“Não sou travesso, tenho autismo”: um vídeo contado em primeira pessoa

· 6 de julho de 2018
A Sociedade Nacional de Autismo do Reino Unido não podia ter realizado uma campanha mais impactante. Com o nome “Não sou travesso, tenho autismo“, a organização nos ensinou o que vê e sente uma criança com essa condição durante angustiantes e reveladores 90 segundos.

Trata-se de um vídeo que busca gerar consciência na população em torno das dificuldades e dos problemas que as pessoas que têm este transtorno enfrentam todos os dias. Como se sentem e vivem as pessoas com autismo é a ideia das pessoas que pensaram neste lançamento.

Uma lição sobre autismo que vai abrir seus olhos

Este curta-metragem, que estreou no Dia Mundial de Conscientização do Autismo tem como propósito mostrar para a sociedade as dificuldades sensoriais que padecem as crianças com este transtorno e como afetam sua vida cotidiana.

Durante o minuto e meio que dura esta produção audiovisual, é mostrado uma criança entrando em um centro comercial junto com sua mãe. As milhares de sensações, odores e visões se fazem presentes e se intensificam angustiando e desorientando a criança.

Enquanto a criança conta de um a dez tentando se acalmar, as luzes e os barulhos do shopping começam a ofuscar tudo. Entretanto, a criança não consegue mais ficar impassível perante tanta estimulação dos sentidos e a perturbação deles, mostrando quão insuportável é a situação que um simples passeio impõe.

Além da perspectiva eminentemente subjetiva do vídeo, a locução também ajuda a causar o impacto e gerar consciência sobre a condição que afeta uma a cada 68 crianças “Não sou travesso, tenho autismo. Recebo muita informação”.

O que sente uma criança com autismo? Este vídeo em primeira pessoa é a resposta

A ideia deste vídeo, criado pela Sociedade Nacional de Autismo inglesa é melhorar, usando mensagens como esta, a compreensão das crises sensoriais desta patologia. Mas sem dramatizar, sem sensacionalismos ou protagonismo. A intenção é passar a mensagem de forma clara, com muita qualidade e fidelidade.

tenho autismo

Não me julgue, só me entenda” seria a mensagem desta importante produção de um minuto e meio, capaz de explicar muito, e ensinar ainda mais, sobre como é viver em primeira pessoa a realidade que enfrentam as crianças com autismo em situações comuns.

Porque, como vemos, todo barulho – até o menor deles – e qualquer imagem se transforma em um inferno de estímulos visuais e auditivos que acaba se tornando realmente exasperante e asfixiante. Esse é o drama diário na escola, no parque e no trabalho.

Se para nós é um pouco desagradável a “invasão” sonora, os brilhos intensos e a quantidade de gente nos lugares de compras, imagina como é para alguém com autismo, que sente todos esses estímulos multiplicados por cem? Por isso mesmo, é importante sabermos de seus problemas e criar uma empatia com essas pessoas.

Este material mostra também o que é a hipersensibilidade ou hipossensibilidade, transtornos muito comuns entre as pessoas com autismo. Então, todo estímulo é notado de maneira muito mais intensa. E o pior é quando eles se mostram incomodados e tentam sair dessa situação por meios próprios enquanto o entorno os julga gratuitamente.

O que são os ‘Transtornos do Espectro Autista’ (TEA)?

Os chamados “Transtornos do Espectro Autista” são uma condição na qual fica alterado – em distintos níveis – o desenvolvimento correto da comunicação e a linguagem, a interação social e a flexibilidade na conduta.

Um estudo recente da Fundação Autism Speaks concluiu que a incidência de autismo aumenta por volta de 17 por cento cada ano. Com isso, essa condição de saúde se tornou mais comum que a Síndrome de Down, a Tuberculose e a AIDS infantil.

Paralelo a isso, a Organização Mundial da Saúde calculou no ano de 2013 que aproximadamente 70 milhões de pessoas no mundo têm autismo. Esse mesmo órgão definiu a condição como “uma complexa desordem no desenvolvimento do cérebro”.

Veja a continuação o vídeo citado neste texto, que exibe – de maneira geral – o que sente uma pessoa com autismo. E compartilhe este artigo para conseguir construir, com a ajuda do máximo de gente possível, um mundo mais inclusivo, compreensivo, empático e muito menos preconceituoso.