Eu também me abaixo na altura do meu filho para falar com ele

22 Setembro, 2018
O príncipe William e sua esposa Kate, os duques de Cambridge, têm um costume com seu filho, George, que chamou a atenção do mundo todo. Ambos os pais se abaixam na altura da criança para falar com ela.

Não importa que estejam num ato público, nem que a vigilante rainha da Inglaterra indique a eles de modo ameaçador que se levantem e parem de quebrar o protocolo.

Ambos o fazem, ambos se agacham para olhar nos olhos da criança e falar com ela de forma mais próxima. Mais íntima.  Tanto é assim, que mesmo durante a visita de Barack Obama ao Reino Unido, o presidente dos Estados Unidos não hesitou em dobrar os joelhos para se dirigir ao pequeno.

Muitos veem isso como uma falta de respeito para com as instituições, uma forma de quebrar o protocolo. No entanto, o casal entende que, dessa forma, estão demonstrando verdadeiro respeito ao filho.

De fato, é conhecido que os duques de Cambridge se preocupam em oferecer uma educação adequada aos seus filhos. Uma educação na qual o respeito pela própria criança seja sempre a base.

Hoje, o príncipe George frequenta uma escola baseada no método Montessori. No entanto, o que nos interessa, nesse caso, é essa atitude de aproximação, de se abaixar na altura das crianças. E esse gesto tem nome: escuta ativa.

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Abaixar-se na altura da criança: o poder da escuta ativa

Considere por um momento como a vida de uma criança muda desde os 0 até os 5 anos. Um dia, ela deixa de estar no nosso colo para andar, para conquistar uma autonomia mais ou menos eficaz. Esse “salto” evolutivo faz com que, de alguma forma, perca certa proximidade conosco.

Quando ele ou ela se comunica com os adultos, precisa levantar a cabeça e o olhar. Os pais são essa figura distante da qual devem puxar a calça ou a manga da camisa para atrair suas atenções. Para as crianças, certamente é muito complicado e até frustrante se fazerem entender.

Ora, algo tão simples quanto dobrar os joelhos e se abaixar na altura delas traz muitos benefícios. Te explicamos.

“Você tem toda a minha atenção”

Coloque-se no lugar de uma criança. Ter o rosto e o olhar de nossos pais diante de nós, sem dúvida, é um grande triunfo. Sentimos sua proximidade e confiança nos para comunicar, para falar e sermos atendidos.

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Quando nossos olhares se situam em uma mesma altura, já não há diferença de poder, já não há medos. Podemos ser sinceros, podemos falar de qualquer coisa sabendo que somos amados. Sentimos que tudo o que dissermos será entendido.

Pode haver uma sensação mais maravilhosa?

Até os 12 anos, as crianças estão em um mundo sensorial diferente

O termo “escuta ativa” não vem precisamente do campo da educação ou da criação. Ele tem suas raízes em um enfoque psicológico humanista que surgiu nos anos 1960.

Foi Carl Rogers quem estabeleceu suas bases. Mais tarde, outros autores aplicaram essa estratégia como uma técnica eficaz para os pais e as mães.

  • Muitos psicólogos defendem a escuta ativa como uma atitude perante a vida. É um ato de proximidade, de reconhecimento ao outro.
  • Gerar esse tipo de escuta ativa nas crianças desde que são pequenas traz benefícios incríveis.
  • Um aspecto que devemos entender é que, até os 12 anos, o mundo sensorial de uma criança é diferente.
  • Ela precisa de uma interação mais próxima para integrar esse mundo. Não é suficiente somente dar as mãos, não é suficiente também somente sentar-se ao seu lado.
  • Os pequenos necessitam que “estejamos presentes”. Que nossa conversa não se limite a oferecer-lhes reforços positivos simples. Devemos nos envolver. E a escuta ativa, sem dúvida, é a melhor ferramenta para estabelecer essa união em um período tão essencial quanto esses primeiros 12 anos de vida.
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A escuta ativa é acompanhada pelos “limites”

O que muitos criticam erroneamente nos duques de Cambridge é que estejam criando filhos mimados que têm a atenção de seus pais a todo momento, inclusive nos atos públicos.

No entanto, a escuta ativa não tem nada a ver com mimar ou estabelecer uma educação permissiva. Na verdade, ela está vinculada às regras e à aplicação de limites. Uma criança, portanto, deve saber onde estão as fronteiras do que é permitido e onde começa o que é proibido.

Certamente, saber disso com antecedência traz confiança e segurança. Se, além disso, a criança puder se comunicar com seus pais a todo momento, desenvolverá uma atitude mais reflexiva, mais responsável e, inclusive, mais compreensiva.

Pense agora em como o príncipe George se lembrará de seus pais. Esse casal real que se abaixava na sua altura, sem se importar com ninguém mais. Somente ele e suas emoções, suas preocupações.

É uma lembrança valiosa que o acompanhará para sempre, sem dúvida.

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