima.

a atenção positiva

Desse modo, temos que ensinar para a criança condutas específicas que ela possa identificar como formas de obter atenção positiva. Ou seja, o importante é que a criança saiba que o que estamos elogiando é o seu bom comportamento, e, para isso, devemos ser muito claros.

Por que isso é tão importante?

Elias, Tobias e Friedlander supõem que quanto mais atenção negativa as crianças receberem, mais inseguras elas vão ficar. Portanto, isso vai levá-las a tentar atrair ainda mais atenção, o que pode virar um problema, já que a atenção negativa é menos satisfatória do que a positiva.

No entanto, o efeito mais importante do uso da atenção positiva nas crianças é o desenvolvimento de um autoconceito e de uma autoestima saudáveis.

Por meio da atenção positiva, conseguimos fazer com que as crianças consigam construir uma autoimagem saudável, ou seja, que consigam se valorizarem positivamente, ao mesmo tempo que sentem mais segurança e confiança em si mesmas.

  • Elias, M.J., Tobias, S.E. y Friedlander, B.S. (2014). Educar con inteligencia emocional. Cómo conseguir que nuestros hijos sean sociables, felices y responsables. Penguin Random House Grupo Editorial España.
  • Rodríguez, G.G. (1999). Criando a nuestros niños. Simon and Schister. Nueva York: Estados Unidos.