Nascer por cesariana também é uma forma "sagrada" de chegar ao mundo

Algumas pessoas consideram a cesariana um problema porque é uma forma "não natural" de dar à luz. No entanto, esse método pode ser muito benéfico. Por isso, é aconselhável aprender mais sobre ele para eliminar preconceitos. Descubra mais informações a seguir.
Nascer por cesariana também é uma forma "sagrada" de chegar ao mundo

Última atualização: 05 Agosto, 2021

Nascer por cesariana também é uma forma sagrada de se chegar ao mundo, pois não existem nascimentos mais dignos ou menos dignos. Todo nascimento é um ato de amor, todo nascimento é mágico, intenso, doloroso e cheio de emoções. Aquela cicatriz na sua barriga será uma assinatura eterna em sua pele: o pacto através do qual seu bebê pôde assumir seu lugar nessa vida.

Há quase um ano, foram compartilhadas nas redes sociais uma frase e algumas imagens que indignaram milhares de usuários. O comentário era que “Trazer bebês ao mundo por cesariana era pecado”. Este é sem dúvida um exemplo da mais extrema ignorância e do fanatismo infundado que só suscitou polêmica e recebeu várias críticas. No entanto, por mais curioso que pareça, a cesariana por vezes ainda é vista como uma forma “pouco natural” de dar à luz um filho.

Devemos entender que o termo “natural” possui nuances. Um parto normal sempre tem mais vantagens para a mãe e para o bebê, é claro, mas a cesariana deve ser considerada uma coisa maravilhosa também por um fato bem específico: desde que começou a ser praticada, salvou milhões de vidas. Apenas por isso já deveria ser considerada um ato igualmente sagrado porque é graças a essa técnica cirúrgica que a vida é possível, que a felicidade é possível.

Porém, o que se exige em várias associações, grupos e instituições é a necessidade de construir as condições adequadas para que ocorram cesarianas respeitadas, e não procedimentos desnecessários e traumáticos.

Parto por cesariana: beleza e dor

Toda mulher sonha com um parto fácil e rápido, onde ela se sinta segura, acompanhada, confortável etc. Porém, esses fatores nem sempre podem estar presentes. De fato, mais de uma mãe guarda em sua memória uma lembrança ruim desse momento.

Por sua vez, um fato inegável está ocorrendo: os índices de cesarianas estão atingindo limites pouco justificáveis em determinadas ocasiões. Essas intervenções cirúrgicas em muitos casos superam as recomendações da própria OMS (Organização Mundial da Saúde), ou seja, não deveriam ultrapassar 15% do total de partos.

As mães de hoje em dia não conseguem ter um parto normal? Essa questão pode ser um tanto polêmica. Porque não podemos negar que há situações em que a cesariana é inevitável, quando essas decisões, longe de estarem programadas, muitas vezes são tomadas no último minuto. Portanto, não é apropriado acreditar na ideia sempre “questionável” de que as mulheres de hoje em dia não são como as de antigamente. De fato, não é preciso dizer que no passado as taxas de mortalidade no parto eram muito elevadas.

Não queremos nos aprofundar neste artigo nos motivos pelos quais há mais cesarianas que partos normais. Dessa vez, queremos apenas “celebrar” esses nascimentos, porque são tão mágicos, dolorosos, emocionantes e intensos quanto os partos normais.

Minha cesariana foi sagrada porque…

  • Minha cesariana foi sagrada porque me permitiu ter meu filho comigo.
  • Porque todo nascimento traz o mesmo resultado: a vida de um ente querido e a oportunidade de tê-lo ao nosso lado.
  • O meu parto foi sagrado porque, embora eu não quisesse a cesárea, descobri o tanto que meu corpo pode ser forte e a capacidade incrível de regeneração do útero, sendo um refúgio, um abrigo, mas também a porta que acolhe e liberta.
  • Meu parto foi doloroso e habitado por medo e nervosismo. Tive que lutar contra a incerteza, contra não saber, não poder ver o que estava acontecendo por trás daquele pano verde que muitas vezes é colocado no corpo da mãe durante a cesariana. No entanto, todo o meu ser reagiu quando ouvi você chorar, quando você foi colocado em cima de mim.
  • Minha cesariana me fez amar cada ponto que existe em minha barriga agora. Não me interessa essa marca, nem o tempo, os longos meses que levei para me recuperar. Porque o meu parto também foi sagrado, mágico, intenso e inesquecível.

Para terminar: temos certeza de que nem todas as mães desejam esse tipo de parto, mas como eles são cada vez mais comuns, devemos proporcionar os meios e as condições para que “as cesarianas necessárias sejam cesarianas respeitadas”. Na medida do possível, a mãe deve poder, por exemplo, curtir o primeiro contacto com o seu bebê, aqueles momentos pele a pele.

A nova mãe deve poder se sentir presente, participante e acompanhada por seus entes queridos para acolher essa preciosa criatura que chega ao mundo.

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