Por que no Japão as crianças obedecem tanto a seus pais?

6 de outubro de 2018
No Japão, onde aspectos como a empatia e a restrição da exibição das emoções são valorizados, pode-se esperar que as crianças desenvolvam esses costumes desde cedo.

No Japão, é utilizada uma abordagem única na criação dos filhos. As crianças são comparadas a uma planta que precisa de nutrição, treinamento e poda para que cresça adequadamente.

O momento do desenvolvimento de certas habilidades nas crianças, depende da importância que a cultura coloca nessa habilidade.

Vejamos, então, algumas características próprias da criação dos pais japoneses.

Ensino com dependência nas crianças

As técnicas japonesas de criação dos filhos se baseiam fundamentalmente nas noções da dependência dos filhos com a mãe.

Desde o nascimento, as mães estabelecem um vínculo íntimo com seus bebês e continuam reforçando essa conexão durante toda a infância.

Assim como afirmado em um artigo intitulado “Disciplina na Primeira Infância”, publicado pela Associação de Kansas para a Infância e a Saúde Mental da Primeira Infância, os pais japoneses tradicionalmente administram as tarefas e responsabilidades das crianças (trocar-se, banhar-se, colocar a mesa, etc.), inclusive na adolescência.

Exatamente o oposto de ensinar as crianças a serem autônomas e independentes.

no Japão

O desenvolvimento desta aproximação extrema é melhor do que a modelização, a negociação e as técnicas disciplinares quando se trata de educar crianças com valores sociais e morais no Japão.

É tradição, para as mães japonesas, confiar no vínculo íntimo que estabeleceram com seus filhos em vez do castigo ou de outros métodos enérgicos para persuadir e obrigar as crianças a se comportarem adequadamente.

O papel das mães japonesas

As mães japonesas determinam a educação, passatempos e, inclusive, as trajetórias profissionais que seus filhos desenvolverão e seguirão.

A partir dessa técnica de criação, as crianças japonesas aprendem a obedecer diligentemente. Elas ficam dependentes da orientação e direção de seus pais.

O papel de mãe é ser extremamente cuidadosa e seletiva ao tomar decisões exclusivas sobre onde as crianças vão, o que irão comer, à quais atividades se dedicam e o que vão usar.

Coisas como, babá, noite de cinema longe do bebê ou viagens de fim de semana somente para mamãe e papai não são comuns. E, acima disso, elas não são bem aceitas na cultura japonesa.

A importância de ensinar empatia

Considerar como as próprias ações impactam os outros é crucial para manter uma das coisas mais valiosas no Japão: a harmonia do grupo.

Isto faz com que que a empatia seja o núcleo da cultura japonesa. Sem nenhuma surpresa, também é o núcleo da educação japonesa.

Enquanto os pais ocidentais geralmente exigem respeito de seus filhos (por exemplo, mediante o uso de ordens verbais e castigo), as mães japonesas são conhecidas por ensinar constantemente aos seus filhos como suas ações afetam os sentimentos dos outros.

Ou, inclusive, os sentimentos dos animais ou objetos.

Desde cedo, as crianças japonesas começam a absorver a importância de levar em consideração os outros antes de agir.

Disciplina infantil no Japão: os pais transmitem valores aos filhos

no Japão

Os pais proporcionam para as crianças uma supervisão e instrução próximas. Assim, orientam seu desenvolvimento a fim de estabelecer rotinas e padrões de comportamento.

No entanto, esta orientação dos pais, pouco a pouco, é menos necessária à medida que as crianças se tornam capazes de administrar os padrões de comportamento e rotinas por si mesmas.

O Japão é visto como uma cultura rigorosa. Certamente, isso leva muitos pais estrangeiros a pensar que os pais japoneses aplicam um conjunto de regras muito estritas.

No entanto, nem sempre é assim. Enquanto os pais ocidentais estão mais concentrados no cumprimento das regras e em impor castigos, os pais japoneses tendem a estabelecer mais regras e não confiar tanto no castigo.

Obediência e cooperação caminham lado a lado

No Japão, as crianças fazem parte de pequenos grupos (esportivos, culturais) que enfatizam a importância da cooperação e da harmonia.

A pressão social desses grupos atua como agentes regulamentadores. Assim, indiretamente, isso exige o cumprimento e ensina às crianças o comportamento e a obediência apropriados.