A fase do não: em que ela consiste e como enfrentá-la

26 Janeiro, 2020
De um dia para o outro, o seu filho muda radicalmente de comportamento e começa a se opor a tudo. Ele não está desafiando você, ele está aprendendo a ser ele mesmo e ninguém melhor do que você para guiá-lo nesse processo.

De um dia para o outro, o seu pequeno, essa criança doce e complacente que cooperava com um sorriso, começou a se negar categoricamente a fazer absolutamente tudo. Ele não quer pôr as meias, não quer ir para a cama, não quer se pentear. Essa situação soa familiar para você? Provavelmente vocês estão entrando na fase do “não”.

Certamente, você não acredita nessa repentina e brusca mudança que ocorreu no comportamento do seu filho. Talvez você sinta que ele só quer desobedecer, desafiar você, que ele está se comportando mal. No entanto, se nos colocarmos no lugar dele, podemos ver o que está acontecendo de uma perspectiva mais ampla.

A fase do não

Por volta dos dois anos de idade, as crianças experimentam uma série de mudanças cognitivas importantes. Elas começam a ter consciência de si mesmas como seres individuais, separados de sua mãe.

Até esse momento, a sua percepção era a de um todo, mas a partir de agora elas são capazes de diferenciar a sua própria existência, os seus próprios desejos e opiniões.

A fase do não: no que ela consiste e como enfrentá-la

Essa fascinante descoberta faz com que elas queiram experimentar no seu ambiente a nova vontade que descobriram ter. Assim, elas desejam expressar essa individualidade e aprender a utilizá-la, e a melhor ferramenta para isso é a oposição. Diferencio os meus próprios interesses dos seus, destaco a minha própria existência individual: nego, logo existo.

Dessa forma, os pequenos começam a dar respostas negativas sistematicamente. Eles falam “não” quando estão bravos e querem expressar o seu desacordo, mas também falam quando estão cansados e até mesmo por costume.

Nessa fase, é provável que eles respondam “não” até mesmo diante de uma oferta benéfica para eles, pois ainda estão aprendendo a exercer a sua vontade.

Qual perspectiva adotar?

Diante dessa desconcertante mudança de comportamento, muitos pais não sabem como reagir. Eles interpretam as respostas negativas do seu filho como um desafio ou uma manipulação. Pensam que a criança ficou desobediente e respondona, e que esse é um comportamento que deve ser corrigido. Por isso, é comum perder a paciência com a criança e entrar em conflitos e discussões que vão se intensificando.

Nesse sentido, a realidade é que, apesar de terem uma vontade recém-descoberta, as crianças ainda não têm completamente desenvolvida a capacidade de raciocinar. O pequeno não quer irritar nem desafiar você, ele unicamente está experimentando, aprendendo a se desenvolver no mundo.

Se ele não leva em conta o perigo das suas ações ou das repercussões que as suas respostas negativas têm em você, é simplesmente porque ainda não consegue. Até certa idade, o pensamento das crianças é egocêntrico e elas são incapazes de levar em conta perspectivas alheias.

Além disso, se refletirmos, vamos ver que muito provavelmente nós influenciamos na aquisição do “não” nas crianças. Quantas vezes por dia você diz “não” para o seu filho? E quantas vezes ele diz “não” para você? É fácil entender por que os pequenos começam a utilizar essa palavra, devido à enorme quantidade de vezes que a escutam.

A fase do não: no que ela consiste e como enfrentá-la

Adicionalmente, assim como você tem motivos para negar o que o seu filho propõe, ele também tem os seus próprios motivos para negar. Evidentemente, não podemos ceder às suas, muitas vezes descabidas, negações, mas podemos adotar uma atitude mais respeitosa e compreensiva.

Por fim, as crianças não são robôs, nem objetos de nossa propriedade. Elas são pequenas “pessoinhas” com os seus próprios pensamentos e sentimentos que devem ser igualmente respeitados.

Como enfrentar a fase do “não”?

  • Compreenda o processo cognitivo pelo qual o seu filho está passando. Tente olhar as coisas da perspectiva dele e, então, vai compreender que ele não está desafiando você, mas apenas aprendendo a viver.
  • Eduque-o sem o “não”. Dessa forma, você vai ser um modelo de outras formas mais construtivas de expressar uma opinião.
  • Tenha paciência e procure não perder a cabeça diante da oposição do seu pequeno. Talvez leve meia hora a mais para você conseguir que ele ponha as meias, mas será melhor para o vínculo de ambos evitar gritos e a falta de educação.
  • Permita que a criança escolha certas coisas, de modo que ela exercite progressivamente a sua vontade. No entanto, não ceda diante daquilo que parecer importante para você, afinal, os limites e a coerência são imprescindíveis no desenvolvimento infantil.
  • Lembre-se de que a fase do não vai passar e todo o esforço de amor e respeito que você tiver investido na criança vai dar frutos. A orientação que você está proporcionando para o seu pequeno sobre como lidar com as opiniões e emoções dele é um valioso legado.