Parto de nádegas: tudo o que você precisa saber

Quando o feto não está de cabeça, podemos estar diante de um “parto de nádegas”. Esse termo se refere ao tipo de parto que ocorre quando o feto não está de cabeça para baixo. No parto de nádegas, as nádegas são a parte do corpo mais próxima do canal do parto.

Devemos nos lembrar de que, durante o desenvolvimento do feto na barriga da mãe, ele vai assumindo uma posição ou outra até estabelecer definitivamente uma específica que será determinante no momento do parto.

Geralmente, durante as últimas semanas de gravidez, o feto se vira de tal maneira que a cabeça fica posicionada na pelve da mãe, pronto para o parto. Mas o que acontece se ele não estiver nessa posição? O que se pode esperar? O parto de nádegas implica algum tipo de dificuldade?

Desde quando o bebê fica nessa posição?

Por volta do sétimo mês de gestação, os fetos costumam adotar uma postura, mais ou menos definitiva. Em condições normais, essa posição se mantém até o dia do parto.

Esse fato é comprovado por meio das ecografias que são realizadas ao longo da gravidez. Trata-se de um dos estudos pré-natais que permitem ao médico saber o estado de saúde do feto e monitorar seu desenvolvimento.

Graças às ultrassonografias, é possível visualizar o desenvolvimento do feto e tomar as medidas necessárias para que o parto ocorra da melhor maneira possível.

É comum prever o tipo do parto durante a 37ª semana de gestação. Nesse momento já se sabe com segurança, com base nas ultrassonografias, que o feto assumiu determinada postura e que é quase certeza de que não vai mudar até o parto.

Quando o bebê se posiciona de nádegas?

Como mencionamos anteriormente, o feto se vira e se coloca de cabeça para baixo entre as semanas 28 e 32. Nessa posição, as colunas do bebê e da mãe ficam alinhadas. Esse é o tipo de parto mais comum e, além disso, o mais simples para a mãe.

No entanto, nem sempre é isso que acontece. O parto de nádegas ocorre quando o feto se encontra em uma posição na qual as nádegas (e também as pernas e os joelhos) são as partes do corpo do bebê mais próximas do canal do parto. Por isso, em vez de estar “de cabeça”, como é mais comum, o feto está “de nádegas”, como se estivesse apoiado sobre elas.

parto de nádegas

Quando se confirma a posição?

A partir da 37ª semana o médico pode afirmar se o bebê vai nascer de nádegas. Então, devemos organizar uma estratégia de trabalho de parto de acordo com o nosso caso para garantirmos que tudo ocorra da melhor maneira possível e, com isso, reduzir as chances de riscos e dificuldades.

Quando falamos de um possível parto de nádegas, existem cinco tipos de posições:

  1. Nádegas franca. O que está mais próximo do canal do parto são a pelve e as nádegas do bebê. Em consequência dessa posição, o bebê está com as pernas esticadas na direção da cabeça.
  2. Podálica ou em pé. É igual à posição anterior, mas com uma perna esticada na direção da cabeça e a outra esticada para o canal do parto.
  3. Podálica dupla. Os dois pés do bebê estão mais próximos do canal do parto.
  4. Nádegas completa. A pelve e a nádega estão no canal do parto. O bebê está com as pernas cruzadas. Essa é a melhor posição para dar à luz por meio de um parto vaginal.
  5. Nádegas incompleta. A pelve e as nádegas estão no canal do parto, mas, diferentemente da posição anterior, apenas uma perna está posicionada corretamente.

Eu terei um parto de nádegas vaginal?

Antes de determinar o procedimento a seguir, o médico vai tentar realizar um procedimento chamado: versão cefálica externa. Trata-se de um exercício para que o bebê dê a volta em si mesmo dentro do útero para, assim, evitar um parto de nádegas. Se não der resultados, uma cesárea deve ser considerada.

Em qualquer um dos casos, as decisões que o médico vai tomar em cada parto serão individualizadas e vão depender de muitos fatores, tanto da gestante quanto do bebê.

O que é uma “versão cefálica externa” ou VCE?

É um procedimento cujo objetivo é fazer o bebê que está de nádegas se virar para evitar as complicações que podem surgir em um parto vaginal quando o bebê está nessa posição ou ainda para tentar evitar uma cesárea. No caso de ser necessária, é uma prática realizada durante a 37ª semana de gravidez.

parto de nádegas

Ela é realizada por meio de uma série de massagens na barriga da mãe para fazer o bebê se virar e induzi-lo a ficar na posição “de cabeça”. Apesar de não ser um procedimento completamente indolor, é suportável já que sua duração nunca excede cinco minutos.

A taxa de sucesso desse procedimento é de, aproximadamente, 60%. Quando se termina de realizar a manobra, o médico deixa a mãe e o bebê de observação para confirmar que tudo ocorreu como o previsto.

Fatores que influenciam na decisão:

O médico vai indicar a forma como o parto vai acontecer. Evidentemente, a escolha se dará em função dos fatores de cada caso específico.  Algumas das condições que devem estar presentes para ser possível a realização de um parto vaginal são as seguintes:

  • O bebê não pode ser muito grande nem o canal vaginal muito estreito. Estima-se que o bebê deve pesar no máximo entre 3,5 e 4 quilos, mas essa característica isolada não é determinante, já que o tamanho do canal do parto também influencia.
  • A gravidez está a termo e o bebê (previamente monitorizado) não apresenta sinais de sofrimento nem problemas cardiovasculares.
  • O bebê estar na posição de nádegas puras ou completas. Ou seja, que as nádegas dele ocupem toda a parte superior da pelve, que os braços estejam esticados na direção da cabeça e as pernas cruzadas.
  • O cordão umbilical não pode estar situado em um lugar problemático. Pois isso pode fazer o bebê sofrer no momento do parto.
  • O líquido amniótico deve estar num nível adequado. O líquido amniótico estando num nível alto ou baixo pode provocar problemas no movimento do feto, o que pode se refletir no parto.

Se você tem chances de realizar um parto de nádegas vaginal, o melhor que você pode fazer é estar bem informada. Também é preciso discutir um bom planejamento com o seu médico. Confie nas indicações dele.  Seu médico é responsável por buscar tanto o seu bem-estar quanto o do bebê. Coragem!

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