O movimento realfooding

17 de outubro de 2019
Apresentamos o movimento realfooding: o retorno à comida real não ultraprocessada.

Nos últimos anos, houve uma expansão, principalmente no mundo das redes sociais, do termo realfooding. Foi possível ver como tem aumentado, dia após dia, o número de seguidores desse movimento baseado no consumo de comida real, os chamados realfooders. Mas, sabemos no que se baseia essa nova tendência?

O que é o movimento realfooding?

De acordo com o seu criador, Carlos Ríos, o movimento realfooding consiste em seguir um estilo de vida baseado em comer comida real e evitar os alimentos ultraprocessados.

Portanto, mais do que uma nova moda, trata-se de voltar a consumir a comida “de sempre”, o retorno ao feijão com arroz da vovó e à alimentação baseada em matérias-primas, e não mais comidas baseadas em produtos elaborados com longas listas de ingredientes que são tudo menos benéficos para a nossa saúde.

Ainda que à primeira vista possa parecer que esse movimento é um incentivo para fugirmos desesperadamente dos supermercados, locais onde abundam os alimentos ultraprocessados, a verdade é que existe um grupo de alimentos que são permitidos.

ser realfooders

Tal grupo inclui alimentos que, mesmo sofrendo algum tipo de processamento tanto industrial quanto artesanal, apresentam resultados inócuos ou mesmo benéficos com relação às propriedades saudáveis intrínsecas desse alimento.

Além disso, esses processos (mecânicos, físicos ou químicos) são realizados com o propósito de torná-los mais seguros e duradouros ou de facilitar o seu consumo.

Como exemplo de alimentos processados saudáveis que se costuma consumir com maior ou menor frequência temos os seguintes:

  • Azeite de oliva extra virgem.
  • Leite UHT.
  • Laticínios fermentados (iogurtes ou kefir).
  • Leguminosas em conserva.
  • Conservas de peixes e frutos de mar.
  • Macarrão integral.
  • Pão integral.
  • Hortifrútis congelados.

Por que ser realfooder?

Os motivos que podem nos levar a seguir essa forma de alimentação chamada realfooding são múltiplos e variados. Um dos principais fatores que motiva muitas pessoas a experimentar essa mudança é a saúde.

De fato, nas últimas décadas foi possível ver como os índices de obesidade aumentaram no mundo todo de forma alarmante, e sem sinais de serem revertidos, tanto em adultos como em crianças. Com isso, aumentaram também as doenças associadas a essa patologia, como o diabetes mellitus tipo 2, a hipertensão, as hipercolesterolemias, entre outras.

A situação só tende a se agravar como consequência dos maus hábitos alimentares, entre os quais podemos incluir o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados.

Por isso, para combater o que já é considerado uma epidemia, é necessário realizar uma mudança que deve começar por incorporar hábitos de vida e alimentação saudáveis em casa.

Entre esses hábitos, devemos incluir uma alimentação baseada no consumo de alimentos reais e saudáveis (frutas, legumes, hortaliças, leguminosas, oleaginosas, sementes, carnes magras, peixes, ovos e laticínios), além da prática de atividade física diária.

Tudo isso permitirá manter a longo prazo tanto o bem-estar físico quanto o psicológico da sociedade.

Todos podemos participar do movimento realfooding?

Se essa pergunta vem à cabeça, a resposta é claramente “sim”. Todos, desde os mais jovens aos mais velhos da casa, podem e devem deixar de lado os alimentos ultraprocessados e passar a comer comida de verdade.

No que diz respeito às crianças, no meu ponto de vista, é mais benéfico e eficaz no longo prazo, já que é no início do desenvolvimento que se instauram os hábitos de vida que nos caracterizam e marcam na idade adulta.

o movimento realfooding

Mas, às vezes, a implantação desses hábitos nas crianças não é algo simples. Por essa razão, deixamos aqui quatro conselhos que ajudarão nessa tarefa:

  1. Elaborar refeições coloridas e variadas. Se adicionarmos uma pitada de imaginação, certamente conseguiremos surpreendê-las e deixar os alimentos saudáveis e irresistíveis.
  2. Eliminar os alimentos ultraprocessados da lista de compras. Se na despensa só tivermos alimentos saudáveis, eles serão utilizados. No entanto, se contarmos com alimentos não saudáveis, mesmo que para consumo ocasional, o mais provável é que sejam consumidos mais frequentemente.
  3.  Servir de exemplo. As crianças aprendem por imitação. Por isso, nada melhor do que verem seus modelos de referências comendo e saboreando alimentos de boa qualidade.
  4. Envolver as crianças nas rotinas de alimentação da casa. Levá-las às compras e deixá-las participar do preparo das refeições. Sem dúvida, não há melhor maneira de conhecer os alimentos do que vivenciando em família a experiência.