O que é a hiperestimulação ovariana?

· 4 de maio de 2018
Os tratamentos de fertilidade oferecem às mulheres a chance de viver a maternidade, algo que de outra maneira elas não conseguiriam. No entanto, também podem provocar distúrbios na ovulação. Um desses distúrbios é a hiperestimulação ovariana.

A hiperestimulação ovariana é um transtorno que ocorre no organismo de mulheres que tomam medicamentos para a fertilidade. Em vez de produzir um óvulo por mês, seus ovários ficam “sobrecarregados” e isso pode trazer problemas para a saúde da mulher. Então, vamos ver quais são os efeitos dessa doença.

Ao serem estimulados com HCG e análogos ao GnRH, os ovários podem ficar excessivamente estimulados e oferecer uma resposta maior do que a normal. Então, podem aparecer sintomas e consequências não desejadas. Uma delas é o aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos e a consequente acumulação de líquido na cavidade peritoneal.

Entre 0,6% e 14% das mulheres que recebem esses tratamentos sofrem de hiperestimulação ovariana leve. Os casos moderados diminuem para uma porcentagem menor do que 6%, ao passo que os graves – que podem ser fatais – não atingem mais do que 2% das mulheres tratadas.

Fatores de risco da hiperestimulação ovariana

Além de estar passando pelo tratamento de estimulação anteriormente mencionado, as mulheres que sofrem de hiperestimulação ovariana costumam apresentar condições semelhantes, como um índice de massa corporal baixo e idade menor do que 35 anos. Ao mesmo tempo, seus níveis de estrogênio costumam ser superiores à média.

Por outro lado, essa doença também está vinculada a outras, como a síndrome do ovário policístico. Da mesma forma, sofrer de hipotireoidismo também aumenta as chances de sofrer de hiperestimulação ovariana, assim como os adenomas hipofisários e a doença trofoblástica gestacional.

Sintomas

Nos casos leves, a hiperestimulação ovariana pode ser detectada a partir dos seguintes sintomas:

  • Distensão abdominal: é o inchaço da barriga. De maneira geral, acontece depois de comer em excesso. Caso não seja esse o motivo, esse sintoma pode ser indicador de uma doença.
  • Dor no abdômen. Se, além do inchaço, houver dor no abdômen, você deve consultar um médico o quanto antes para realizar os exames adequados.
  • Aumento de peso. Costuma ocorrer em poucos dias. O aumento nos níveis de estradiol costuma causar esse sintoma e os anteriores. Isso faz com que muito líquido se concentre no abdômen, causando os problemas acima citados.

Em relação aos casos graves, as consequências podem ser bem mais preocupantes. Estas são as principais:

  • Inchaço e dor abdominal intensa.
  • Diminuição da micção.
  • Dificuldade para respirar.
  • Torção de ovários. O que, consequentemente, causa dores intensas, anemia, náuseas, leucocitose progressiva, disfunção hepática e derrame pleural.
hiperestimulação ovariana

Se a condição da paciente se agravar ou se a síndrome não for tratada a tempo, os efeitos podem piorar. Nessas situações, pode ocorrer um aborto espontâneo, o aparecimento de ascite e de cistos lúteos.

Como detectar?

Para saber se uma mulher sofre da síndrome de hiperestimulação ovariana, é preciso realizar os seguintes exames médicos: ultrassonografia abdominal ou na região vaginal, radiografia torácica, exames de sangue completos, exames de eletrólitos e exame de urina.

Tratamento da hiperestimulação ovariana

Nos casos leves, é recomendado fazer repouso, ingerir grandes quantidades de líquidos e evitar a cafeína e o álcool. Manter as pernas elevadas pode ser benéfico para eliminar o líquido em excesso. Geralmente não se medica essa condição, mas podem ser receitados analgésicos em caso de dor.

Para os casos moderados, a recomendação é a internação da mulher. O objetivo dessa internação é realizar uma drenagem do líquido acumulado e evitar efeitos colaterais.

“Sofrer de hipotireoidismo também aumenta as chances de sofrer de hiperestimulação ovariana, assim como os adenomas hipofisários e a doença trofoblástica gestacional.”

Quando o tratamento não é o indicado ou se a síndrome não for detectada a tempo, a paciente pode, inclusive, correr risco de morte. Isso se deve à formação de coágulos na corrente sanguínea, à insuficiência renal e aos problemas respiratórios causados pela acumulação de líquido na cavidade pleural.

Nos casos mais graves, além da drenagem, a paciente é medicada via intravenosa. Ao mesmo tempo, é claro, seu estado de saúde é avaliado de maneira contínua.

De qualquer forma, os casos graves são bem raros. Em geral, a doença é resolvida com a menstruação ou detectada a tempo pelos especialistas.

hiperestimulação ovariana

É possível prevenir?

Sim. A hiperestimulação ovariana pode ser evitada. Manter uma comunicação constante com o profissional responsável pelo tratamento de fertilidade é essencial. Ao aparecimento de qualquer sintoma, ele pode tomar a decisão de reduzir a dose de medicamentos ou de substituir o HCG por um análogo sintético do hormônio.

Por fim, também é importante, ao longo do tratamento de estimulação ovariana, realizar exames regulares dos níveis hormonais e ultrassonografias pélvicas para detectar uma possível hiperestimulação. Manter um controle dos níveis de estradiol no organismo é essencial para a prevenção da hiperestimulação ovariana.