Os perigos de uma criança mimada: aprenda a dizer não!

· 12 de março de 2017

Qual é o maior perigo de ter filhos mimados? Que eles não conheçam limites e não saibam lidar com a frustração de não poder ter ou fazer o que desejam.

Todos nós temos medo de birras, sobretudo se estamos em público. Acho que é a característica que mais percebemos e desprezamos em uma criança malcriada. Mas essa é só uma consequência da personalidade de uma criança mimada.

E o fato de a criança fazer birra não quer dizer  que seja uma criança mimada. Há idades em que as birras são frequentes e você como mãe ou pai deve aprender a lidar com elas e saber que é uma fase que irão superar juntos.

Insisto. Para mim, a pior consequência de uma criança mimada é a de não conhecer os limites, saber como deve se comportar e o que se espera dela. Mais que falar não a tudo, falar para não isso ou naquilo, para não fazer alguma coisa, a ideia é fazer com que a criança desenvolva um mínimo de consciência. E também fazer com que ela saiba, sempre respeitando suas possibilidades e sua idade, o que pode fazer e o que não pode.

“Queremos chegar ao ponto em que a criança desenvolva o verdadeiro desejo de cooperar, sem a ameaça de castigos ou à espera de recompensas. Ou seja, que nosso filho ou filha aprenda a se autorregular, sem depender de uma vigilância constante”, afirma, em um de seus artigos, a estudiosa da corrente da criança com apego, Violeta Alcocer.

O mais idôneo, continua Violeta, que também é blogger, é que seu filho se transforme no guardião de si mesmo. Que ele oriente sua vida a partir da ética e dos valores que decidiu conscientemente incorporar em sua bagagem emocional.

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O que são os limites?

Os limites (esses, sobre quais tanto se fala e que ninguém sabe muito bem o que são) não são outra coisa além do lugar comum onde se encontram as minhas necessidades com as do outro. É o espaço a partir do qual se destrói o equilíbrio saudável, o marco dentro do qual estão nossas relações saudáveis com nós mesmos, com os outros e com o meio que nos rodeia.

Em outro de seus artigos Violeta mostra que os limites nem sempre estão relacionados à firmeza, à autoridade ou à capacidade para dizer “não”. Estão relacionados, na verdade, à capacidade de combinar nossas necessidades com as dos nossos filhos de forma harmoniosa.

Por outro lado, as expectativas são aquilo que esperamos dos nossos filhos e o que esperamos de nós mesmos como pais e como família. Limites e expectativas são dois conceitos estreitamente vinculados, pois nossas expectativas são o ponto de referência dos nossos limites. Elas definem os nossos limites, defende Alcocer.

Não basta dizer não

É importante pensar qual o papel do não na vida de uma criança. “Pessoalmente, eu sou contra às teorias que propõem o “não” como prática educativa. Geralmente são teorias que nos convidam a considerar que a frustração ativa, ou seja, negar deliberadamente os pedidos das crianças, é necessária e estimula o crescimento. Elas defendem que é isso o que a criança vai encontrar na vida.”, conceitua a especialista.

Para que esse aprendizado tenha lugar é fundamental que frente a um pedido ou outro do nosso filho, em vez de terminar o assunto com um “não” e fazer outras coisas, devemos ser capazes de dizer “sim, mas só até aqui”. O “não” categórico é correto quando o que vem a seguir é um choque que vai eletrocutar a criança. Também quando o que vem a seguir é um tapa em um irmão ou qualquer outra coisa que menospreze aquilo que consideramos como respeito ou como parte fundamental da nossa convivência ou boa conduta.

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Aprender a falar e a compreender

Em seus livros a psicóloga e escritora Rosa Jove explica uma teoria para lidar com as birras do seu filho. Dentre seus conselhos ela recomenda compreender seu filho sempre com ternura.

É um exercício que requer muito autocontrole e paciência. É vital analisar primeiramente em você mesmo quais são as situações que tiram você do sério e com quais não consegue lidar. Também é preciso ver os pontos fracos do seu filho e explicar por quais razões ele não pode ganhar o doce que pediu ou não deve fazer determinadas coisas, por exemplo.

A especialista recomenda sempre dizer ao seu filho que você o ama. Falar que é provável que vocês não concordem em algumas coisas, que talvez você negue determinados objetos ou que limite certas ações, mas que mesmo assim o ama e que isso não vai mudar nunca.