Não corte minhas asas: nasci para aprender brincando e experimentando

· 9 de fevereiro de 2017

“Não corte minhas asas”, diriam as crianças se pudessem se expressar adequadamente desde muito pequenas aos pais que com a paciência esgotada imploram que a criança fique quieta, calada e sem esparramar nada.

“Não corte minhas asas, sou somente uma criança”, responderia qualquer criança diante de cada grito, raiva, castigo, chantagem ou frustração proveniente de qualquer mãe ou pai chateado diante de situações que irritam e acreditam não poder controlar.

Certamente, nós pais costumamos em geral cometer erros com respeito à infância de nossos filhos e este é um erro crasso. Não podemos achar que as crianças têm a obrigação de permanecer como estátuas ou manter um comportamento de adultos.

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Não corte minhas asas: me deixe brincar, estou aprendendo

Nenhuma criatura nasce para permanecer quieta em um lugar, nem para ser paciente. Tampouco é certo esperar que os menores não toquem tudo o que veem ou fiquem calados durante muito tempo. Ao menos podemos esperar como mães, que a criança simplesmente se mantenha entretida por si só.

“Não corte minhas asas”, diante de nenhum ponto de vista, embora o cansaço e a paciência às vezes não resistam ao dia a dia. Ainda que você se encontre atarefada, com centenas de coisas, e se encontre prisioneira de outras cem preocupações, é o mundo de seu filho e ele precisa de você para crescer feliz.

Nada melhor que investir tempo, dedicação e muito amor a essas solicitações que um dia retornarão ainda acrescidas em relação ao que foi dado. Não basta colocar seu filho à frente de um computador, nem comprar os melhores brinquedos; a criança necessita da sua companhia, contato e estimulação.

Todos estes elementos fundamentais para a criança e o desenvolvimento deles se combinam e conjugam magistralmente nas brincadeiras infantis, as quais incluem a exploração do mundo. De conhecer e aprender se trata toda experiencia lúdica e porque não, toda desordem e bagunça na casa.

Não corte minhas asas, só estou tentando descobrir o mundo

“Mamãe, não corte minhas asas o tempo todo”. Deixe de perseguir e limitar exageradamente seus filhos pensando nos perigos, infecções e na higiene pessoal. A criança necessita de proteção, mas também merece conhecer o mundo. Porém, se você não permite de vez em quando que seu filho ande descalço, brinque com a comida ou toque na terra, ele poderá deixar de aprender coisas importantes.

É que a criança definitivamente necessita aproximar se de qualquer objeto novo que chame sua atenção e desperte sua curiosidade, se dirigir à aventura e sobre todas as coisas, dedicar-se por completo a descobrir o mundo com todo seu corpo.

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E assim, é preciso mover-se, ser inquieto, se sujar, colocar coisas na boca e criar certa desordem, perceber, sentir e tocar diferentes texturas. É hora de confiar nas atitudes deles, que são tão instintivas que parecem gravadas naturalmente.

E o que importa se isto implica em ter de passar o ano inteiro arrumando os brinquedos espalhados por cada lado da sua “preciosa casa”, lavando um monte de roupas além do habitual, limpando seu filho tantas vezes ao dia cada vez que ele tenha uma outra ideia de como se sujar?

Não importa quantas vezes você deva sair correndo atrás da criança, nem a quantidade de olhos familiares observando para que não aconteça nada de pior.

O tempo não volta atrás, por isso trate de desfrutar e dar o melhor que puder para esse pequeno ser, que lhe dá um amor tão incondicional e único. Que tudo seja pelo bom desenvolvimento da infância de seu filho, para que seja uma criança, inteligente, livre e plena.

É momento de deixar que ele voe. “Não corte minhas asas”. Permita que ele brinque de mil maneiras, até as mais incomuns e surpreendentes, pois ao final das contas, tudo se transformará em conhecimento, mais do que úteis para toda sua vida.