Influência dos irmãos na adolescência

22 de maio de 2019
A adolescência é uma fase complicada e, por isso, ela pode ter consequências na relação entre os irmãos.

A influência que os irmãos têm na adolescência é indiscutível. É evidente que esta é uma fase de mudanças. Nesse momento, a família fica em segundo plano, enquanto o grupo social vai se transformando na referência mais importante.

Por causa disso, é comum que a relação entre os irmãos se deteriore. Aquele que antes era seu parceiro de vida agora pode se tornar um incômodo ou um completo estranho. Podemos concluir que a relação que ajudamos a estabelecer entre os irmãos vai influenciar o relacionamento ao longo dessa fase.

Um irmão é alguém com quem você cresceu, que você viu nascer ou até mesmo ajudou a criar. Por causa disso, os pais repetem para os seus filhos que os irmãos devem ser melhores amigos, que eles estarão juntos pelo resto de suas vidas e que eles serão incondicionais.

“A simples coincidência de compartilhar genes, lar ou pais, não causará o milagre de estabelecer um relacionamento indestrutível.”

O que influencia a relação entre os irmãos na adolescência?

  • A personalidade de cada filho vai ajudar ou impedir o estabelecimento de um bom relacionamento.
  • A diferença de idade entre eles. Nesse sentido, quanto maior a diferença, menor será o número de experiências compartilhadas e, portanto, haverá menos união.
  • A educação e o tratamento – subjetivo ou não – recebido dos pais. Se o adolescente sentiu que o seu irmão recebia um tratamento preferencial, ele pode guardar certo rancor. Desse modo, isso pode se traduzir em um relacionamento marcado pela rivalidade.
  • Os interesses de ambos. Quanto mais hobbies e gostos compartilharem, maior a possibilidade de que uma boa união se estabeleça entre eles.
O que influencia a relação entre os irmãos na adolescência

Adolescência e amadurecimento cerebral

“A adolescência é semelhante a uma doença degenerativa.”

– Salvador Martínez, diretor do Instituto de Neurociências de Alicante –

Durante essa fase, ocorre o que é conhecido como poda neural. De fato, dos 12 aos 20 anos, aproximadamente, o cérebro está em processo de amadurecimento. Esse processo é marcado pelo aperfeiçoamento das habilidades cognitivas e da autorregulação, de tal forma que o aprendizado por meio da experiência pessoal se torna necessário.

Para conseguir fazer isso, o cérebro passa por mudanças morfológicas e funcionais, através da destruição, criação e reorganização de conexões neuronais.

Procurando a própria identidade

À reestruturação cerebral que ocorre na adolescência, devemos somar:

  • As mudanças físicas e hormonais.
  • A influência que o contexto social pode ter sobre o adolescente.
  • A busca por significado e identidade.
  • A exposição a novas situações sociais que devem ser resolvidas por conta própria.

Toda essa confluência de fatores origina mudanças emocionais, às vezes difíceis de entender e administrar, tanto para o adolescente quanto para as pessoas mais próximas. Sem dúvida, isso resulta em um afastamento irremediável da família e, por consequência, em uma mudança na relação entre os irmãos.

Assim, aquele que sempre foi o seu cúmplice e companheiro de brincadeiras agora pode se tornar um estressor, capaz de provocar a sua raiva, as suas provocações ou a sua indiferença. Isso fará com que o outro irmão (geralmente em uma fase evolutiva anterior) perceba a ausência da sua referência, mostrando desânimo e tristeza.

Como ajudar a estabelecer um bom relacionamento entre os irmãos na adolescência?

A melhor receita para um bom relacionamento entre os irmãos na adolescência começa desde o nascimento. Por isso, devemos nos certificar de ter um estilo educacional democrático ou respeitoso, sem diferenças entre os irmãos. Nele, as crianças vão participar, na medida do possível, das decisões que as afetem.

Uma vez que essa base esteja definida, algumas dicas que podemos seguir são:

  • Incentivar o adolescente a compartilhar um pouco do seu tempo com o irmão, por exemplo. Desde que isso não tenha um impacto negativo nas suas próprias atividades, ele pode acompanhá-lo em alguma atividade extracurricular ou cuidar dele quando não estivermos por perto.
  • Fazer com que o nosso filho veja o que ele significa para o irmão. Acima de tudo, evitaremos que ele o veja como um rival e incentivaremos a união fraterna.
  • Lembre-o de que pequenas mudanças no tratamento da criança podem melhorar a relação entre eles.
Procurando a própria identidade

  • Não fazer comparações entre os irmãos. O mais importante é não mostrar um tratamento preferencial por nenhum deles.
  • Ensine-o a resolver os problemas, de tal forma que estaremos disponíveis para suas demandas e respeitaremos as suas decisões. No entanto, vamos estabelecer limites, sempre que necessário.
  • Explicar para ambos o que a adolescência significa: a passagem da infância para a idade adulta, e tudo o que isso implica.