O perigo do trote estudantil

06 Março, 2020
Sabemos que, às vezes, para fazer parte de um grupo, os novatos são submetidos a todos os tipos de provas. Atualmente, em muitos casos, essas provas são muito humilhantes e abusivas. Neste artigo, vamos conhecer o perigo do chamado trote estudantil.

Sempre existiu o chamado trote estudantil, uma prática generalizada entre os jovens para receber novos membros em um grupo. Sendo seu objetivo, quase sempre, a ‘zombaria’ e a diversão às custas de uma pessoa. No entanto, atualmente, o perigo do trote estudantil é que, quanto mais humilhante, violento e arriscado ele for, melhor.

Trote estudantil, uma necessidade de aceitação e pertencimento

Um trote é um fenômeno de grupo, um ritual de iniciação que geralmente é usado na entrada da universidade. No entanto, também é comum fazê-lo em outros contextos escolares, no campo militar, em residências universitárias ou em alguns grêmios estudantis.

objetivo final das práticas ou rituais de iniciação é fazer com que aqueles que desejam fazer parte do grupo paguem um ‘pedágio’ para serem aceitos. Esse pedágio pode ser constituído por várias provas que são decididas pelos membros que já pertencem ao grupo e variam desde submeter o novo membro a difíceis provas físicas ou a andar nu por um local público, passando por tomar banho com água fria no inverno ou até mesmo receber uma surra.

O perigo do trote estudantil

De fato, durante a adolescência, os jovens precisam se sentir aceitos pelos grupos dos seus pares e, às vezes, são capazes de fazer o que for necessário para serem reconhecidos e incluídos no grupo.

E quanto maior a necessidade de aceitação, maior pode ser o trote ao qual uma pessoa pode estar disposta a ser submetida, mesmo quando for excessivo e trouxer consequências significativas, tanto fisicamente quanto psicologicamente.

Além disso, em muitos trotes estudantis, a ingestão de álcool é um denominador comum. Assim, esse é um fator que favorece ainda mais que qualquer trote estudantil, por mais inocente que possa parecer, torne-se algo verdadeiramente perigoso. Isso ocorre porque, quando as pessoas consomem álcool de forma irresponsável, elas têm uma tendência maior a perder a noção do risco e do perigo.

Ações para evitar o perigo do trote estudantil

Para evitar o perigo do trote estudantil, tanto na família quanto na instituição escolar, é possível desenvolver ações tais como:

  • Oferecer oficinas ou palestras para tratar sobre a importância da convivência, da tolerância e do respeito mútuo, bem como destacar o perigo do trote estudantil como uma forma de abuso com importantes consequências físicas e psicológicas, tanto para as pessoas que passam pelas situações de abuso, como também para os autores intelectuais do trote estudantil, que podem sofrer, em alguns casos, consequências tanto psicológicas quanto legais.
  • Estabelecer os canais apropriados de ajuda, informação e contenção psicológica para denunciar o trote estudantil. Ou seja, aqueles que forem submetidos a esse tipo de prova ou forem testemunhas delas poderão falar sobre isso e relatar essas situações. Nesse sentido, existem associações que combinam esforços e meios para erradicar o trote estudantil e os rituais de iniciação.
O perigo do trote estudantil

Trote estudantil para receber e não para agredir

Conforme dissemos, tanto pais quanto educadores devem desenvolver ações para conscientizar os jovens do perigo do trote estudantil. Para isso, também é importante trabalhar com a empatia e se colocar no lugar do outro, considerando que:   

  • Um trote estudantil deveria ser uma maneira de receber e fazer alguém se sentir bem, em qualquer meio social.
  • Se considerado um ritual de iniciação, um trote estudantil deveria dar início a uma nova etapa, sendo a porta de entrada para novas oportunidades de trabalho, sociais, de formação ou de lazer.
  • É necessário pensar antes de agir. Para evitar o perigo de um trote estudantil, precisamos ensinar os jovens a pensar antes de idealizá-los e fazer com que eles considerem que “não devemos fazer para os outros o que não gostamos que façam conosco”.