As mulheres precisam de um ano para recuperar-se do pós-parto

· 21 de junho de 2017

Dizer em voz alta que a mulher precisa de um ano para recuperar-se completamente de um parto, é para muitos um exagero. No entanto, um estudo recente nos deixa bem claro: as atuais licenças maternidade de 4 meses não são consistentes com as necessidades reais de uma mãe que acaba de dar à luz.

A doutora Julie Wray, da Universidade de Stanford, realizou um estudo sobre a realidade pós-parto que vivem as mulheres em diversos países do mundo, demonstrando que apesar de que cada corpo é único, em média, a maioria das novas mamães precisam de 12 meses aproximadamente para recuperar-se totalmente, tanto física como mentalmente.

Este dado nos oferece uma imagem mais vulnerável da mulher. Porque a tarefa da maternidade é, possivelmente, a tarefa mais difícil, maravilhosa, e dedicada que se pode ser feita, e apesar de que a grande maioria das mulheres volte às suas responsabilidades trabalhistas em poucas semanas, isso não significa que seu corpo esteja completamente recuperado.

Isto é algo que convém levar em consideração. Não somente para que as licenças maternidade e paternidade sejam um pouco mais harmônicas com estas necessidades, mas também como dado informativo para implementar melhores estratégias de assistência médica, sanitária, social e inclusive psicológica.

Vejamos uns dados de interesse que nos ajudarão sem dúvida a entender muito mais sobre o assunto. 

O puerpério, essa etapa difícil depois do parto

O puerpério é esse período que se estende imediatamente após o parto, até que o corpo da mãe volte a um adequado estado pré-gestacional, ou seja, para recuperar as características físicas, orgânicas e hormonais habituais.

Geralmente, é comum pensar que o puerpério dura em média os clássicos 40 dias. Agora, o que as vezes nos escapa, é que o puerpério, na realidade, tem três fases. Vejamos com detalhe. 

Fases do puerpério

● Puerpério imediato: dura umas 24 horas e abrange a recuperação física do próprio parto.

● O puerpério mediato está relacionado com a involução genital da mulher, a aparição dos lóquios, a subida do leite…

● Puerpério distante: chegaria até os 45 dias, justamente quando volta a menstruarão.

Puerpério tardio: pode chegar até os 12 meses, e para muitos especialistas compõe a recuperação completa do corpo da mulher após o parto.

Mudanças que sofre o corpo da mulher durante o puerpério

● Mudanças no sistema circulatório: a frequência cardíaca da mãe volta ao seu estado normal após o parto; de fato é normal que se experimente uma diminuição da tensão durante as primeiras semanas – é algo que devemos levar em conta -. Também é comum que apareçam nódulos hemorroidais.

● Mudanças hormonais associadas à progesterona, as glândulas endócrinas, a hipófise que regula a produção de leite…

● O volume do abdômen diminui para poder assim regular a posição do diafragma para que a respiração seja mais profunda.

O estômago e o intestino também experimentam mudanças na dilatação, por isso podem passar algumas semanas nas quais a mãe sofre de digestões lentas, prisão de ventre, falta de apetite…

● Ao longo dos meses posteriores ao parto é comum sofrer infecções de urina devido à recuperação do tônus na bexiga.

● Por sua vez, outro dado que devemos ter em conta, é que muitas mulheres podem sofrer uma queda de suas defesas após o parto.

Pensar que o corpo da mulher após o parto se recupera em 4 meses somente, é uma “fantasia”

 

 

Quando a mulher dá à luz não demora nem uns dias para iniciar uma missão que só ela entende, vive e assume: não importa a dor desse parto ou dessa cesárea. Ela se levantará quando o bebê precise que ela o cuide.

Não importam as poucas horas de sono, nem o quão cansada que ela esteja, nem o quão estranho ela notará seu próprio corpo, ao qual ela não reconhece, ou como às vezes dói tanto que a assusta, tanta mudança…

Uma mãe fará tudo o que essa nova vida precisar. No entanto, se essa mãe tem uma responsabilidade trabalhista, ao fim dos 4 meses deverá separar-se desse bebê para retomar suas responsabilidades profissionais. Ainda que seu corpo não esteja recuperado, ainda que suas emoções estejam confusas, à flor da pele, e vinculadas unicamente a seu bebê.

Em países como a Noruega ou a Suécia são muito conscientes desta realidade física, orgânica, hormonal, e emocional. Por isso, as licenças trabalhistas chegam até os 16 meses. Além disso, nessa licença os pais também estão incluídos em uma proporção destacável, porque se entende que a criação é coisa dos dois, e que nesses primeiros meses de vida, nem o bebê nem a mãe devem estar sozinhos.

Estas políticas sociais são invejáveis, não há dúvida. São países onde o estado de bem-estar vai de mãos dadas com uma sensibilidade autêntica e real pela população, por suas necessidades, e também pelas novas gerações. Entendemos, portanto, que uma licença de 4 meses não é suficiente para que uma mãe se recupere de tudo após o parto.

A mãe cumprirá seu trabalho, sem dúvida, e o fará bem, mas seu corpo ainda sente dor, e se perde, além disso, um tempo precioso que serviria para fortalecer mais o vínculo com essa criança que tanto precisa de seus pais.