Por que as crianças mais obedientes podem ser as mais infelizes

17 Setembro, 2018
As crianças são curiosas por natureza. Portanto, é normal que queiram explorar tudo o que está ao redor delas.

Ter a possibilidade de explorar com liberdade vai manter o espírito das crianças feliz. O problema é que, às vezes, para poder se aventurar, será preciso desobedecer um pouco. E não é errado que elas o façam de vez em quando. Lembre-se de que, às vezes, as crianças mais obedientes podem ser as mais infelizes.

Nenhum pai ou mãe deseja que seus filhos sejam infelizes. No entanto, todos os pais desejam que seus filhos sejam obedientes. E as duas coisas podem ser possíveis, pois a obediência não tem nada a ver com o autoritarismo. Assim, é possível ser obediente e, ao mesmo tempo, livre e feliz. O objetivo é fazer seu filho aprender a ser obediente porque quer e não porque tem medo.

Nem sempre é bom que as crianças obedeçam cegamente, sobretudo quando essa obediência é resultado da submissão. A obediência não tem nada a ver com a submissão. Quem está acostumado a decidir e agir com liberdade, quem pode opinar sobre o que é mandado a fazer sem que isso represente um castigo e quem aprendeu que também se pode dizer não sabe bem disso.

Existem pais que confundem atitude submissa com obediência.

Quando os pais confundem submissão com obediência, ignoram que uma criança submissa pode acatar uma ordem sem reclamar porque tem medo de enfrentar as consequências de desobedecer. Não porque realmente deseja fazer o que seus pais pediram.

Obediente, mas infeliz

mais obedientes

Essa atitude pode ser consequência de uma criação na qual se estimula o medo na criança. Ou seja, uma criação marcada por pouco respeito aos pequenos já que eles praticamente não são convidados a participar ou a opinar sobre o que acontece na casa. Nesse tipo de criação, também não se tem o costume de explicar o porquê das regras que são estabelecidas dentro de casa.

Quando uma criança é obediente na frente dos pais, mas assim que eles viram as costas ela os desobedece, essa criança aprendeu a obedecer com ameaças, e não porque compreende os motivos pelos quais é preciso obedecer às ordens dos pais. Mesmo que dessa forma as crianças obedeçam, muitas vezes são infelizes.

O estilo de criação que você escolhe pode fazer com que seus filhos sejam obedientes porque desejam obedecer, e não porque se sentem ameaçadas. E para avançar nessa direção, é preciso identificar que existem diferentes tipos de obediência. Há aquela que vem do respeito – e da autonomia proporcionada pelo livre discernimento – e aquela que é originada a partir do medo que se tem das consequências de desobedecer aos pais, à sociedade, etc. Uma criança que age com medo, simplesmente, é infeliz.

Obedientes por medo

Está comprovado que as crianças que aprendem a obedecer aos limites por medo dos castigos ou que cumprem as regras somente pensando em obter uma boa recompensa, no fundo, não são crianças livres. Seus atos não são o resultado do próprio discernimento.

Quando uma criança aprende a obedecer a uma pessoa que a ameaça, isso resulta em um prejuízo à qualidade das relações que ela estabelece. Isso acontece porque ela vai reagir somente a esse tipo de comportamento. Ou seja, não vai obedecer às que pessoas que não a ameaçarem. Imagine, então, os tipos de relações que essa criança vai estabelecer quando for adulta.

Além disso, esse tipo de criação vai ensinar que, no mundo, existem opressores e oprimidos. Muito provavelmente, a criança vai sentir que é melhor exercer o papel do opressor que do oprimido.

mais obedientes

Também existem casos de crianças que obedecem devido ao medo que constantemente sentem de serem repreendidas, castigadas ou, inclusive, receberem castigos físicos. Certamente, elas são muito obedientes. Mas suas personalidades se mostram retraídas, nervosas ou temerosas. Geralmente, esses tipos de comportamentos geram problemas de baixa autoestima e de falta de controle das emoções.

Definitivamente, crianças que aprendem a obedecer por medo não são saudáveis. O medo poda as vontades de experimentar, de errar, de pesquisar e de se aventurar. Assim, é provável que a criança nunca tente “quebrar as regras”, o que limita seu crescimento como pessoa.

Obedientes por escolha

A liberdade e o respeito são fontes vivas de felicidade. E esses valores podem contribuir para a educação do seu filho. Ele deve aprender que obedecer muitas vezes se torna muito mais benéfico para ele que para seus pais ou responsáveis. Esse entendimento, por sua vez, é alcançado quando seu filho compreende o porquê das regras.

Quando uma criança aprende a entender de maneira consciente que obedecer certas regras beneficia seu crescimento e seu bem-estar como pessoa, então ela começa a respeitar as regras onde estiver. Esse comportamento também a leva a respeitar todas as pessoas da mesma forma, não importa se se trata dos pais, dos avós, dos professores ou de um desconhecido.

Assim, a criança exercita a liberdade de decidir e de aprender a diferenciar o que é bom para si mesma e o que não é. Com base nisso, escolher obedecer ou não vai fazer com que seu filho sempre seja uma criança curiosa, motivada e com vontade de aprender coisas novas, mas também precavida e consciente.