O que é a colestase da gravidez?

23 de julho de 2018
Trata-se de uma condição pouco comum que atinge aproximadamente uma grávida em cada mil no mundo todo. Apresenta maior incidência em alguns países, como o Chile e a Suécia.

A colestase é uma doença que aparece somente durante a gravidez. Ela afeta o fígado e costuma aparecer nos últimos meses de gestação.

Sabe-se que algumas grávidas têm maior propensão para apresentar algumas condições. Por exemplo, grávidas que apresentam antecedentes de doenças hepáticas, alguma relação genética ou casos de gravidez múltiplas são fatores que aumentam as chances de apresentar a colestase da gravidez. Um dos principais sinais que evidenciam a colestase é o excesso de coceira no corpo da gestante.

Também conhecida como colestase obstétrica, essa doença é provocada pela alteração hormonal comum na gravidez. Nesse processo, a quantidade de hormônios pode saturar a vesícula biliar, impedindo que a bile flua normalmente. Nesse sentido, é possível perceber que essa doença coincide com os últimos meses de gravidez. Mais precisamente quando o nível de hormônios está mais alto.

Sintomas da colestase da gravidez

Como já dissemos, essa doença costuma aparecer ao final do processo de gestação e se manifesta por meio de uma forte coceira, caracteristicamente localizada nos pés e nas mãos. Em casos menos frequentes a pessoa pode apresentar icterícia. Por isso, a coceira é considerada um dos sintomas mais perceptíveis.

a colestase

Outros sintomas da colestase são:

  • Variações na coloração das fezes e da urina
  • Náuseas
  • Exaustão
  • Depressão
  • Falta de apetite.

Geralmente, a maioria dos sintomas começa a desaparecer poucos dias após o nascimento do bebê. Mas, segundo os especialistas, existem grandes chances de que a doença possa se repetir em gravidezes futuras. Para tratar essa doença, os especialistas recomendam controlar a coceira e administrar remédios para eliminar o excesso de ácidos biliares.

O tratamento também inclui a administração de suplementos de vitamina, cremes corticoides para a pele, banhos de água fria e aplicação de gelo para melhorar a circulação. Também é preciso controlar as propriedades do sangue a fim de proteger o bebê de uma possível hemorragia intracraniana.  

Riscos da colestase para o feto

De acordo com a opinião dos especialistas, as complicações dessa doença são maiores para o feto que para a mãe. Em geral, os sintomas da colestase podem chegar a ser incômodos para a mãe. Mas é o bebê quem corre mais riscos porque sua saúde depende em grande parte do estado do fígado da mãe.

Uma consequência comum no caso da colestase da gravidez é que o líquido amniótico pode ser contaminado com a primeira evacuação do bebê. Quando isso acontece é indispensável um monitoramento constante. Muitas vezes esse fator é a causa da necessidade de partos induzidos, os quais são realizados em centros especializados em neonatologia.

a colestase

A colestase obstétrica pode afetar também o fígado do bebê. Isso coloca em risco a possibilidade de um parto prematuro ou até mesmo a vida do bebê. Por esse motivo, em algumas situações, os médicos preferem induzir o parto quando a mãe apresenta essa doença. Mas a indução só poderá ser realizada quando os pulmões do feto já estiverem desenvolvidos.

Outras complicações para o feto podem ser combatidas com o tratamento adequado. No entanto, a taxa de mortalidade nesses casos chega a 20%. Apesar de não haver um esclarecimento dos fatores da morte de muitos desses fetos, a relação dos partos prematuros com essa doença mostra a gravidade dela.

Sequelas da colestase no pós-parto

Após o nascimento do bebê, o normal é que a doença desapareça em poucas semanas. Caso isso não ocorra, é preciso reavaliar o diagnóstico. Acredita-se que em um período de aproximadamente seis semanas é possível descartar a presença de doenças virais ou outras como cirrose hepática ou ainda fígado gorduroso.

Sabe-se que aproximadamente 90% das mulheres que foram diagnosticadas com colestase durante a gravidez, provavelmente, voltarão a apresentar essa condição em gravidezes futuras. Por isso, é preciso ficar atenta no futuro. Para isso, é possível melhorar alguns aspectos da vida, como a alimentação, por exemplo.

Outra advertência se relaciona aos anticoncepcionais administrados por via oral. Eles não são adequados às mulheres que apresentaram essa doença. Pois, as pílulas estão associadas ao aparecimento de problemas hepáticos.  Ou seja, mulheres com antecedentes de colestase não deveriam tomar pílulas anticoncepcionais.