Os filhos e o primeiro amor na adolescência

5 de agosto de 2018

A adolescência traz consigo várias mudanças físicas e psicológicas. Esse é o momento no qual começa a surgir a atração sexual e os primeiros sintomas das paixões.

A chegada da adolescência não traz apenas mudanças físicas. Ela também traz à tona a atração sexual. Durante o primeiro amor na adolescência, começam a nascer as intensas emoções da paixão, do ciúmes, do medo, das desilusões amorosas e outros sentimentos complexos que fazem nos lembrar do nosso primeiro amor.

No entanto, esses primeiros ciclos de começo e final de namoros adolescentes também funcionam como parte das primeiras experiências de vida que nos ajudam a calibrar nossas emoções e que, embora um tanto triviais e até insignificantes em relação à duração, fazem parte dos nossos primeiros passos no amadurecimento psicológico.

Compreendendo o primeiro namoro do nosso filho

Sempre se falou que a gente não se esquece no primeiro amor. Talvez essa frase seja muito mais empírica do que romântica. O primeiro namoro acontece geralmente na adolescência, fase da vida na qual as mudanças características da idade nos fazem experimentar sentimentos novos e intensos e que, portanto, transformam o primeiro amor na adolescência algo inesquecível, mesmo que de curta duração.

primeiro amor na adolescência

A notícia de que o filho ou a filha está namorando pela primeira vez pega muitos pais de surpresa, alguns inclusive se sentem um pouco angustiados. Mesmo sabendo que não podemos nem devemos evitar esse tipo de experiência para os nossos filhos, o simples fato de pensar que eles podem se machucar de alguma maneira deixa muitos pais em estado de alerta.

Essa preocupação é comum e passageira. Ela é produto do instinto natural dos pais de proteger os filhos de situações de perigo. É por isso que, nessas circunstâncias, surgem na cabeça de todos os pais e mães algumas questões como relações sexuais precoces, gravidezes não desejadas, violência no namoro ou, simplesmente, qualquer sofrimento ou uma possível má influência para nossos filhos.

Mas o primeiro amor na adolescência não é um problema na maioria dos casos. Na verdade, está mais além disso. O primeiro namoro pode ser o primeiro passo para a construção de uma boa autoestima, confiança em si mesmo e amadurecimento psicológico que permita à criança aprender a lidar com suas emoções para gerir problemas mais complexos na vida diária, assim como para se comprometer com objetivos próprios.

“As mudanças próprias da adolescência fazem com que o primeiro amor, apesar de curto, seja memorável”

Uma perspectiva biológica do primeiro amor na adolescência

Durante a adolescência, os hormônios sexuais presentes tanto nos homens quanto nas mulheres estão extremamente sensíveis a estímulos externos. Mas isso não se traduz apenas no aparecimento do desejo de realizar o ato sexual. Na verdade, a reprodução humana é um processo muito mais complexo que se baseia em mais aspectos do que simplesmente a atração física.

A paixão (que é intensa quando se trata de adolescentes) é um processo que incita tanto homens quanto mulheres a começarem a manifestar interesse por outras pessoas em longo prazo. Esse mecanismo funciona mediante a liberação de neuroquímicos em resposta à identificação de bons atributos tanto físicos quanto de caráter que são percebidos em outros indivíduos.

Certamente, nenhuma paixão determina um automatismo para a reprodução, pelo menos não no ser humano. Quando há relações sexuais entre um casal, existem inúmeros métodos contraceptivos que podem ajudar a planejar quando queremos ter filhos.

Por que mencionamos tudo isso a partir de uma perspectiva mais científica do que social? Mesmo que o primeiro amor na adolescência seja uma fase vulnerável a gravidezes não desejadas, a educação e a informação são determinantes para evitar essas questões que, inclusive, não são exclusivas da adolescência.

primeiro amor na adolescência

Que posição eu devo assumir em relação ao primeiro namoro do meu filho ou da minha filha na adolescência?

Em maior ou menor grau, o primeiro amor de um dos nossos filhos durante a adolescência, geralmente, é preocupante para nós, os pais. Apesar de o ideal ser se manter à margem das relações dos nossos filhos, a verdade é que quando eles são adolescentes se faz necessário saber como oferecer o espaço adequado a eles durante o namoro e, ao mesmo tempo, conseguir identificar quando é preciso repreendê-los ou protegê-los de uma situação prejudicial.

Com base no que já foi dito, deixamos a seguir alguns conselhos que podem ajudar você a definir como enfrentar ou como estabelecer sua postura em relação ao primeiro amor do seu filho ou da sua filha:

  • Não proíba o namoro. Mais do que prejudicar, em boa parte dos casos proibir vai fazer com que seu filho esconda o namoro. Definir que o que preocupa a maioria dos pais não é o namoro, mas situações como uma gravidez não desejada ou violência no namoro vai nos ajudar a direcionar todos para o verdadeiro problema, assim como nos permite orientar nossos filhos e estabelecer um vínculo de confiança mais sólido com eles.
  • Fortaleça a autoestima. Muitos pais se preocupam com a influência que outras pessoas podem exercer sobre os nossos filhos. A melhor forma de garantir que nosso filho tenha assertividade e confiança para dizer não a uma ideia negativa continua sendo a tarefa de qualquer pai, fortalecer a autoestima dos filhos.
  • Responsabilidade. O cumprimento dos objetivos escolares, assim como das tarefas de casa continuam sendo parte dos deveres de qualquer adolescente, mesmo quando estiver namorando, ou seja, com responsabilidades adicionais. Condicionar as saídas de casa, seja com o namorado ou a namorada ou com os amigos, proporciona a manutenção da disciplina na educação.

Esse aspecto vai permitir que seu filho possa começar a aprender como criar um equilíbrio funcional entre a vida pessoal e as responsabilidades do dia a dia. Além disso, é importante que você saiba que nem sempre vamos gostar do namorado ou da namorada dos nossos filhos. Muitas vezes vamos precisar ter tolerância e aceitar as decisões dos nossos filhos.