Herpes labial durante a gravidez: o que você precisa saber

O vírus do herpes é muito contagioso, mas se certas medidas forem tomadas, é possível evitar danos ao bebê.
Herpes labial durante a gravidez: o que você precisa saber
Maria del Carmen Hernandez

Escrito e verificado por o dermatologista Maria del Carmen Hernandez.

Última atualização: 08 Janeiro, 2022

O herpes labial durante a gravidez pode ser muito incômodo e doloroso, além de aparecer com maior frequência.

Felizmente, a infecção na boca da gestante geralmente não impacta o desenvolvimento ou o crescimento do bebê dentro do útero. Mesmo assim, é importante tomar uma série de cuidados durante o parto, para evitar o contágio do recém-nascido. Vamos te contar tudo o que você precisa saber.

O que é o herpes?

O herpes é uma infecção mucocutânea causada pelo vírus herpes simplex (HSV) de qualquer tipo. Em geral, o HSV-1 causa o herpes labial, enquanto o HSV-2 causa o herpes genital.

Após a primeira infecção, o vírus permanece em estado latente nos neurônios locais. Porém, em certas circunstâncias, como uma diminuição nas defesas, ele volta a aparecer e causa as mesmas lesões nos mesmos locais.

Se você nunca teve herpes labial, só poderá contraí-la por meio do contato direto com os fluidos corporais de alguém que seja portador do vírus. As rotas mais comuns de contágio são as seguintes:

  • Beijos.
  • Utensílios, maquiagem ou alimentos compartilhados.
  • Sexo oral.

O vírus do herpes é muito contagioso, mas geralmente não afeta o bebê dentro do útero. No entanto, pode ser transmitido ao bebê durante o trabalho de parto, diante de certas circunstâncias.

Em geral, a fase de contágio culmina quando se forma uma crosta sobre as lesões, momento no qual elas começam a se cicatrizar e o vírus entra em latência.

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Manifestações do herpes labial durante a gravidez

Se o herpes labial já tiver se manifestado na pele, isso indica que o vírus está no organismo (em estado latente) e pode reaparecer diante de situações de estresse ou alterações hormonais. É contraído por cerca de 50% da população antes dos 6 anos de idade.

Em geral, o herpes labial é uma infecção localizada que tende a se manifestar em alguma região ao redor da boca. A evolução natural da doença pode ser resumida nas seguintes etapas:

  • Pródromo: antes do aparecimento das vesículas, ocorre coceira, ardor e formigamento na área da lesão.
  • Infecção ativa: em algumas horas, aparecem pequenas vesículas em forma de buquê no vermelhão do lábio ou no canto da boca. Delas, pode drenar um fluido seroso, que contém partículas virais.
  • Resolução: após 15 dias, as vesículas desaparecem e se formam crostas que caem por conta própria.

Consequências da presença do herpes labial para o bebê em desenvolvimento

Quando há um surto de herpes recorrente (ou seja, a infecção não foi adquirida pela primeira vez durante a gravidez), é provável que não haja impacto no crescimento do bebê. Em geral, por se tratar de uma infecção localizada, o vírus não atravessa a placenta e não chega ao bebê.

Em contraste, quando o vírus é contraído pela primeira vez durante a gravidez, a situação é totalmente diferente. O corpo da mãe ainda não terá gerado anticorpos contra esse agente infeccioso, então é possível infectar o feto.

O herpes adquirido ao nascimento (ou congênito) é uma doença potencialmente grave e o risco de contraí-la é maior quando a mãe adquire o vírus no terceiro trimestre da gravidez. Principalmente no caso da variante genital, pois, no momento do parto, o bebê pode ser infectado por meio do contato direto com a mucosa infectada.

Prevenção e tratamento do herpes labial durante a gravidez

A opção de tratamento mais comum para o herpes labial é um creme tópico de venda livre, composto por um medicamento antiviral. Em geral, o herpes labial é mais um incômodo para a gestante do que um risco para o bebê em desenvolvimento.

Se o herpes labial ocorrer no terceiro trimestre da gravidez, ou se o vírus for contraído pela primeira vez durante este período, o médico precisará prescrever certos tratamentos.  Ele pode até mesmo indicar o parto por cesariana.

A gestante que tiver contraído o vírus no último estágio da gestação pode prevenir a transmissão e o contágio do seu bebê por meio das seguintes medidas:

  • Garantir a lavagem adequada das mãos, como uma das medidas de higiene mais importantes.
  • Realizar controles sorológicos mensais ou quinzenais.
  • Após o parto, aumentar as medidas de cuidado e de higiene.
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A cesariana é recomendada em caso de herpes?

A indicação do médico para realizar esse tipo de parto dependerá do momento exato em que tiver ocorrido o contágio.

  • Se a mãe tiver contraído o HSV antes da gravidez ou antes do terceiro trimestre e não apresentar sintomas, ela poderá dar à luz naturalmente. Isso ocorre porque se presume que houve tempo suficiente para desenvolver anticorpos e transmiti-los ao bebê.
  • Ao contrário, se a gestante apresentar sintomas pela primeira vez na fase próxima ao parto, deve ser realizada a cesariana.

A importância de reconhecer os sintomas durante a gravidez

Em conclusão, é bastante comum que as mulheres tenham herpes labial durante a gravidez, mesmo que não tenham apresentado sintomas há muito tempo.

Portanto, é importante conhecer e se informar sobre o comportamento desse vírus e sua forma de transmissão, para evitar contágios acidentais que possam afetar o bebê.

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