O desenvolvimento da noção espacial nas crianças

Vamos mostrar em que consiste o desenvolvimento da noção espacial nas crianças, suas características em cada fase e sua relação com as capacidades intelectuais e motoras.

O desenvolvimento da noção espacial nas crianças condiciona sua localização no ambiente em que se encontra e sua aprendizagem na escola e na vida. Conforme a idade, a capacidade de estabelecer essas referências vai melhorar.

À medida que desenvolve a noção espacial, a criança começa a criar a ideia de seu próprio corpo, de sua dimensão corporal. Isso significa que forma uma imagem mental do seu corpo em relação ao meio. A partir dessa representação, o conhecimento do mundo vai evoluir.

A princípio, a criança vai ter como referência seu próprio corpo e pouco a pouco alcançará as abstrações próprias do pensamento adulto.

Desenvolvimento da noção espacial nas crianças

A noção espacial nas crianças evolui paralelamente ao restante do pensamento.

Até os dois anos de idade

  • A noção de espaço se reduz às possibilidades que tem de deslocamento. O espaço é o que ela vê.
  • Toma seu próprio corpo como referência principal.
  • Embora perceba relações espaciais entre as coisas, ainda não consegue interiorizá-las. Então, para ela, as coisas “desaparecem” quando não estão presentes em seu campo visual.

De dois a seis anos de idade

  • Desenvolve uma ideia ainda limitada de espaço. A criança entende o espaço concreto da sua casa, da dos familiares que visita frequentemente e da escolinha. São espaços com os quais tem relações afetivas. Seu espaço é o “aqui”.
  • Compreende as relações espaciais simples: acima-abaixo, adiante-atrás, por exemplo. Essas relações são fundamentais para a evolução da noção espacial nas crianças.
  • Sua noção de distância é muito singular. Para ela a distância entre dois objetos se encurta se se interpõe um terceiro objeto entre eles.
  • Não consegue abranger a noção de bairro, cidade ou país. Talvez memorize o nome da cidade ou do país em que vive, mas será apenas um rótulo sem conteúdo para ela.

“No começo a criança terá como referência seu próprio corpo e pouco a pouco alcançará as abstrações próprias do pensamento adulto”

Dos seis aos onze anos de idade

  • Sua capacidade de localização evolui. Pouco a pouco se liberta do seu egocentrismo, o que permite o avanço da observação objetiva. Ela é capaz de perceber um lugar, mesmo sem ter tido contato com ele anteriormente. Entende o “além” relacionado a lugares desconhecidos.
  • Pouco a pouco adquire o conceito de meio local e nacional. Sua noção de espaço se amplia.
  • Com a observação objetiva é capaz de analisar e representar o espaço. Por exemplo, é capaz de desenhar uma fileira de árvores com perspectiva. A maior representará a mais próxima, a menor a mais distante. As mudanças de tamanho mostrarão sua ideia das distâncias espaciais.
  • Adquire a noção de espaço geográfico. Consegue localizar um lugar desconhecido em um mapa e compreender o que um mapa representa.
  • À medida que cresce, seu conceito de espaço se consolida. Ela consegue se orientar e não se perder, fazendo uso de referências externas, como o edifício ou um cartaz no seu caminho, por exemplo.
menino engatinhando na grama

A partir dos doze anos de idade

  • A puberdade é uma fase de mudanças importantes, não só físicas como também conceituais. O pensamento adolescente funciona a partir de abstrações, e não mais com imagens de coisas palpáveis. Sua noção de espaço já não depende do concreto, mas sim de conceituações.
  • A noção espacial completa seu desenvolvimento e permite que haja representações mentais de dimensões não comprováveis recorrendo aos órgãos dos sentidos. Ela consegue entender os conceitos astronômicos, como, por exemplo, as distâncias entre planetas ou estrelas.

Como favorecer o desenvolvimento da noção espacial nas crianças

A psicopedagogia afirma que o desenvolvimento da noção de espaço nas crianças condiciona a aprendizagem em geral. Incide de maneira muito direta sobre a leitura-escrita e a matemática.

menina escrevendo

Então, é importante que pais e professores se tornem facilitadores a fim de estimular e favorecer esse desenvolvimento.

O processo

Na primeira infância, é preciso trabalhar o “espaço vivido” através da experiência direta. É importante permitir que a criança explore os espaços físicos nos quais se encontra. Isso supõe deixá-la engatinhar, sentar-se no chão e se deslocar se arrastando.

Além disso, é preciso proporcionar às crianças brincadeiras que estimulem os conceitos de: direita-esquerda, em frente, atrás, antes-depois, acima-abaixo, para dentro-para fora, perto-longe e começo-fim.

As saídas, os passeios e as viagens são excelentes oportunidades para estimular o desenvolvimento do conceito de espaço.

Embora a psicopedagogia apresente generalizações que podem ser consideradas parâmetros, nunca se deve esquecer que cada criança constitui um caso único e é desse modo que se deve abordar o tema.

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