O trabalho é a maior causa de abandono da amamentação

14 de março de 2017

Muito já foi falado sobre o impedimento profissional que a maternidade representa, no entanto, apesar de todos os dias muitas mães darem um jeito de contornar sua situação, o trabalho se transformou na maior causa de abandono da amamentação. Ou seja, de alguma maneira, o papel de mãe sempre é afetado pelo compromisso profissional, pois poderia prejudicar o intercâmbio em muito sentidos.

Uma mãe que trabalha necessita que seus dias sejam mais longos e que de alguma maneira a vida facilite dois de seus principais papéis: o de mãe e o de profissional. Apesar dos benefícios laborais que uma mulher recebe com a maternidade, em um curto período de tempo é necessária a separação entre o bebê e sua mamãe; por isso nasce a dificuldade de amamentar com a mesma regularidade dos primeiros meses.

Mesmo que existam muitas causas pelas quais se dá o abandono da amamentação, a principal continua sendo o trabalho. Infelizmente, as mães trabalhadoras se desconectam do precioso vínculo a tal ponto que é difícil retomá-lo da mesma forma que antes, mesmo sem que o bebê deixe de receber seu leite.

O abandono da amamentação antes dos seis meses

O alimento exclusivo do bebê durante seus primeiros meses de vida deve ser o leite materno, no entanto, muitas mães se veem obrigadas a abandonar este processo antes que se cumpra o período exclusivo dos seis meses devido a seus compromissos profissionais. É estimado que pelo menos 46% das mães apenas na Espanha tenham abandonado a amamentação antes que seu bebê alcançasse esta etapa, das quais 62% das razões é o trabalho.

Tal afirmação está amparada nos resultados de um estudo realizado pelos laboratórios Suavinex, focado especialmente nos dados de conciliação da vida familiar e profissional e a amamentação. Apesar de que todas as mães que abandonam prematuramente a amamentação desejam continuar favorecendo seus filhos por meio deste processo, nem todas podem alcançar este propósito da forma como queriam.

Como sabemos, é possível extrair e conservar o leite materno para continuar beneficiando o bebê com este alimento mesmo quando não estamos com ele; esta é uma alternativa que é comumente utilizado pelas mães trabalhadores, mas que não pode durar para sempre. Segundo as recomendações da Organização Mundial de Saúde, a amamentação permite que a criança receba a maioria de seus nutrientes e vitaminas necessárias em sua primeira fase da vida; por isso é conveniente seguir administrando o leite inclusive através da mamadeira.

Não obstante, algo que se perde definitivamente quando a mãe sai para trabalhar é o apego que se cria entre ambos, pois se corta prematuramente o período importante de exterogestação. De maneira que, o abandono da amamentação antes dos seis meses constitui um inconveniente que pode se refletir na saúde física e emocional do bebê, algo que também pode acompanhá-lo até a idade adulta.

Medidas que levam ao abandono da amamentação

De acordo com o informe do Estudo de Conciliação e Amamentação mais de 40% dos bebês espanhóis não recebe alimentação por esta via durante o tempo determinado pela OMS; sendo a causa mais frequente a questão profissional.

Mais da metade das mães entrevistadas admite ter tido dificuldades para conseguir amamentar seu filho durante seu primeiro ano de idade e mais de 30% não se sente satisfeita com o tratamento recebido em seu ambiente de trabalho como a realização de alterações em seus horários de trabalho e outros benefícios recebidos com a maternidade.

Neste sentido, pelo menos 43% das mães de bebês em fase de amamentação disseram que reduziram seus horários de trabalho para atender seus bebês; mas esta decisão representa uma diminuição em seu salário e uma regressão em sua evolução dentro da empresa. Não obstante, nem todas as mulheres nesta situação estão em posição de fazer essas mudanças, e por isso terminam deixando o cuidado de seus filhos a outra pessoas para não perder seu progresso profissional.

Muitas outras mães se transformam em autônomas ou se encaminham a postos em empresas menores, pois em geral o plano é poder atender a seus bebês com mais dedicação e assegurar a amamentação em primeiro lugar. Extrair o leite é uma alternativa que 30% das mulheres entrevistadas escolheu e outros 27% decidiram amamentar o bebê somente no período em que não estão trabalhando; ou seja, vemos que pouco a pouco começa o processo de desmame por causa dos compromissos profissionais.