Os inquietos da casa: crianças curiosas

· 9 de novembro de 2017

Os inquietos da casa. Você os conhece? Se sim, queremos perguntar: você realmente entende o que há por trás dessas crianças tão bagunceiras, “tocando tudo” e desafiando?

A resposta pode ser mais simples do que pensamos: por trás desse comportamento tão ativo existe uma criatura cheia de vida que apenas deseja descobrir o mundo. Nem todas as crianças são iguais. Assim como existem crianças tranquilas e reflexivas, também existem crianças inquietas, curiosas e atrevidas.

Essas crianças inquietas muitas vezes são rotuladas como má comportadas. Frequentemente são incompreendidas e por isso é preciso pegar leve, algo que sem dúvida você já percebeu.

Aprofundar-se na psicologia oculta das crianças inquietas será de grande utilidade. Tudo é uma questão de se colocar no lugar delas.

Nossa paciência colocada à prova

As crianças geralmente mudam bastante seu comportamento ao completarem dois anos de idade. Os chamados “terríveis 2 anos” é caracterizado por ser uma fase de desenvolvimento, em que as crianças já manifestam desejos claros de independência junto com uma grande curiosidade.

Esse lado explorador, bagunceiro e amante do risco não é mais do que uma forma de se desenvolver ao mundo. É comum que durante essa etapa apareça a fase do “não quero” ou “não tenho vontade”.

Devemos impor limites e evitar que as crianças inquietas da casa cruzem a linha da desobediência absoluta. Se aprendemos a redirecionar a curiosidade inata e ajudar a explorá-la para que resulte em algo positivo, conseguiremos educar melhor nossos filhos.

A criança que toca tudo

As crianças inquietas e o controle dos seus impulsos

Alguma vez você já disse ao seu filho “não toque nisso!”, e quando você virou as costas ele tocou de qualquer maneira? Diante desse tipo de situação, sempre e quando seu filho tiver menos de 4 anos, é preciso saber que é algo normal. Por quê? Porque as regiões cerebrais responsáveis pelo autocontrole ainda não estão amadurecidas nessa fase. Na verdade, geralmente costumam amadurecer de forma completa até o final da adolescência.

Assim como afirmam os especialistas em psicologia infantil: Tarullo, Obradovic e Gunna, o desenvolvimento do autocontrole é um processo progressivo, de ritmo lento e de longa duração.

No entanto, e não podemos esquecer disso, mesmo que as crianças inquietas ainda não tenham pleno controle sobre suas reações, isso não significa que devemos deixá-las se comportar da maneira que quiserem. Os limites, a comunicação afetiva e as regras claras irão pautando pouco a pouco um comportamento melhor. 

Cuidado para não estimular em excesso

Kim John Payne, autor do conhecido livro Criação com simplicidade (tradução livre) explica que nosso atual ritmo de vida faz com que nossos filhos cheguem a acumular o mesmo nível de estresse que um adulto.

Você sabia que quanto mais cansada uma criança se sente, mais hiperatividade e irritabilidade pode chegar a demonstrar?

Muitas vezes, o que as crianças inquietas desejam é simplesmente nossa atenção e nosso tempo. Tanto elas quanto nós precisam de “tempo ocioso”, tédio, momentos de tranquilidade e calma que nos permita refletir.

Frequentemente somos nós quem estimulamos em excesso as crianças acreditando que quanto mais atividade elas fizerem, melhor será o seu futuro. Nesse sentido, é preciso entender que esgotar a criança, mantendo-a ocupada, não vai solucionar seu “problema”, pelo contrário, só vai aumentá-lo.

O que as crianças inquietas precisam?

Em primeiro lugar, as crianças inquietas precisam explorar o mundo. Tocar, sentir, experimentar, averiguar o funcionamento das coisas. Quando elas conseguem saciar a curiosidade, estabelecem novas conexões neurais no seu cérebro, que estão relacionadas às novas aprendizagens.

Os estímulos ao seu redor são a chave para o seu desenvolvimento, como é o caso de qualquer outro ser humano.

crianças inquietas se divertindo com os pais

Ao invés de negar o seu movimento e mantê-las quietos, pedir coisas como: “fique sentado na cadeira e não se mexa a tarde toda”, são prejudiciais tanto para elas quanto para nós. Para elas e para nós é estressante ter que impor algo do tipo.

O que devemos fazer com elas é prestar atenção na segurança do seu ambiente, gerar novas oportunidades de aprendizagem e nunca cortar as suas asas, sua curiosidade. Se realmente queremos que se tornem pessoas melhores no futuro, devemos entender que o que precisam são doses equilibradas de atividade guiada.

Ou seja, é preciso acompanhá-las, guiá-las e orientá-las para que ao realizar uma atividade – ou não – não se descontrolem.

Aprendendo a ser independente

Pode ser que seja difícil admitir, inclusive pode ser que doa perceber isso. No entanto, quando nossos filhos estão entre os 3 e 5 anos de idade, já entram em outra etapa em que deixam de precisar de nós com a mesma intensidade de quando eram bebês. Estão crescendo sem que a gente perceba!

Agora suas necessidades são outras. E ainda que adorem ser guiados e dormir no seu colo durante as tardes, também querem fazer outras coisas sozinhos. Isso é ruim? Não, ao contrário. Essa é uma boa atitude porque significa que estão aprendendo a se tornar independentes.

Assim como afirma Erik Erikson, as crianças dessas idades precisam tomar a iniciativa em muitos aspectos da sua vida cotidiana. Permitir que as crianças tenham seu espaço, assim como ter certas responsabilidades – sempre sob nossa supervisão -, sem dúvida facilitará seu desenvolvimento psicossocial e isso as levará a um bom caminho.

Lembre-se que ao evitar o uso de rótulos negativos e mudar sua visão, você perceberá que, na verdade, se trata de crianças tenazes, curiosas, coloridas e maravilhosas.