A interação entre os alunos no ambiente acadêmico

22 de dezembro de 2019
As crianças passam grande parte do tempo na escola, portanto, este é o local ideal para ensiná-las a interagir entre si de uma maneira saudável e respeitosa.

Estabelecer relações sociais com os pares durante a infância e a adolescência é essencial para alcançar um desenvolvimento ideal e equilibrado. Por isso, desde a escola, devemos incentivar a interação entre os alunos, promovendo assim as suas habilidades sociais, cognitivas e linguísticas.

Ou seja, as escolas devem criar espaços que permitam a colaboração e a cooperação entre os alunos. Dessa forma, os alunos se tornam um recurso ativo no processo de aprendizagem e crescem inseridos em um clima de diversidade no qual são promovidos diferentes valores, tais como:

  • Aceitação.
  • Respeito.
  • Inclusão.
  • Igualdade.

A cooperação entre as crianças tem uma importância tão grande quanto a ação dos adultos.”

-Jean Piaget-

A interação entre os alunos no ambiente acadêmico

Segundo Lewin Johnson, podemos definir três tipos de estrutura, de acordo com a relação estabelecida entre os objetivos acadêmicos e a influência dos pares para alcançá-los:

A interação entre os alunos no ambiente acadêmico

  • Estrutura individualista. Os objetivos são individuais, de modo que o trabalho das outras pessoas não influencia a consecução dos próprios objetivos. Nesse caso, cada aluno é recompensado individualmente de acordo com os seus resultados, independentemente dos que forem obtidos pelos outros colegas de classe.
  • Estrutura competitiva. Todos os alunos perseguem os mesmos objetivos, mas eles só podem ser alcançados se o restante dos colegas não conseguir alcançá-los também. Ou seja, baseia-se em um processo excludente no qual um aluno recebe a recompensa máxima enquanto os outros recebem recompensas menores.
  • Estrutura cooperativa. São estabelecidos objetivos conjuntos que só podem ser alcançados se todos os alunos forem bem-sucedidos, para que o grupo todo seja beneficiado e recompensado pelos resultados obtidos.

Tendo isso em vista, é possível dizer que o ideal para favorecer uma boa interação entre os alunos no ambiente acadêmico é aplicar uma estrutura cooperativa de aprendizagem, diferente da estrutura individualista e competitiva da escola tradicional. Portanto, a classe deve ser organizada de modo que a função do ensino seja tanto do professor quanto dos alunos.

“A cooperação é a convicção plena de que ninguém pode chegar à meta se não chegarem todos.”

-Virginia Burden-

Formar grupos de interação heterogêneos

A interação entre os alunos de uma forma colaborativa promove a melhoria dos seguintes aspectos:

Mas, para que isso aconteça, é importante que os agrupamentos criados para o trabalho cooperativo sejam:

  • Reduzidos: de três a cinco alunos por grupo.
  • Heterogêneos: compostos por alunos com diferentes capacidades, motivações, necessidades, etc.
interação no ambiente acadêmico

Nesse sentido, vale destacar que, para formar tais grupos de composição diversificada, é necessário tentar misturar meninos e meninas em diferentes grupos. Da mesma forma, possíveis compatibilidades e incompatibilidades entre colegas de classe devem ser avaliadas.

Uma vez que essas considerações tenham sido feitas, o professor deve distribuir os alunos em três subgrupos:

  • Aqueles que têm mais habilidade para ajudar. 
  • Aqueles que precisam de mais ajuda para fazer as tarefas escolares. 
  • Os outros alunos.

Dessa forma, pelo menos um dos alunos pertencentes a cada subgrupo deve ser incluído em cada grupo. Por exemplo, se for formada uma equipe de quatro pessoas, o ideal seria que ela fosse composta por um membro do grupo dos mais habilidosos, um aluno com certas necessidades educacionais e duas crianças que estejam no meio termo.

Assim, além de aprender o conhecimento acadêmico, os alunos também vão adquirir habilidades para socializar e lidar com todos os tipos de pessoas. 

“Se ensinarmos as crianças a aceitar a diversidade como algo normal, não será necessário falar em inclusão, mas sim em convivência.”

-Daniel Comín-

  • De la Corte, C. M. (2017). Relación entre iguales, personalidad y problemas de ajuste en escolares de primaria de Huelva (Tesis doctoral). Huelva: Universidad de Huelva.
  • García-Fernández, J. A. (1993). Interacción entre iguales en entornos de integración escolar: un ensayo de desarrollo profesional con profesores de educación infantil y de EGB (Tesis doctoral). Madrid: Universidad Complutense de Madrid.