Falar com bebês versus falar com crianças: diferenças

18 de dezembro de 2016

Ser responsável pelo que falamos aos nossos filhos é uma tarefa obrigatória para aqueles que desejam que suas crianças experimentem algum tipo de liberdade na hora de saber definir a si mesmas e de tomar decisões importantes em suas vidas.

Falar com nossos filhos e ser responsável por eles são tarefas obrigatórias para aqueles que desejam que suas crianças experimentem algum tipo de liberdade na hora de saber definir a si mesmas e de tomar decisões importantes em suas vidas.

Todos nós carregamos “o falar” de nossos pais conosco: certamente muitas coisas serviram positivamente e outras negativamente para nossas vidas. Portanto, todos deveríamos ser capazes de avaliar o peso das palavras em nossas vidas.

Falar pelo bebê

Quando temos o nosso bebê, tão pequeninho e desprotegido em nossos braços, desde o primeiro dia temos o costume de falar com e por ele. É uma prática que as mães costumam fazer.

“Ele está com frio”; “está querendo mamar”; “eu quero ficar com o papai (falando pelo bebê)”. Enfim, pressupomos várias sensações e desejos dos nossos pequenos. Dessa forma, vamos conhecendo melhor o bebê e adquirindo a segurança  de que possuímos todos os recursos para cuidar dele. Literalmente “colocamos palavras em sua boca”.

É um conceito que na psicanálise se chama Transitivismo. É uma operação por meio da qual o bebê é considerado um pequeno indivíduo que possui desejos que sua mãe é capaz de entender sem que ele precise falar.

Vejamos. Quando digo que meu filho chora porque está com frio, eu o cubro, nino, canto uma canção, falo com ele e consigo acalmá-lo, o motivo do choro era realmente o frio. O que quero dizer é que o que acontece com nossos filhos no começo da vida é o que nós dizemos que acontece.

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Não há uma verdade sobre as coisas que acontecem com eles que nós precisamos adivinhar. Assim, como não sabemos ao certo, buscamos a resposta em um livro que nos diz o que devemos saber sobre o que está acontecendo com nosso bebê em cada fase da vida.

Como diz acertadamente Carlos Gonzáles, nunca foi necessário ler livros sobre a infância para saber o que fazer com um filho. Ele acrescenta: “Quando há qualquer dúvida, é melhor procurar outras mulheres e ouvir a experiência pessoal de cada uma que consultar os livros.”

Quando eu coloco em prática algo que está escrito em um livro, eu desconsidero o fato de que meu filho é um indivíduo que possui desejos. Aplicar uma técnica ou um conselho geral é algo que não leva em consideração o contexto, minha vida e meu papel como mãe ou pai.

Por isso, devemos buscar uma maneira de cuidar de nossos filhos sempre levando em consideração o contexto, as vivências e a história pessoal de cada um.

Aplicar técnicas ou receitas retiradas de livros quando cuidamos de nossos filhos pode trazer sérias consequências aos pequenos. Mas isso é tema para outro artigo.

Na medida em que o bebê vai crescendo, ele passa a adquirir uma autonomia cada vez maior e começa a mostrar sua maneira de entender e fazer as coisas. Nós aprovaremos algumas delas e rejeitaremos outras.

As coisas que rejeitamos costumam ser exatamente aquelas que eles repetem de nós e que nós não gostamos ou simplesmente comportamentos que são característicos da infância. Se prestarmos a devida atenção saberemos até onde temos responsabilidade no modo de agir de nossos filhos.

Geralmente é quando esses traços que nos chamam atenção aparecem que costumamos cometer o erro de nomear essas atitudes: “que agressivo”; “você é muito impaciente”; “que rebelde”. O problema aqui é que utilizamos demasiadamente o verbo ser, em uma idade na qual tudo está em processo de mudança.

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Seu filho não é impaciente. Simplesmente, as crianças têm dificuldade para esperar. Assim, uma boa forma de respondê-los é “mas filho, você é uma criança tão paciente, espere um pouco que a mamãe já vem”. Essa é uma maneira bastante sutil na hora de evitar as rotulações, principalmente aquelas que são negativas para a criança.

Educar é uma espécie de jogo de xadrez e eu costumo dizer que o limite da educação é a disposição que os pais possuem, seja ela emocional ou física. Em um dia qualquer podemos estar cansados e acabarmos falando aos nossos filhos uma grande besteira, da qual nos arrependeremos.

Educar não se trata de não cometer erros com os filhos, mas sim de ter dedicação (além de amor e carinho) com a lógica infantil. Temos também que nos colocar no nível da criança para não cometer muitas injustiças.