Os homens também sofrem de depressão pós-parto

· 12 de julho de 2017

A depressão pós-parto é uma doença relacionada principalmente às mulheres. No entanto, os especialistas afirmam que os homens também sofrem disso. De acordo com os números da OMS, por volta de 40% das mães sofrem desse tipo de depressão. No caso dos homens isso chega ao máximo de 10%.

Quando o bebê nasce acontecem muitas mudanças no âmbito pessoal, social e familiar. Ninguém duvida da alegria que a chegada de um filho traz, mas às vezes nossas emoções nos traem. Como sabemos, nós mães somos quem enfrenta mais mudanças, mas não somos as únicas. A vida de casal se transforma completamente quando acontece o nascimento de um bebê.

É consenso que a depressão pós-parto masculina não ocorre da mesma forma que a feminina, quer dizer, os sintomas são diferentes. Quando falamos de depressão, geralmente, a relacionamos com um quadro clínico de tristeza. Entretanto, nos homens ela não se caracteriza por estados de espírito de abatimento, pelo contrário, ela se revela na forma de agressividade e irritabilidade.

Como se manifesta a depressão pós-parto nos homens?

Uma das principais características que afetam a mulher que sofre de depressão depois de dar à luz é a falta de motivação e a busca pelo isolamento. No caso dos homens, esse tipo de doença tem as mesmas origens, mas não se manifesta de forma igual. Portanto, o homem que sofre desse problema também pode sentir tristeza e abatimento, mas manifestam isso de forma diferente.

Estima-se que entre 4% e 10% os casos de homens com depressão pós-parto. Ela costuma acontecer entre os primeiros três e seis meses após o nascimento do bebê. O esforço da mulher é físico e psicológico durante a gestação, o que gera exaustão emocional no puerpério. No entanto, os homens também se esforçam mental e emocionalmente nessa fase.

Lucía Galán, pediatra e autora de livros como: “Você é uma mãe maravilhosa” e “O melhor de nossas vidas” (traduções livres para o português), esclarece quais são os efeitos psicológicos da gestação sobre os homens. De acordo com a especialista, a paternidade exerce muita pressão sobre o homem. As mudanças na sua vida se tornam evidentes no decorrer da gravidez, e prometem ser permanentes.

A pediatra nos conta que, em suas consultas, ela atendeu pais com as mesmas preocupações das mães. Além disso, eles também se estressam com o desenvolvimento do recém-nascido, uma possível doença, ou com o fato de não saber como cuidar dele. No entanto, as principais causas de depressão são: não ser capaz de encontrar respostas, e se sentir deslocado.

Características da doença

É difícil ver um homem que sofre depressão pós-parto chorando pelos cantos. Contudo, sua doença se torna evidente de diferentes formas. Por exemplo, por não saber como ajudar a cônjuge, o homem tende a mostrar apatia. Outros sinais e seu comportamento podem ser os seguintes:

  • Agressividade
  • Desmotivação
  • Alterações drásticas de humor
  • Ansiedade
  • Irritabilidade
  • Preocupação
  • Falta de energia

A maioria desses sintomas pode ser facilmente perceptível, só que nem sempre conseguimos interpretá-los corretamente em casa. A doutora afirma que a maioria de seus pacientes masculinos não são muito abertos com ela sobre seu problema. Mas, com o tempo começam a desabafar sobre o problema.

Expressam seus medos relacionados ao bebê e à relação. Além disso, para um homem é muito difícil entender como funciona o corpo feminino, por isso lhes incomoda ver como ele se transforma. Segundo a autora, os homens ficam preocupados que seu cônjuge não se recupere corretamente. Eles acreditam que podem se sentir pior do que se sentem de verdade.

O principal desafio é compreender a exclusão

Não é que se sintam excluídos, na verdade estão. Embora nosso cônjuge seja tão importante para nós logo depois de termos tido os filhos, o bebê será prioridade no pós-parto. É difícil lidar com essa situação, e ninguém pode julgar a mãe que dedica sua atenção ao seu novo bebê. Portanto, na maioria das atividades, o pai vai para segundo plano.

Ser mãe ou pai não impede que nós deixemos de sentir e pensar como seres humanos. A pesar de reconhecermos as mudanças em nível cerebral nas mães, elas são capazes de raciocinar normalmente. Sem deixar de lado as necessidades do recém-nascido, não é fácil abrirmos mãos de sermos prioridade. Por essa razão, mesmo como pai, ele sabe e sente que também é importante.

A médica explica que o pai não sabe quem é até que nasça o seu filho, isto é, enquanto a mãe se transforma emocional, mental e fisicamente para ser mãe, o homem não. De maneira que, a paternidade vem de repente. Se ele for pai de primeira viagem, ele nem mesmo tem ideia do que o espera; seu papel nessa fase era inimaginável.

Quando os homens buscam se consultar são muito mais claros que as mulheres, afirma Galán. Eles demoram menos tempo, porque chegam com seus problemas claros, sem que as emoções os deixem aflitos como nós, mulheres. Seu principal conselho é que os homens parem de exigir demais de si mesmos.

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