A maternidade após câncer de ovário

A maternidade após câncer de ovário

Última atualização: 31 Março, 2021

Na época atual não existem muitos limites que nos impeçam de ser mães. Os avanços na área da reprodução trouxeram esperança a milhares de mulheres que, por algum motivo, tinham dificuldades para realizar do sonho de ser mãe. Por exemplo, a maternidade pode acontecer até mesmo após o câncer de ovário.

Quase nada pode ser tão desesperador quanto o câncer de ovário para quem quer ser mãe. No entanto, os cientistas conseguiram reverter a complexidade da situação. Nesse caso, não se trata apenas do combate ao câncer, mas, uma vez vencido, ainda há o desafio da gravidez.

É possível ser mãe depois do câncer de ovário?

Os ovários são os órgãos responsáveis pela produção dos óvulos, exatamente o que as mulheres precisam para conceber. No entanto, quando são afetados por uma doença como o câncer, sua capacidade pode ser prejudicada. Na maioria dos casos, a mulher acaba perdendo pelo menos um de seus ovários.

Se a doença tiver afetado apenas um dos ovários, pode não haver grande problema em conseguir engravidar com o órgão que está saudável. As chances se reduzem pela metade, mas a esperança é alta. Para uma mãe em potencial, apenas 50% de esperança é mais do que suficiente.

Procedimentos cirúrgicos e o câncer de ovário.

Pode ser que os médicos sejam mais céticos em relação a esse tipo de prognóstico. Contudo, recentemente pesquisadores do Instituto Universitário Dexeus de Barcelona conseguiram replicar técnicas inovadoras na área. Na Espanha, já nasceu um bebê de uma mãe que venceu o câncer de ovário.

Como em outros tratamentos, o procedimento consiste em prevenir um possível comprometimento do tecido ovariano e, portanto, de sua função ovulatória. Para isso, é realizada a chamada vitrificação de ovócitos. O resto cabe à genialidade dos especialistas.

Exemplos que são provas disso

Vanesa se tornou uma sobrevivente do câncer e uma mãe feliz

Pedro Barri, presidente da Fundação Dexeus Saúde da Mulher, explica que a única forma de preservar a maternidade de uma paciente com câncer de ovário é a vitrificação dos ovócitos. Essa técnica é realizada por meio da estimulação ovariana durante dois ciclos menstruais. Isso leva à hiperovulação, cujo objetivo é extrair mais óvulos.

Os ovócitos ficam congelados para que sejam utilizados no futuro, se quisermos conseguir a desejada maternidade. No entanto, o câncer deve primeiro ser vencido. Às vezes, esse tipo de câncer requer a remoção do útero, mas não foi esse o caso.

A paciente que realizou esse procedimento foi Vanesa Pastor, que em 2009 foi diagnosticada com tumor no ovário esquerdo. Após o terrível diagnóstico, os médicos decidiram remover o órgão, um procedimento que foi realizado em uma clínica de Aragão, na Espanha.

Após a cirurgia, a biópsia revelou a necessidade de retirada do outro ovário, o que encerraria definitivamente a capacidade reprodutiva. Após a devastadora notícia, Vanessa decidiu procurar a Dexeus para obter uma nova opinião.

Dessa vez, os médicos lhe deram esperança, eles congelariam seus óvulos para garantir maiores chances. Depois de submetê-la à estimulação e retirar seus óvulos, em 2010 seu último ovário foi removido.

Antes do esperado, um ano após o tratamento, a mulher havia superado o câncer e se preparava para engravidar. Aos 18 meses, o resultado foi positivo. Após a implantação de um embrião a partir dos ovócitos congelados, ela engravidou.

Mario nasceu

O resultado desse difícil procedimento é muito mais do que um milagre para essa mãe. Depois de passar por esse tratamento exaustivo e se tornar conhecida como uma sobrevivente do câncer, ela agora é mãe. Trinta e nove semanas após o teste positivo, nasceu seu filho, Mario.

Vanesa diz que seu desejo de ser mãe foi mais forte do que qualquer obstáculo. Ela se sentiu sem chão quando soube que perderia os dois ovários. A esperança que recebeu da Fundação Dexeus Saúde da Mulher foi suficiente para tentar.

A mãe já tinha 31 anos, então ela parou de pensar no câncer, e desde então se concentrou no futuro filho. Sua maior motivação para lutar contra a doença era que uma recompensa inestimável viria mais tarde.

A fundação custeou mais de 15 mil euros pelo tratamento, valor que parece ser pequeno comparado com a felicidade de Vanesa ao se tornar mãe. Essa história teve um final feliz, mas infelizmente o tratamento não se aplica a todas as mulheres que sofrem dessa condição. No entanto, quem deseja preservar sua fertilidade não deve perder a esperança.

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