Não force os seus filhos a dar beijos: não devemos impor o afeto

Não force as crianças a dar beijos nos outros se não quiserem ou se estiverem incomodadas. Isso é ir contra a sua vontade, fazendo com que acreditem que não mandam no próprio corpo. O afeto não é algo que devemos impor. O afeto deve nascer de forma livre, espontânea e desejada, nunca imposta.
Não force os seus filhos a dar beijos: não devemos impor o afeto
Valeria Sabater

Escrito e verificado por o psicólogo Valeria Sabater.

Última atualização: 06 janeiro, 2022

Não faça isso. Não force as crianças a dar beijos nos outros se não quiserem ou se estiverem incomodadas. Isso é ir contra a sua vontade, fazendo com que acreditem que não mandam no próprio corpo. Afinal, lembre-se: o afeto não é algo que devemos impor, o afeto deve nascer de forma livre, espontânea e desejada, nunca imposta.

Muitos de nós, mesmo na idade adulta, temos em nossas mentes uma ou outra lembrança incômoda sobre esse mesmo assunto. Nossos pais e nossas mães nos obrigavam a beijar aquela tia que nunca tínhamos visto antes, aquele primo de quem não gostávamos tanto ou aquela vizinha de quem simplesmente não queríamos nos aproximar.

Este é um comportamento social tão popular em nossa vida diária que dificilmente o questionamos ou quase não lhe damos importância. E não fazemos isso por vários motivos: o primeiro porque, em nossas culturas, este é um ato de cortesia: damos dois beijos, cumprimentamos e começamos a conversar. No desejo de introduzir os pequenos a esses comportamentos sociais, é comum forçá-los a fazê-los desde cedo, ficando na ponta dos pés para beijar ou serem beijados.

No entanto, esta não é uma experiência agradável para muitas crianças. Elas simplesmente não querem essa proximidade, nem querem ser beijadas ou acariciadas por pessoas que não conhecem ou que as incomodam. Então… por que fazemos isso? Por que insistimos nisso? Em “Sou mamãe” sugerimos que reflita sobre o assunto para que também possa nos dar a sua opinião.

Os beijos devem ser dados, não impostos

menina irritada

Considere por um momento o tipo de mensagem que transmitimos a nossos filhos quando os forçamos a beijar, por exemplo, um dos nossos colegas de trabalho que eles nunca viram antes. Imagine como se sente o clássico menino tímido, muito introspectivo e ao mesmo tempo orgulhoso a quem a mãe incita com a clássica frase “vamos lá, já disse para dar um beijo nele, o que você está esperando?”

  • Esse menino ou menina forçada a dar um beijo pensa que o seu corpo não lhe pertence, que não manda nele e que deve obedecer na hora de oferecer demonstrações de afeto, independente de senti-las ou não.
  • Isso não é adequado. Tanto assim que isso pode deixar pequenas sequelas em nossos filhos ao se sentirem violados e usados.
  • Além disso, e aqui está o perigo, uma criança pode pensar que não tem voz ou voto. Que o importante é o que os adultos pedem e que ela deve obedecer sem levar a sua vontade em consideração.

Isso não é adequado. Algo que parece bobo, na verdade, contém muitas nuances.

Meu corpo é meu

O CAPS Hauraki é uma associação da Nova Zelândia que luta contra o abuso infantil e, ao mesmo tempo, desempenha um papel interessante no aconselhamento às famílias.

  • Muito recentemente, iniciaram uma campanha interessante com um propósito muito específico: sensibilizar os pais sobre a necessidade de não obrigar os filhos a beijar quem eles não querem.
  • Temos que entender que as crianças estão em uma fase na qual aprendem do que se trata o consentimento.
  • Em relação ao contato físico, os pequenos devem entender o quanto antes que o seu corpo lhes pertence. Ninguém tem o direito de tocá-los sem a sua permissão, ninguém pode ou deve obrigá-los a fazer algo que não queiram neste aspecto tão íntimo.
menina beijando mãe

Por exemplo, essa associação fala sobre a má experiência que algumas crianças têm na época do Natal, quando são forçadas a sentar no colo de um Papai Noel que as assusta ou desagrada. Nem todas as crianças terão a mesma experiência, mas, para algumas delas, ter que se sentar no colo de um estranho é algo muito desagradável.

Dê o exemplo sem impor

Há pais que continuam a pensar que os filhos são sua propriedade e que, por isso, podem obrigá-los a fazer quase qualquer coisa que, para eles, pareça ser correta.

Porém, devemos entender claramente: uma criança não é nossa propriedade, é nossa RESPONSABILIDADE e, portanto, devemos estar atentos às suas necessidades e respeitar suas decisões.

  • Se eles não querem beijar certos parentes, amigos ou familiares, não obrigue. Nunca faça isso, caso contrário estará manipulando a sua integridade física, fazendo com que acreditem que não possam se recusar.
  • Nossa melhor opção é simplesmente dar o exemplo. Deixe que vejam como são as regras de cortesia, como nos cumprimentamos, como nos despedimos. Permita que a criança veja e se aproxime para dar um beijo por vontade própria.
beijos de criança

Se o nosso filho não quiser ser beijado, dê uma sugestão simples: dar um aperto de mão. Este ato não é desconfortável e cumpre seu papel. O tempo deve animá-lo para a prática de outros gestos sociais.

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