O sentimento de culpa nas crianças

29 de julho de 2019
O sentimento de culpa está muito relacionado ao estilo de parentalidade que tivemos. Descubra como ajudar seu filho a se sentir responsável e inocente.

Embora a infância pareça ser um período simples e leve da vida, o mundo interior das crianças é mais rico e complexo do que pensamos. Quando somos pequenos, começamos a desenvolver crenças e emoções que nos acompanharão pela vida toda, incluindo o sentimento de culpa.

O que é o sentimento de culpa?

O sentimento de culpa nas crianças pode ser definido como a inquietação emocional que surge após cometer uma ação que é considerada inadequada ou que magoa os outros. É precisamente por causa da nobreza de coração das crianças que a culpa tem um impacto especial sobre elas.

Essa é uma emoção poderosa, prejudicial e paralisante. Se durante a infância não aprendemos a administrá-la adequadamente, poderemos condicionar nossa personalidade e nossas reações ao longo da vida.

De onde vem o sentimento de culpa?

No entanto, a culpa não é algo inato, com o qual nascemos. A culpa é um sentimento social que aprendemos e adquirimos através de nossas experiências.

sentimento de culpa em crianças

Muito de nossa visão e nossa relação com a culpa depende da educação recebida e, portanto, do trabalho de nossos familiares e professores. Desde pequenos nós observamos os adultos da nossa vida para julgar e culpar outras pessoas e a si mesmos. Dessa forma, inconscientemente, nós imitamos o padrão de comportamento deles.

Também é muito comum os adultos usarem a culpa como um método educacional para fazer com que as crianças vejam as consequências de suas ações. Mas é muito importante manter uma disciplina consciente e coerente, e não apenas baseada nas reações emocionais descontroladas do próprio adulto.

Culpa ou responsabilidade

Como seres humanos, todos cometemos erros na vida. Às vezes, realizamos ações que, mais cedo ou mais tarde, reconhecemos como incorretas. É então quando o estilo parental com o qual fomos educados entra em jogo, propiciando alguns ou outros sentimentos em tal circunstância.

Crianças educadas em culpa

Uma criança educada em culpa está acostumada a ver julgamentos inflexíveis em seu ambiente. Se continuamente recriminarmos o que a criança faz de errado, estaremos prejudicando sua autoestima. Esse tipo de acusação não leva à reflexão e ação, mas sim à estagnação.

A criança que vive essas experiências ficará ancorada nesse desconforto emocional porque não recebeu recursos para administrá-lo de outra maneira. Esse padrão de resposta pode eventualmente condicionar sua vida, causando insegurança, medo e autodiscriminação.

Isso também afetará suas habilidades de relacionamento interpessoal, uma vez que uma criança criada em culpa tem maior vulnerabilidade a esse sentimento, sendo capaz de ser facilmente manipulada ou de se tornar manipuladora.

Crianças educadas em responsabilidade

Embora seja necessário transmitir aos filhos a diferença entre o bem e o mal e estabelecer normas e limites para eles, devemos fazer isso por meio da responsabilidade.

A principal diferença é que, a partir dessa abordagem, as consequências naturais dos atos são destacadas, e não as penalidades impostas. Devemos promover a autonomia moral de nossos filhos, orientando-os a agir de acordo com valores, e não por obrigação ou medo.

menina chorando

Devemos ajudá-los a refletir sobre suas ações e consequências de formas construtivas, sempre destacando o passo para a ação. Uma vez que a falha é reconhecida, a chave é encontrar uma maneira de alterá-la e aprender com os erros. Uma vez feito isso, a emoção deve desaparecer. Ficar ancorado só causa sofrimento inútil.

Como criar filhos responsáveis ​​e não culpados?

  1. Torne-se responsável por suas próprias emoções. Um dos comportamentos que mais magoam as crianças é quando os pais as fazem se sentir culpadas por sua própria raiva ou desconforto. Lembre-se de que você é responsável por gerenciar suas emoções. Por isso, não delegue esse fardo aos seus filhos.
  2. Ensine seu filho a definir a culpa. Ajude-o a refletir sobre sua parcela de responsabilidade no assunto e aquilo que não corresponde a ele. Oriente-o de modo que ele não carregue uma culpa ou demanda excessiva.
  3. Incentive a expressão emocional. Ser capaz de expressar e compartilhar o sentimento de culpa nos ajuda a sair do isolamento e gerenciá-lo de uma maneira mais adequada.
  4. Sempre enfatize a importância da ação. Refletir sobre os erros para corrigi-los ou, na falta disso, pedir perdão. E, portanto, nunca ficar paralisado no desconforto que isso pode causar.