O jardim de infância de Federico Froebel

30 Dezembro, 2019
Atualmente, a importância dos jardins de infância como espaço escolar para atender às necessidades educacionais específicas da fase infantil é algo indiscutível. Neste artigo, vamos conhecer as contribuições do pedagogo Federico Froebel para a constituição dos chamados 'jardins de infância'.

Friedrich Fröebel ou Federico Froebel, nascido em 21 de abril de 1782, na Alemanha, foi um pedagogo alemão que criou o conceito de ‘kindergarten’ ou ‘jardim de infância’. Os jardins de infância correspondem a um programa pedagógico desenvolvido por Froebel a partir da necessidade de atender pedagogicamente à criança em idade pré-escolar, por meio dos jogos.

Froebel é considerado por muitas pessoas o fundador da educação infantil, pois ele foi o responsável por pensar e organizar essa etapa educacional de acordo com critérios, metodologias, recursos e materiais de ensino específicos.

História dos jardins de infância de Federico Froebel

O jardim de infância surge como uma alternativa para a reforma da educação pré-escolar tradicional. Ou seja, como uma maneira de romper com o modelo de escolas de massa e de arquitetura fechada que não contemplava o contato direto das crianças com o seu ambiente natural.

Além disso, Froebel também repensa a estrutura da família e as suas práticas de criação que, segundo ele, deveriam ser reforçadas por uma educação no campo público e profissional de uma instituição.

Froebel foi um discípulo de Pestalozzi, que delegava grande parte da responsabilidade pela educação dos filhos às mães e ao lar. No entanto, Froebel, embora admitindo essa ideia inicial, também defendia uma educação que continuasse com esse trabalho, mas fora do âmbito familiar.

O jardim de infância de Federico Froebel

Para Froebel, deveria haver, além de uma função educacional atribuída às mulheres, como sustentava Pestalozzi, uma instituição pública responsável pela formação em cidadania das crianças em idade pré-escolar.

Assim, o jardim de infância representava um compromisso entre a educação das crianças em casa e aquela que era desenvolvida em uma instituição. Ao limitar os períodos a três ou quatro horas por dia, o jardim de infância pretendia complementar, e não substituir a família.

Em 1937, ele abriu a sua primeira creche, que três anos depois chamaria de “jardim de infância”. E, precisamente, ele escolheu esse nome porque era um lugar onde as crianças eram consideradas plantas em um jardim e o professor atuava como jardineiro.

As suas ideias pedagógicas desenvolvidas e colocadas em prática nos modelos das instituições chamadas de jardim de infância foram posteriormente estendidas por toda a Europa e por vários países ao redor do mundo, até os dias atuais.

Principais características do jardim de infância

O principal objetivo dos jardins de infância era oferecer uma educação natural e inclusiva em um espaço escolar organizado, mas ao mesmo tempo aberto, dinâmico e flexível, no qual as crianças pudessem se desenvolver e se expressar plenamente.

Os métodos pedagógicos de Froebel que eram utilizados nos jardins de infância tentavam despertar a consciência das crianças em relação ao relacionamento com o todo e com a diversidade, em permanente harmonia. Por meio de músicas, jogos e brinquedos, eram trabalhadas a expressão corporal e a cooperação com os outros.

A disciplina era orientada para cultivar a natureza da criança, e não para restringi-la, dando especial importância à atividade espontânea da criança. Assim, Froebel buscava, por meio da educação, um desenvolvimento completo da criança, buscando que ele fosse:

  • Ativo. Despertando as habilidades criativas por meio da ação e da brincadeira, que é o que as conecta ao mundo.
  • Sensível. Promovendo a percepção e o desenvolvimento de seus órgãos sensoriais a partir do contato com o mundo, os seres e os objetos ao seu redor.
  • Cognitivo. Produto desse contato com o mundo e com a realidade.

Os ‘dons’ para aprender no jardim de infância

Para alcançar os seus objetivos educacionais, Froebel desenvolveu uma metodologia baseada no uso de materiais simples, criando os chamados ‘dons’ ou ‘presentes’. Estes eram objetos sólidos baseados em figuras geométricas (cubo, cilindro e esfera), cuja complexidade ia aumentando.

Eles constituíam materiais didáticos específicos para que as crianças brincassem e fizessem diferentes atividades didático-formativas.

A intenção de Froebel era que, por meio desses materiais, as crianças pudessem adquirir habilidades manuais e exercitar os seus sentidos enquanto aprendiam a representação de forma, cor, movimento, matéria e a sua associação com a palavra.

O jardim de infância de Federico Froebel

Os dons eram constituídos por:

  • Cor: seis bolas de linha com as cores do arco-íris.
  • Forma: bola, cilindro e cubo de madeira.
  • Número: um cubo desmontável em oito cubos menores.
  • Extensão: um cubo desmontável em oito paralelepípedos.
  • Simetria: um cubo desmontável em 27 cubinhos.
  • Proporção: um cubo desmontável em 27 pequenos cubos paralelepípedos.
  • Superfície: tabuletas de madeira, quadrados inteiros e metades de quadrados de diversas cores.
  • Linhas e contornos: varetas de diferentes comprimentos, círculos completos de metal, semicírculos e quadrantes, todos de cores diferentes.
  • Pontos: pedrinhas, lentilhas, ervilhas, pedaços de papelão.
  • Reconstrução: palitos e bolinhas de massa de modelar para voltar desde o ponto até a figura.

Considerações finais

Para alcançar os seus objetivos educacionais, além dos jogos e do trabalho com os ‘dons’, Froebel trabalhou com as crianças em duas outras atividades. Essas atividades consistiam em jogos ‘cinéticos’ e ‘jardinagem’ e completavam os três eixos de atividades do jardim de infância.

Os jogos cinéticos consistiam em corridas, danças e representações, que permitiam o movimento corporal das crianças.

E a ‘jardinagem’ permitia que elas acompanhassem a evolução de uma planta, desde o momento em que é plantada até sua floração, e os cuidados necessários para que isso aconteça. Dessa maneira, por meio da jardinagem, Froebel pretendia fazer com que as crianças descobrissem a si mesmas na natureza.

  • Heisland, H. (1993). Friefrich Fröbel. Perspectivas Revista Trimestral de Educación. (3-4). Vol. XXIII. pp. 501-519. Recuperado de http://www.ibe.unesco.org/sites/default/files/frobels.PDF
  • Gervilla Castillo, A. (2006): Didáctica básica de la educación infantil: conocer y comprender a los más pequeños. Editorial Narcea. Madrid.